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A filial internacional chinesa do Grupo de Líderes Empresariais (LIDE) foi criada em 2013, com atuação focada nos principais líderes e autoridades governamentais. O LIDE tem influência direta no PIB do Brasil e da China para o desenvolvimento de parcerias e o fortalecimento do elo entre os dois países.
Desde sua fundação, o LIDE China une o empresariado sino-brasileiro, servindo de plataforma indispensável para a maior integração do seleto empresariado e fomento dos negócios entre a China e o Brasil, criando inclusive condições mais propícias para o investimento chinês no país.
O advogado José Ricardo dos Santos Luz Júnior é o co-chairman e CEO da organização. Ele morou na China por cinco anos e obteve seu MBA pela Universidade de Pequim.
José Ricardo mantém contato constante com seus associados no país asiático, participando de reuniões, delegações e treinamentos. Na entrevista ao Diplomacia Business, o especialista fala sobre o trabalho de fortalecimento das relações sino-brasileiras e analisa as relações bilaterais.
Diplomacia Business: Como é o trabalho do LIDE China e quais os planos para o futuro próximo?
O LIDE – Grupo de Líderes Empresariais é uma organização privada fundada no Brasil em 2003, com o principal escopo de reunir empresários de diversos países para discutir o aprimoramento da livre iniciativa e da iniciativa privada no desenvolvimento econômico e social, bem como para defender os princípios éticos da governança corporativa nos setores público e privado.
A filial internacional do LIDE na China (LIDE China) foi fundada em 2013. Seu foco está nos principais líderes governamentais, autoridades e empresários que influenciam diretamente o PIB do Brasil e da China para fomentar parcerias e fortalecer as relações entre os dois países. Desde sua fundação, o LIDE China tem conectado os empresários sino-brasileiros como plataforma de negócios responsável pela promoção de maior integração empresarial e fomento de negócios entre as duas nações, criando melhores condições para o investimento estrangeiro direto e comércio sino-brasileiro.
O principal objetivo do LIDE China é promover a efetiva integração entre empresas chinesas e brasileiras, criando oportunidades de networking para novos negócios, mantendo intensa cooperação bilateral que auxilia o comércio mútuo e o investimento, bem como os acordos comerciais necessários para aprofundar as relações econômicas.
O LIDE China une e conecta líderes para fomentar o conhecimento e os negócios, contribuindo para reforçar a livre iniciativa e os valores democráticos. Promove o desenvolvimento econômico nas relações sino-brasileiras, com a visão de ser uma rede internacional qualificada, ativa, relevante e abrangente para fomentar a livre iniciativa e a iniciativa privada no desenvolvimento econômico e social, buscando inovação e serviços de alto valor agregado para suas afiliadas, cujos valores são as iniciativas sempre baseadas em princípios éticos e boas práticas de governança corporativa.
Para o LIDE China é primordial:
- I) Promover e agregar valor à integração entre empresas chinesas e brasileiras;
- II) Aprimorar o diálogo entre Brasil e China através de parcerias estratégicas, reuniões de alto nível e workshops;
III) Fomentar o intercâmbio econômico na área empreendedora.
- IV) Consolidar e criar mais parcerias, além de conectar empreendedores na China e no Brasil de forma eficiente;
- V) Facilitar o fluxo de conhecimentos e informações corporativas entre os dois países.
Diplomacia Business: Devido à pandemia, não há possibilidade de se viajar para a China e os empresários chineses não podem vir ao Brasil. Como o LIDE China tem atuado nesse período?
Dada a impossibilidade de viagem à China desde março de 2020, o LIDE China passou por um momento desafiador e de profundas mudanças no seu modelo de negócios, pois não foi mais possível fomentar os eventos e encontros presenciais, bem como organizar missões empresariais brasileiras à China e missões chinesas ao Brasil.
Por outro lado, a pandemia permitiu a profunda digitalização das atividades do LIDE China, possibilitando reuniões e encontros entre os filiados de forma virtual, intensificação dos treinamentos oferecidos por autoridades e plataformas de negócios chinesas aos filiados brasileiros do LIDE China de forma online, assim como a aproximação do empresariado sino-brasileiro por meio de plataformas virtuais.
Importante ainda ressaltar que o LIDE China intensificou a relação entre os seus filiados durante a pandemia, para aprofundar as relações interpessoais , resultando no fomento de mais oportunidades de negócios pela plataforma.
Diplomacia Business: A China deu um “salto” no avanço tecnológico nos últimos anos, em especial na área das smart cities. De quais dessas tecnologias o Brasil poderia se beneficiar?
É inquestionável a evolução e o desenvolvimento da China desde a fase de reforma e abertura para o mundo exterior (1978), mediante a modernização das tecnologias de informação, aeroespacial, comunicações eletrônicas, economia digital, smart cities, dentre outras indústrias de alta tecnologia.
O indispensável planejamento, a elaboração e a implementação de políticas públicas adequadas, a definição de estratégias de desenvolvimento para revitalizar o país com ciência e tecnologia, o investimento em educação de seu povo e a visão de longo prazo foram alguns dos elementos primordiais para o exitoso desenvolvimento do país.
