|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
O Governo Brasileiro informou que concedeu agrément à Daniel Scioli como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República Argentina no Brasil. A decisão foi anunciada pelo atual Presidente da Argentina, Javier Milei. Scioli chegou ao Brasil em 2020, selecionado pelo então presidente argentino, Alberto Fernández. Na época, o Brasil estava sob a administração de Jair Bolsonaro.
Perfil do Embaixador
Daniel Osvaldo Scioli desembarcou na costa política do peronismo neoliberal em 1997 pelas mãos de Carlos Menem após desenvolver uma dupla carreira esportiva na especialidade da náutica, da qual foi oito vezes campeão mundial e que lhe rendeu fama, e negócios no ramo de eletrodomésticos, a partir da herança de um empório familiar. Iniciou os estudos universitários em Marketing, mas os deixou inacabados.
De deputado nacional por Buenos Aires, ingressou no governo do presidente Eduardo Duhalde em 2002 como secretário de Turismo e Esportes. Depois de um ano deu o salto para a Vice-Presidência da Nação flanqueando Néstor Kirchner, que era, é a imagem que projetava, um colaborador dócil e extremamente moderado, tanto que às vezes irritava o seu combativo chefe.
Esse perfil de kirchnerista amigável, sem tons ásperos e sem gosto pelo confronto político, foi mantido após ser eleito governador de Buenos Aires em 2007, mandato que renovou com ganho de votos em 2011. Sua gestão na província com maior economia A área de peso e mais populosa da Argentina tem sido marcada por uma Lei pioneira de Fertilização Assistida, tímidas melhorias na infraestrutura de saúde e pela promoção da habitação social com instrumentos como o programa PROCREAR. A sua grande questão pendente, concordam os opositores e comentadores, é a insegurança dos cidadãos.
Apesar de não pertencer ao círculo de apoiadores incondicionais do casal Kirchner e de despertar fortes suspeitas entre os kirchneristas mais ortodoxos devido à sua duvidosa adesão aos postulados da Frente para a Vitória (FPV), o “centrista” e “ambíguo” Scioli manteve sua estatuto de tenente de Néstor Kirchner, após cuja morte em 2010 herdou a presidência do Partido Justicialista (PJ). Cristina Fernández, chefe de Estado desde 2007, submeteu-o a maus-tratos públicos que se intensificaram a partir de 2012, quando o governador revelou que tinha ambições presidenciais, embora sujeito à rejeição de Fernández à sua terceira candidatura, através da reforma constitucional.
Porém, em junho de 2015, o presidente, mais por cálculo eleitoral do que por afinidade pessoal, garantiu que Scioli chegasse sozinho às primárias abertas do FPV, forçando a desistência do outro candidato, o ministro do Interior Florencio Randazzo, que, paradoxalmente, foi designado como cristão e foi visto melhor por La Cámpora, a organização juvenil ultra-kirchnerista da FPV liderada pelo filho dos Kirchner, Máximo. Na altura, as piscinas baixaram os nomes alternativos de Jorge Capitanich, Axel Kicillof e Amado Boudou, mas aparentemente Fernández nunca os considerou seriamente. Em 9 de agosto, Scioli, com 38% dos votos, foi o candidato presidencial mais votado nas primárias da PASO, tendo o “puro kirchnerista” Carlos Zannini como companheiro de chapa.




