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Brasília foi palco, na noite de quarta-feira (18), de uma celebração que uniu cultura, elegância e diplomacia em perfeita harmonia. Em comemoração ao Dia Nacional da Geórgia, o Embaixador Zurab Mchedlishvili, promoveu, na Casa Thomas Jefferson, uma recepção que encantou os convidados com um tributo ao diálogo entre povos — selado ao som do jazz de alma georgiana e coração brasileiro.
A estrela da noite foi a consagrada cantora Maia Baratashvili, que emocionou o público com sua performance em um formato inédito: um concerto de jazz com influências da música tradicional da Geórgia, numa linguagem artística que transcendeu fronteiras. Ao lado do pianista George Raffia-Schreiber, ela deu voz à história, à identidade e à sensibilidade de seu país — em uma noite que provou que a música pode ser tão diplomática quanto qualquer tratado.

Em seu discurso de boas-vindas, o Embaixador da Geórgia no Brasil, Zurab Mchedlishvili celebrou não apenas a independência de sua nação, mas também a crescente parceria com o Brasil. “É uma grande honra celebrar com vocês o Dia da Independência da Geórgia, que decidimos comemorar em um formato um pouco extraordinário neste ano”, afirmou.
À frente da missão diplomática no Brasil há pouco mais de um ano, Mchedlishvili fez questão de destacar os marcos dessa relação, estabelecida oficialmente em 1993: visitas parlamentares, acordos nas áreas de ciência, educação e defesa, além da presença ativa de embaixadas em Brasília e Tbilisi. “Brasil e Geórgia compartilham muito mais do que uma parceria diplomática — temos em comum o amor pela cultura, pelo folclore, pela dança e, acima de tudo, pela música”, disse ele, com entusiasmo.

Representando o governo brasileiro, o Diretor do Departamento de Europa do Ministério das Relações Exteriores, Embaixador Flávio CelioGoldman, reforçou o simbolismo do encontro. “Ainda que nossa relação bilateral seja relativamente recente, já alcançamos um patamar de colaboração digno de nota”, afirmou. Goldman destacou os avanços no comércio, no turismo e no intercâmbio técnico e cultural, além de mencionar a recente reativação do Mecanismo de Consultas Políticas, em 2023, após quase uma década.
Em sua fala, o diplomata brasileiro também expressou o desejo de ver a Geórgia presente na COP30, marcada para novembro, em Belém. “Contamos com o apoio da Geórgia para alcançar resultados ambiciosos nas negociações climáticas”, pontuou.

Mas foi a música que deu o tom mais profundo da noite. A artista Maia Baratashvili, visivelmente emocionada, agradeceu a oportunidade de cantar em solo brasileiro. “É uma alegria estar neste país que deixou um legado cultural imenso para o mundo — especialmente para nós, músicos de jazz que vivemos da improvisação”, declarou.
Para ela, Brasil e Geórgia se conectam por laços invisíveis e profundos. “Nós, georgianos, amamos cantar. E acredito que os brasileiros também. A música faz parte da nossa identidade, assim como da de vocês. E há algo mais que nos une: a fé”, completou, citando o Cristo Redentor como símbolo da espiritualidade que liga as duas culturas.
Com sua voz intensa e elegante, Maia transformou o palco em um ponto de encontro entre o jazz e a tradição georgiana — um elo musical que conquistou plateias em países como Alemanha, França, Rússia e Estados Unidos. Educadora e embaixadora cultural de seu país, ela deixou claro que a arte pode ser um poderoso instrumento de diplomacia.
A noite, que combinou emoção e sofisticação, terminou com a certeza de que Brasil e Geórgia não apenas compartilham acordos e protocolos — mas sentimentos, histórias e melodias. E, sobretudo, um futuro promissor construído com respeito, cultura e cooperação mútua.












