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O ministro de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano da Zâmbia, Charles Milupi, fez uma viagem oficial ao Brasil esta semana. Ele liderou uma delegação do Conselho de Parcerias Público-Privadas (PPP) da Zâmbia que fez uma visita de estudo para conhecer as melhores práticas dos Projetos PPP Infraestruturais implementados com sucesso no Brasil em vários setores, incluindo estradas, ferrovias, energia e agricultura.
Nos últimos anos, a Zâmbia avançou fortemente para a adoção do modelo de investimento PPP, especialmente no setor de infraestrutura rodoviária. Durante sua estada em Brasília, Charles Milupi concedeu entrevista ao Diplomacia Business.
Confira na íntegra:
Diplomacia Business: Qual é o objetivo de sua visita ao Brasil?
Ministro Charles Milupi: Desde o estabelecimento de relações diplomáticas em 1970, Zâmbia e Brasil estão ampliando o escopo das relações bilaterais em áreas de interesse mútuo. Uma dessas áreas é a cooperação para o desenvolvimento.
Atualmente, a Zâmbia está seguindo uma ambiciosa agenda de desenvolvimento de infraestrutura para apoiar a transformação socioeconômica do país e criar os empregos tão necessários para o nosso povo, especialmente para os jovens. Essa agenda de desenvolvimento de infraestrutura está sendo implementada em parte por meio do uso de Parcerias Público-Privadas.
O Governo New Dawn, do presidente Hakainde Hichilema, acredita fortemente no papel maior que o setor privado pode desempenhar para apoiar o governo na entrega de infraestrutura e serviços públicos usando Parcerias Público-Privadas. Estou, portanto, aqui no Brasil com membros do nosso Conselho de Parcerias Público-Privadas para envolver nossos colegas no Brasil sobre como eles implementaram projetos de PPP com sucesso, compartilhar nossas próprias experiências e explorar oportunidades de parceria com o setor privado brasileiro na execução de projetos na Zâmbia, segundo esse modelo de parcerias.
Como a Zâmbia pretende estreitar suas relações com o Brasil?
A Zâmbia e o Brasil se envolvem bilateralmente e por meio de compromissos multilaterais, como as Nações Unidas. A Zâmbia pretende maximizar todas as oportunidades disponíveis para se envolver com o Brasil e garantir que nossas relações bilaterais cresçam em um caminho sustentável dos interesses mútuos.
Meu governo está focado em fortalecer nossos compromissos com o Brasil como parte de nossa agenda de diplomacia econômica. O Brasil é a potência econômica da região e desempenha um papel importante no comércio mundial. Com um PIB de mais de US$ 1,6 trilhão, o Brasil alcançou um desenvolvimento econômico significativo e pode oferecer à Zâmbia lições e oportunidades apropriadas para seu desenvolvimento econômico por meio de relações bilaterais e investimentos fortalecidos.
Nossas relações bilaterais se beneficiariam com o aumento do investimento estrangeiro direto do Brasil na Zâmbia. A Zâmbia precisa de investimentos em turismo, agricultura, infraestrutura, energia, mineração e manufatura. Acredito que essas são áreas onde o Brasil tem vantagem comparativa significativa, e o investimento estrangeiro direto do Brasil na Zâmbia traria benefícios mútuos para os dois países.
Além disso, o Brasil pode aproveitar o ambiente econômico e político estável na Zâmbia e sua localização geográfica estratégica na região da SADC, que oferece oportunidades de fácil acesso aos mercados regionais para introduzir produtos, tecnologias e serviços brasileiros.
Existem parcerias atuais da Zâmbia com o Brasil?
O Brasil atualmente está investindo no setor de energia da Zâmbia. No entanto, o nível de comércio e investimento entre nossos países precisa ser aumentado para benefício mútuo.

O Brasil é conhecido por sua expertise agrícola. Como a Zâmbia pode se beneficiar desse conhecimento?
A Zâmbia está investindo para aumentar sua base agrícola. Parte do plano é aumentar o nível de mecanização e o uso de tecnologia para o crescimento da produtividade agrícola. Além disso, a Zâmbia tem um enorme potencial para aumentar seu setor pecuário, particularmente na produção de gado e produtos associados. Acredito que essas são áreas onde a Zâmbia pode aprender com a experiência brasileira.
Estamos interessados em aprender com o Brasil, mas também atrair o investimento brasileiro para nosso setor agrícola. Temos enormes faixas de terra arável e abundância de recursos hídricos para apoiar a agricultura. Aproveito para fazer um apelo aos investidores do Brasil na área da agricultura. Queremos conhecer melhor como o Brasil implementou seu programa de desenvolvimento de blocos agrícolas, porque também demos prioridade ao desenvolvimento de blocos agrícolas como governo.
Quais são as principais oportunidades de investimento em termos de infraestrutura na Zâmbia?
A Zâmbia tem uma rede rodoviária principal de cerca de 40.000 km, que inclui estradas principais que levam a 8 países vizinhos. Existe uma grande oportunidade para desenvolver a maioria das estradas principais na rede rodoviária principal usando Parcerias Público-Privadas. Fazem parte dessa rede rodoviária as infra-estruturas fronteiriças que ligam a Zâmbia aos nossos oito vizinhos. Para aumentar o comércio, meu governo priorizou o desenvolvimento de rotas comerciais e instalações fronteiriças, áreas de possíveis investimentos de empresas brasileiras. A infraestrutura de energia é outra área em que o investimento do Brasil seria bem-vindo.
Quais são as principais oportunidades para as empresas brasileiras investirem na Zâmbia?
A Zâmbia está aberta para investimentos do Brasil. Investidores do Brasil devem explorar nossas cordiais relações bilaterais cultivadas ao longo de muitos anos e aumentar seus investimentos na Zâmbia.
Entre as áreas de interesse para investimentos do Brasil na Zâmbia destacam-se energia (incluindo energia limpa), turismo, agricultura, aquicultura, tecnologia, mineração, manufatura, aviação, transporte e desenvolvimento de infraestrutura. Aguardo ansiosamente as empresas brasileiras expondo em nossa feira internacional, feira agrícola e comercial, exposição agro tecnológica entre outras oportunidades de negócios disponíveis na Zâmbia. Eles devem considerar a Zâmbia como uma base para alcançar o mercado africano mais amplo.





