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Em uma demonstração de fortalecimento das relações bilaterais, o presidente do Senado da Suíça, Andrea Caroni, realizou uma visita oficial ao Brasil que percorreu três estados e aprofundou o diálogo em áreas como inovação, sustentabilidade, comércio e governança democrática.
A visita foi marcada por uma recepção na Embaixada da Suíça em Brasília, organizada pelo Embaixador suíço no Brasil, Pietro Lazzeri, com a presença de autoridades brasileiras, parlamentares e representantes diplomáticos. O evento ocorreu em Brasília na noite de quarta-feira (30).

Em seu discurso, Lazzeri afirmou que a missão “é uma expressão clara do compromisso de nossos países com o diálogo democrático, a inovação e o desenvolvimento sustentável”. O Embaixador destacou o papel crescente do Brasil no cenário internacional e valorizou a cooperação em tempos de desafios globais. “Compartilhamos valores essenciais, como a democracia, os direitos humanos, o multilateralismo e o respeito ao meio ambiente”, disse.
“A visita é quase um recorde, considerando as dimensões continentais do Brasil. Mesmo assim, conseguimos cobrir três estados em poucos dias”, disse Lazzeri. O diplomata também ressaltou o simbolismo da diplomacia parlamentar em tempos de fragmentação global. “Temos orgulho da nossa democracia direta e da proximidade entre representantes e cidadãos”, comentou, fazendo referência ao cantão de Glarus, representado por Caroni, um dos dois únicos cantões que ainda mantêm a tradicional Landsgemeinde — assembleia popular a céu aberto.

Andrea Caroni abriu seu discurso com bom humor, relatando um contratempo na chegada a Brasília: “Nosso voo foi cancelado de última hora no Rio, e não sabíamos se chegaríamos a tempo. Mas, de repente, um novo avião surgiu — acredito que foi obra do nosso embaixador!”, brincou, arrancando risos da plateia.
Apesar dos desafios logísticos, Caroni celebrou a intensidade da agenda. “Visitamos três grandes cidades em quatro dias. Mesmo com uma delegação reduzida, conseguimos realizar encontros produtivos e simbólicos.” Ele também reforçou a importância de estar presente no Brasil neste momento: “O Brasil é um ator global, e com sua presidência recente do G20, a COP30 no horizonte e o processo de adesão à OCDE, é fundamental estreitarmos nossos laços.”
Com sensibilidade cultural, Caroni falou sobre sua admiração pela música brasileira: “Sou baterista nas horas vagas e já toquei bossa nova até no exército suíço — embora um pouco rígida demais. Agora, posso ouvi-la aqui com sua verdadeira alma. É um privilégio.”
Ao refletir sobre a relação bilateral, o presidente suíço destacou o contraste que une os dois países: “À primeira vista, parecemos opostos — a Suíça com sua pontualidade e estrutura; o Brasil com sua espontaneidade e diversidade. Mas é justamente essa complementaridade que nos fortalece.”

Caroni também mencionou a profunda presença histórica suíça no Brasil, relembrando a migração de famílias após a erupção do Monte Tambora, no século XIX: “Talvez os primeiros refugiados climáticos do mundo tenham vindo da Suíça para o Brasil. Isso mostra que nossa relação tem raízes muito antigas.”
Ao abordar o futuro da cooperação, Caroni enfatizou o potencial da parceria econômica e científica. “Temos mais de 550 empresas suíças no Brasil, gerando quase 100 mil empregos. Mas há espaço para muito mais, especialmente com o aguardado acordo de livre comércio com o Mercosul. E quando os suíços dizem ‘sim’, mesmo que demore, é definitivo.”
Encerrando a noite ao som da bossa nova, Caroni propôs um brinde emocionado: “Mais do que números e tratados, o que torna essa relação tão especial é a amizade genuína entre nossos povos. Uma amizade que hoje dança ao ritmo da música brasileira. Um brinde ao nosso futuro compartilhado!”.







