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Omã, na extremidade sudeste da Península Arábica, preserva uma identidade cultural marcada pela convivência harmoniosa entre o antigo e o novo. No país, a herança marítima, a vida beduína e a espiritualidade islâmica se entrelaçam com expressões modernas que ganharam espaço nas últimas décadas. Essa combinação molda um cenário cultural dinâmico, visível nas artes visuais, na literatura e na música, onde criadores omanis dialogam com suas raízes enquanto projetam o país no circuito internacional.

Nas artes visuais, Omã vive um momento de renovação. Pioneiros e novas gerações ocupam galerias, museus e mostras internacionais, reinterpretando símbolos tradicionais com linguagens contemporâneas. Entre os nomes mais conhecidos estão Hassan Meer, referência da arte moderna omanita e autor de instalações e pinturas que exploram memória e espiritualidade; Anwar Sonya, considerado um dos pilares das artes plásticas do país, cuja obra combina abstração e caligrafia árabe; e Mays Al Moosawi, artista que transita entre pintura, ilustração e escultura, trazendo padrões e cores inspirados na estética omanita para uma abordagem experimental.

A literatura de Omã também acompanha esse movimento. Poetas e escritores do país têm explorado temas como transformações sociais, identidade e vida cotidiana, produzindo obras que circulam além das fronteiras nacionais. Entre os nomes de maior destaque estão Zahir al-Ghafri, um dos poetas mais influentes de Omã, conhecido por versos de tom melancólico e contemplativo; Jokha Alharthi, escritora e acadêmica vencedora do Man Booker International Prize de 2019 por Celestial Bodies, cuja obra investiga as transições sociais e históricas do país; e Zahran Alqasmi, poeta e romancista cujo romance Exile of the Water Diviner (2021) ganhou ampla repercussão e lhe rendeu homenagem do Ministério da Cultura de Omã.

Na música, Omã mantém viva a tradição do ṣawt, estilo intimamente ligado à vida marítima e às rotas comerciais do Golfo. Nenhum nome simboliza melhor essa herança do que Salim Rashid Suri, conhecido como “o marinheiro cantor”, cuja trajetória ajudou a popularizar o gênero e conectou influências árabes, africanas e indianas. Ao lado dele, surgem músicos contemporâneos como Haitham Mohammed Rafi, cantor pop de alcance internacional que mistura instrumentos tradicionais, como o oud, com arranjos modernos; e Sham Maskari, um dos pioneiros da música urbana de Omã, que levou o rap e o R&B omanita a um público global.

Assim, a cultura omani segue se reinventando. Entre mesquitas antigas e centros culturais modernos, entre poemas seculares e produções audiovisuais recentes, Omã projeta uma identidade que honra o passado sem deixar de abraçar o presente — e seus artistas, escritores e músicos são os principais protagonistas dessa transformação.
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