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O Diplomacia Business realizou uma entrevista exclusiva com o embaixador do Líbano no Brasil, Elias Nicolas, para abordar a grave crise humanitária decorrente dos ataques ao território libanês iniciados em 2 de março de 2026. Até meados do mês, os confrontos já haviam deixado centenas de mortos, milhares de feridos e provocado o deslocamento de mais de 800 mil pessoas, além de causar danos significativos à infraestrutura civil.
Durante a entrevista, o embaixador detalhou as ações da Embaixada, com destaque para a criação da Unidade de Coordenação de Resposta à Crise. A iniciativa articula a mobilização da comunidade líbano-brasileira, de autoridades e de instituições brasileiras, além de coordenar doações e esforços humanitários. Ele também ressaltou a importância da campanha “Apoie o Líbano 2026” e da parceria com a Associação Unidos pelo Líbano, consideradas essenciais para garantir que a ajuda chegue de forma organizada, eficiente e transparente à população afetada.
Confira os principais trechos da entrevista:
Diplomacia Business: À luz do atual cenário de conflito, quais são as principais iniciativas adotadas pela Embaixada do Líbano no Brasil para apoiar a população libanesa?
Elias Nicolas: Desde o início dos ataques ao território libanês, em 2 de março de 2026, e diante da contínua escalada da violência, que, segundo relatórios oficiais, já havia causado, até hoje, 1116 mortes, 3229 feridos e o deslocamento de mais de 1 milhão de pessoas — números que seguem em crescimento —, além de danos expressivos à infraestrutura civil, criamos uma Unidade de Coordenação de Resposta à Crise, em conjunto com os dois Consulados-Gerais.
O objetivo é coordenar esforços para apoiar a população deslocada e auxiliar o povo e o governo libaneses a enfrentar as consequências humanitárias da crise. Entre as atribuições da unidade estão: conscientizar a comunidade líbano-brasileira e as autoridades brasileiras; identificar formas de assistência; mobilizar recursos em parceria com instituições, especialmente a Associação Unidos pelo Líbano; e coordenar a logística de coleta, armazenamento e envio de doações, assegurando transparência e eficiência.
A primeira iniciativa foi o lançamento da campanha nacional “Apoie o Líbano 2026”, com o objetivo de mobilizar a comunidade e os apoiadores do país no Brasil.
Paralelamente, buscamos identificar formas de cooperação do governo brasileiro, em níveis federal, estadual e municipal.

Diplomacia Business: Como funciona o gabinete de crise estabelecido pela Embaixada e quais são suas prioridades estratégicas?
Elias Nicolas: A Unidade atua como um centro de coordenação da assistência humanitária. É composta por mim, como chefe, pelo cônsul-geral no Rio de Janeiro, Joe Turk, e pelo cônsul-geral em São Paulo, Rodrigue El Khoury, além de contar com uma equipe de apoio consular e administrativo.
Entre as prioridades estão a centralização das doações, a garantia de transparência em todas as etapas, a atualização constante de informações sobre a situação no Líbano, a identificação das necessidades mais urgentes e a articulação com autoridades brasileiras e com a comunidade líbano-brasileira, incluindo parcerias estratégicas.
A Unidade se reúne regularmente para avaliar relatórios e definir ações, assegurando que todo o processo — do registro à entrega das doações — ocorra de forma organizada e eficaz.
Diplomacia Business: De que forma a atuação conjunta com os Consulados-Gerais fortalece a resposta humanitária?
Elias Nicolas: A atuação integrada amplia o alcance das informações sobre como ajudar, garantindo maior precisão e rapidez na comunicação. Também assegura transparência na gestão das doações e fortalece a mobilização da comunidade, das autoridades e das instituições brasileiras envolvidas.
Diplomacia Business: Qual é o papel da Associação Unidos pelo Líbano e como a sociedade civil pode contribuir?
Elias Nicolas: A associação é nossa principal parceira nesta campanha. Já atuou em crises anteriores e possui experiência essencial para garantir que as doações cheguem efetivamente à população. Outras instituições também têm respondido ao chamado, e somos gratos pelo engajamento.
Diplomacia Business: Que tipo de apoio internacional — especialmente do Brasil — é mais urgente neste momento?
Elias Nicolas: Agradeço ao governo brasileiro pelo apoio já demonstrado e por sua posição firme. O Brasil reafirma seu compromisso com o direito internacional e sua histórica amizade com o Líbano.
Seguimos em diálogo com autoridades brasileiras para identificar formas de cooperação. O Líbano lançou, em coordenação com a ONU, a campanha “Lebanon Flash Appeal 2026”, e esperamos que o Brasil contribua também em nível governamental. Além disso, consideramos importante uma atuação mais ativa para pressionar pelo fim imediato dos ataques, permitindo a implementação das decisões recentes.

*É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.




