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Brasília viveu uma verdadeira imersão na riqueza cultural, histórica e sensorial do México. O embaixador do México no Brasil, Carlos García de Alba, reuniu um seleto grupo de jornalistas, convidados e representantes diplomáticos no tradicional restaurante El Paso, na 404 Sul, para o lançamento oficial do projeto Mantel GastroMex.
Definido como “uma celebração da riqueza da gastronomia e das bebidas tradicionais mexicanas”, o projeto promete aproximar ainda mais os brasileiros das tradições mexicanas por meio da culinária, da arte, da história e das experiências sensoriais.

O anfitrião da noite e proprietário do restaurante David Lechtig abriu o evento destacando a nova fase das relações culturais entre a Embaixada do México e Brasília.
“Estamos começando uma nova época, uma nova era com a Embaixada Mexicana e com o novo embaixador, Carlos García. E ele tem o meu sobrenome também, o que é bem legal”, brincou o empresário. “Ele vem para promover muito a cultura em geral — música, pintura e gastronomia. O motivo de estarmos aqui hoje é para que vocês conheçam o Mantel GastroMex. Para quem não sabe, mantel significa jogo americano. É uma peça que vocês podem levar para casa, equipada com QR Codes que mostram várias fases e curiosidades do México.”
Segundo ele, o projeto contará com oito lançamentos ao longo do ano, começando por quatro temas emblemáticos, incluindo a Copa do Mundo, o Dia dos Mortos e a culinária tradicional mexicana.

Uma aula de história: do agave ao alambique
Após a abertura, o embaixador Carlos García de Alba conduziu os convidados por uma verdadeira jornada histórica e técnica sobre o mais famoso destilado mexicano: a tequila.
“Vou tentar explicar o que é a tequila, este maravilhoso destilado mexicano, oferecendo uma perspectiva histórica e mostrando o caminho do campo à indústria, e da garrafa ao paladar”, afirmou o diplomata, em tom descontraído.
O embaixador explicou que a palavra “tequila” possui origem pré-hispânica na língua náuatle e deriva de Tequitl (trabalho) e Tequitlán (terra de trabalho). O nome da bebida foi herdado da cidade de Tequila, localizada no estado mexicano de Jalisco.
Carlos García de Alba também destacou que a tequila é resultado do encontro entre duas tradições culturais:
- A fermentação, já praticada pelos povos indígenas mexicanos por meio do pulque, bebida sagrada produzida a partir do maguey (agave);
- A destilação, técnica trazida pelos colonizadores espanhóis durante o período colonial.
“Sem a fermentação indígena e sem a destilação europeia, não existiria a tequila como a conhecemos hoje”, explicou.
O agave azul e o rigoroso processo de produção
Durante a apresentação, os convidados puderam observar ilustrações do agave nos próprios jogos americanos distribuídos pela Embaixada.
O diplomata explicou que o Agave Azul Tequilana Weber, utilizado exclusivamente na produção da tequila, necessita de condições muito específicas de solo, altitude e clima para atingir a maturação ideal.
Segundo ele, a planta leva entre seis e nove anos para estar pronta para a colheita.
Quando madura, ocorre o chamado jimado — processo manual em que as longas folhas do agave são retiradas para revelar a “piña”, o coração da planta, que pode pesar cerca de 50 quilos.
Essas piñas são então cozidas, maceradas, fermentadas com leveduras e posteriormente destiladas.
“Muitas empresas ainda preservam métodos artesanais de produção, embora boa parte da indústria já seja industrializada”, explicou o embaixador.

Denominação de origem e proteção internacional
Carlos García de Alba destacou que o sucesso internacional da tequila está diretamente ligado à regulamentação criada pelo México em 1974.
Segundo ele, três pilares foram fundamentais para proteger a bebida da falsificação e garantir sua qualidade:
- O Conselho Regulador da Tequila (CRT) — órgão independente responsável por fiscalizar e certificar toda a cadeia produtiva;
- A Denominação de Origem Geográfica — apenas cinco estados mexicanos podem produzir oficialmente tequila:
- Jalisco (responsável por cerca de 80% da produção);
- Nayarit;
- Michoacán;
- Guanajuato;
- Tamaulipas;
- A classificação oficial das categorias e tipos de tequila.
O diplomata alertou os convidados sobre a importância de observar os rótulos das garrafas.
“Existe a tequila 100% agave, produzida exclusivamente com o açúcar do Agave Azul Tequilana Weber, e existe a tequila mista, que utiliza outros açúcares, como cana-de-açúcar ou beterraba. Se vocês querem a experiência autêntica, devem pedir uma tequila 100% agave”, afirmou.

Degustação guiada revela diferenças entre os tipos de tequila
Após a apresentação técnica, os convidados participaram de uma degustação guiada conduzida pelo próprio embaixador.
A experiência permitiu compreender como o tempo de envelhecimento e o contato com a madeira alteram o aroma, a textura, a cor e o sabor da bebida.
Tipos apresentados durante a degustação
- Blanco (Branca ou Plata)
Engarrafada diretamente do alambique, sem contato com madeira. Possui sabor mais puro e herbal do agave. - Reposado
Envelhecida em barris de madeira entre dois meses e um dia até um ano. Apresenta coloração dourada e notas mais suaves. - Añejo
Envelhecida entre um e três anos. Mais complexa, escura e aromática. - Extra Añejo
Tequilas raras, envelhecidas por mais de três anos. - Cristalino
Categoria mais recente, produzida a partir de tequilas envelhecidas filtradas em carvão para retirar a coloração, preservando os aromas complexos com aparência cristalina.
O embaixador também comentou sobre o crescimento expressivo da tequila no mercado internacional.
“Atualmente, a tequila vive uma ascensão global impressionante. Recentemente, ela superou o gim como um dos destilados mais consumidos nos Estados Unidos”, destacou.
Segundo ele, o setor conta hoje com mais de 1.800 empresas produtoras, desde grandes marcas internacionais até pequenos produtores artesanais.
Alta gastronomia mexicana encerra a noite
Após a palestra e as saudações diplomáticas — que contaram inclusive com a presença do embaixador da Guatemala no Brasil, Alfredo Puncet — os convidados foram recepcionados com um menu especial preparado pelo restaurante El Paso, harmonizado com diferentes estilos de tequila.

Menu da noite
Entradas para compartilhar
- Guacamole
- Salsa Roja
- Frijoles Refritos
- Pico de Gallo
- Queso Picante
Pratos principais
Mole Poblano de Guajolote
Peru servido ao tradicional molho mexicano à base de chocolate, pimentas e especiarias.
Enchiladas de Machaca
Tortilhas de milho recheadas com carne seca desfiada, cobertas com molho vermelho e queijo derretido.
Opção vegetariana
Mix de cogumelos e cebola.
Sobremesa
Tres Leches com licor de tequila
A noite terminou em clima de confraternização e celebração cultural, consolidando Brasília como palco de importantes iniciativas diplomáticas e reforçando os laços culturais entre México e Brasil por meio da gastronomia, da tradição e da hospitalidade mexicana.






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