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Advogada, 45 anos, Roberta Metsola é presidente do Parlamento Europeu desde 2022, quando era primeira vice-presidente e assumiu o cargo após o falecimento do então titular, o italiano David Sassoli. “Não devemos ter medo de enfrentar os autocratas. Não devemos ter medo de sustentar nossas promessas, de defender a Europa, e não devemos ter medo de construir uma união que funcione para todos nós”, disse Metsola após a sua eleição. Ela é a terceira mulher a ocupar este cargo e tem dado apoio ativo à Ucrânia.
A espanhola Irene Montero, candidata pelo bloco de esquerda, recebeu apenas 61 votos. Nesta 10ª legislatura europeia, as mulheres representam 39% do plenário, que tem idade média de 50 anos. Na quinta-feira, a alemã Ursula von der Leyen tentará ser reeleita na presidência da Comissão Europeia.
Dos 720 eleitos, mais da metade são novos deputados e um quarto deles – 187 parlamentares –, é de extrema direita, um número inédito. O novo plenário, empossado para um mandato de cinco anos, tem agora oito grupos, contra sete na legislatura anterior. Os conservadores detêm a maioria, seguidos pelos social-democratas, mas os equilíbrios políticos foram alterados pela presença expressiva da extrema direita, que relegou os liberais à quinta bancada em número de integrantes.
Devido a divergências ideológicas, os nacionalistas e populistas ultraconservadores estão divididos em três grupos e ainda é incerto se irão conseguir se unir para bloquear projetos importantes da União Europeia.
Extrema direita dividida em três grupos
O grupo de extrema direita que marca maior presença no Parlamento Europeu chama-se Patriotas pela Europa e tem 84 eurodeputados das siglas Reunião Nacional, de Marine Le Pen; Fidesz, do premiê húngaro Viktor Orbán; Vox (espanhol); Liga Italiana, de Matteo Salvini; FPO (austríaco); e o movimento do ex-primeiro-ministro tcheco Andrej Babis.
A primeira-ministra italiana de extrema direita, Georgia Meloni, lidera o grupo Conservadores e Reformistas, de 78 deputados, junto com os poloneses do partido Lei e Justiça. O grupo de Meloni é considerado respeitável no mosaico de extrema direita do bloco por ser pró-Ucrânia e pró-União Europeia, enquanto o partido de extrema direita alemão AfD – anti-UE, anti-Otan e anti-imigração – ficou isolado num grupo menor de 25 parlamentares.
Em entrevista ao portal de notícias France Info, Pascale Joannin, diretora-geral da Fundação Robert Schuman, um centro de pesquisas sobre a Europa, disse que até agora o Parlamento Europeu conseguiu manter um “cordão sanitário” contra as investidas da extrema direita. A manutenção desse cordão federalista e pró-UE nessa nova composição é mais incerta.
Na sessão inaugural, um grupo de 63 deputados pediu aos líderes da União Europeia que retirem o direito de voto da Hungria dentro do bloco, em retaliação às recentes visitas do primeiro-ministro Viktor Orban a Moscou e Pequim.




