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A Embaixada de Bangladesh no Brasil comemorou o 53º Dia Nacional do país na segunda-feira (29). O evento, que aconteceu na Villa Rizza em Brasília, reuniu embaixadores, representantes do corpo diplomático, autoridades, imprensa e amigos do país. Os convidados puderam apreciar comidas típicas bengalis, além de uma bela apresentação de capoeira com a dança típica asiática em uma graciosa fusão de culturas entre os países amigos.
Na solenidade, a Embaixadora de Bangladesh no Brasil, Sadia Faizunnesa enfatizou os mais de 50 anos das relações diplomáticas entre o Bangladesh e o Brasil, reforçando o comércio bilateral que chega a aproximadamente 3 bilhões de dólares, além de mostrar os resultados positivos com a recente visita do Chanceler Mauro Vieira ao país asiático em abril deste ano.
O Secretário de Ásia e Pacífico do Itamaraty, Embaixador Eduardo Paes Saboia e o Ministro de Estado do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, José Wellington Barroso de Araújo Dias, também discursaram na celebração.

Bangabandhu Sheikh Mujibur Rahman e a independência bengali
A Embaixadora Sadia Faizunnesa, em seu discurso, prestou homenagem ao Pai da Nação – o maior bengali de todos os tempos – Bangabandhu Sheikh Mujibur Rahman, que libertou Bangladesh das algemas de uma longa opressão. Falou também sobre as vítimas do Genocídio de 1971 – mais de 3 milhões de mártires que lutaram na Guerra de Libertação e mais de 200.000 mulheres que foram violadas durante a guerra.
Bangabandhu Sheikh Mujibur Rahman foi também um defensor ferrenho dos direitos da criança desde sua infância e em quatro anos após o surgimento de Bangladesh, promulgou a Lei Nacional da Criança para crianças seguras e protegidas em 1974 em Bangladesh, 15 anos antes de as Nações Unidas adotarem a Convenção dos Direitos da Criança.
No dia 7 de março de 1971, o Sheikh Mujibur Rahman proferiu um histórico discurso para mais de um milhão de pessoas, chamando a nação para a independência de Bangladesh. Propôs um movimento de não cooperação, com greve geral, paralisação de empresas, órgãos públicos e o fim das remessas financeiras para o Paquistão Ocidental.
Desenvolvimento e status internacional
Desde a independência, Bangladesh tem construído um nome vigoroso no cenário internacional, mantendo “o seu estatuto de líder na paridade e soma de gênero, além de se destacar no planejamento estratégico, na produção agrícola alimentar robusta, na redução da pobreza e no investimento estratégico em recursos humanos e infra-estruturas que impulsionaram o país, de um status de subdesenvolvido para se tornar um país em desenvolvimento até 2026”.
A diplomata destacou que o crescimento econômico ultrapassa os 6% há mais de duas décadas, colocando Bangladesh entre as economias em crescimento mais rápido do mundo. “A pobreza não só diminuiu de 21,5% para 18,7% e a pobreza extrema para 5,6% em 2006 e 2023”, contou.

Bangladesh do futuro e a visão de Sheikh Hassina
“Olhando para o futuro, a Primeira-Ministra, Sheikh Hassina pretende concretizar um Bangladesh inteligente até 2041, prevendo uma nação desenvolvida próspera e baseada no conhecimento. No entanto, a questão das alterações climáticas representa uma ameaça significativa ao nosso crescimento e desenvolvimento”.
Apesar destes desafios, o país asiático tem orgulho da sua capacidade de lidar com catástrofes naturais através da construção de resiliência entre os povos e da implementação de um plano de ação abrangente de gestão de catástrofes e projetos relacionados em matéria de adaptação às alterações climáticas.
Relações bilaterais
O dia 15 de maio de 1972 marca o reconhecimento formal de Bangladesh como país independente pelo Brasil.
Ambos os países são bons amigos desde a independência de Bangladesh. Devido a circunstâncias inevitáveis, ambos os países fecharam as suas respectivas Embaixadas. No entanto, desde 2012 retomaram operações diplomáticas de pleno direito. A paixão pelo futebol da nação de Bangladesh é um terreno comum de amizade entre as duas nações amigas.
“Bangladesh aprecia o relacionamento duradouro e crescente com o Brasil, remontando ao reconhecimento de Bangladesh pelo Brasil em 15 de maio de 1972, o primeiro na América do Sul a fazê-lo, e, nos últimos anos têm visto um progresso significativo dos laços entre os dois países”.
Comércio
Bangladesh já é um parceiro comercial do Brasil, principalmente na pauta de algodão. Na safra 2021/2022, o país importou 165,9 mil toneladas do produto brasileiro. Compartilhando valores em comum em diversos âmbitos, possuem sinergia e têm trabalhado para liberalizar seus fluxos comerciais, desejando intensificar o volume de negócios e investimentos mútuos.

Segundo dados disponíveis no ComexVis, o total de exportações realizadas para Bangladesh alcançou recorde histórico em 2022, chegando a 2,3 bilhões de dólares, um aumento de 29,1% em relação a 2021. Entre os produtos mais exportados estão a soja (27%), algodão bruto (21%) e açúcares e melaços (19%). O país foi o 10º maior destino de exportações na Ásia. Já o valor de importações do país para o Brasil chegou em 160 milhões de dólares em 2022, representando um aumento de 35,8% em relação ao ano anterior.
Faizunnesa finalizou agradecendo aos representantes do governo brasileiro pela presença e amizade, aos convidados e reforçando a dedicação de Bangladesh em unir os esforços inabaláveis com o Brasil, “para fomentar a paz, avançar o progresso e nutrir a prosperidade, iluminando assim o caminho para um futuro mais brilhante para toda a humanidade”.

Segundo a proferir o discurso, o Secretário de Ásia e Pacífico do Itamaraty, Embaixador Eduardo Paes Saboia, destacou que a independência de Bangladesh “envolveu intensos choques de ideias, divergências jurídicas e políticas, debates ferozes sobre a autodeterminação e, em última análise, uma guerra de libertação”, e, portanto, “devemos prestar a nossa homenagem aos esforços da geração de Bangabandhu, este bom homem, e que conduziu o Bangladesh no caminho da liberdade”.
No âmbito das relações diplomáticas entre Brasil e Bangladesh, o Embaixador Saboia reforçou que o Brasil tem “orgulho de ter sido a primeira nação latino-americana a reconhecer a independência de Bangladesh e a primeira nação latino-americana a abrir uma embaixada”. Em sua fala, ressaltou ainda o fato histórico do Chanceler Mauro Vieira ter sido o Primeiro- Ministro das Relações Exteriores brasileiro a visitar Bangladesh com um grande e importante grupo corporativo”.
“Esta histórica e simbólica visita representa um testemunho da importância que o Brasil dá nas relações bilaterais com Bangladesh. Durante a visita assinamos ainda um acordo de cooperação técnica e a cooperação pecuária já começou”, acrescentou. Saboia concluiu reafirmando o compromisso por parte do Governo Brasileiro em fortalecer as relações com o parceiro asiático.

Por sua vez, o Ministro de Estado do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, José Wellington Barroso de Araújo Dias, iniciou sua fala dizendo que “a data não apenas marca a conquista da independência, mas também é um lembrete da resiliência e da determinação do povo do Bangladesh em face às adversidades mais severas”.
“Hoje, 53 anos após a guerra de independência, o Bangladesh se ergueu como um farol de esperança e progresso na Ásia e além. É admirado testemunhar o desenvolvimento acelerado da nação dos últimos anos, assim como o seu compromisso inabalável com a erradicação da pobreza, a promoção da assistência social e o fortalecimento do papel da mulher em todas as esferas da sociedade, entre outros valores, e também o desenvolvimento de forma integrada. Nesse contexto, é com grande satisfação que reconheço o notável trabalho da Primeira-Ministra Hassina, em pronto desenvolvimento social, o atingimento dos objetivos de desenvolvimento sustentável e do empoderamento feminino”, prosseguiu.
Falou também que será a primeira vez que “receberemos no Brasil a visita de uma chefe de Estado de Bangladesh e isso nos honra muito. Esse convite e essa aceitação são um reconhecimento do nosso grande acerto em termos convidado Bangladesh para integrar, como país convidado, a Força-Tarefa do G20, que está atualmente trabalhando na constituição desta aliança global contra a fome e a pobreza”. Segundo ele, as contribuições técnicas dos representantes de Bangladesh nessa Força-Tarefa têm sido inestimáveis e mostram um grande alinhamento de visões.
Finalizou garantindo que a cooperação internacional, baseada no intercâmbio de práticas e experiências, é fundamental para o sucesso da colaboração estreita entre os países na construção de um futuro mais justo e próspero para todos.