Mediante a filosofia centrada nas pessoas, o país deu o grande salto do milênio ao retirar mais de 770 milhões de pessoas da linha da pobreza desde 1978 e investe hoje maciçamente na promoção do desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação, rumo ao desafio do país, mediante diretrizes do governo chinês para construir uma nação moderna, harmônica, próspera e líder global até 2049, quando a República Popular da China completará os 100 anos de sua fundação.
A China tem conseguido melhorar a conectividade da era digital para injetar um novo impulso no desenvolvimento de todos os países. Nesse sentido, a revolução industrial 4.0 liderada pela China – incluindo inteligência artificial, computação em nuvem, machine learning, robótica, nanotecnologias, biotecnologia, Internet das Coisas (IoT), internet acelerada, automação de veículos, energia verde, e-commerce, cidades inteligentes, entre outros – desempenha um papel fundamental em termos de intercâmbio entre a China e o mundo em outras construções de um futuro compartilhado comum para toda a humanidade.
Sob a liderança do presidente chinês Xi Jiping, a China cresceu substancialmente em termos de desenvolvimento da economia digital e pode definitivamente ser uma grande ajuda para o mundo, incluindo o Brasil.China tem trabalhado fortemente em prol do aprofundamento da cooperação com o mundo, persistindo no caminho de desenvolvimento pacífico e relação ganha-ganha, na tentativa de construir futuro compartilhado com toda a humanidade. A relação sino-brasileira pode intensificar o intercâmbio na esfera tecnológica, permitindo maiores trocas entre a China e o Brasil, de forma a reduzir o gargalo tecnológico brasileiro e ampliando as oportunidades de desenvolvimento doméstico.
Diplomacia Business: Como o senhor avalia as relações bilaterais Brasil-China no contexto atual?
A relação sino-brasileira completa em agosto de 2022 exitosos 48 anos de relações diplomáticas.
O Brasil foi o primeiro país da América Latina a desenvolver comércio bilateral com a China em nível acima de US$ 100 bilhões, sendo o gigante asiático o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009.
A China e o Brasil são interdependentes e podem se beneficiar substancialmente dessa relação ganha-ganha, uma vez que essa relação sul-sul é vista por ambos os países como uma relação estratégica de longo prazo, pacífica e sem histórico de guerras. É nítida a intensificação do comércio, o aumento do fluxo de investimentos, a promoção de parceria concreta e a efetiva integração para atingir resultados mutuamente positivos nesses 48 anos de relações diplomáticas.
No que pertine ao comércio exterior sino-brasileiro, é inconteste a intensificação da relação comercial com a China, especialmente após a virada do milênio. No ano 2000, por exemplo, o comércio exterior sino-brasileiro totalizou a módica cifra de US$ 2,303 bilhões. Vinte anos depois, a relação comercial sino-brasileira em 2020 bateu um recorde histórico: foram US$ 102,566 bilhões comercializados pelos dois países em plena pandemia da COVID-19.
Em que pese o Brasil ter rompido pela primeira vez na história a marca superior a US$ 100 bilhões em importação e exportação com a China em 2020, o comércio bilateral sino-brasileiro continua crescendo exponencialmente, já atingindo a cifra de US$ 135,4 bilhões em 2021 nesse fluxo comercial sino-brasileiro.
Por certo, precisamos melhorar a pauta de exportação dos produtos brasileiros à China, majoritariamente concentrados em commodities como minério de ferro, soja, petróleo, responsáveis por 80,55% de toda pauta de exportação à China, mas precisamos também fazer nossa lição de casa para exportarmos produtos com maior valor agregado, de forma a abastecer um mercado de 1.4 bilhão de habitantes e classe média estimada em 400 milhões de pessoas.
Se acompanharmos com a devida e necessária atenção a importância dada pela China aos conceitos de sustentabilidade (Environmental, Social e Governance – ESG), inovação e inclusão, três pilares do 14º plano quinquenal de metas de desenvolvimento econômico e social vigente no país (2021-2025), seguramente otimizaremos as oportunidades com o nosso maior parceiro comercial. Isso a começar pelo agronegócio brasileiro que já tem a China como seu maior mercado, país responsável pela compra de 1/3 de todas as exportações de commodities agrícolas brasileiras, além de atrairmos cada vez mais investimento estrangeiro direto chinês para solucionar nossos gargalos em logística e compartilhamento de tecnologia de ponta, incluindo-se manufatura inteligente, inteligência artificial, internet das coisas (IoT), telecomunicação 5G, cidades inteligentes e comércio eletrônico.
Contudo, a intensificação desse intercâmbio precisa ser revista a partir de um diálogo político respeitoso, fomento de oportunidades por plataformas de negócios sino-brasileiras e uma maior troca de experiências com a China em setores de tecnologia, saúde, cultura, agronegócio, infraestrutura, dentre diversos outros segmentos.
Para tanto, a desconstrução da imagem obsoleta sobre a China em 2022 por nós brasileiros é imperiosa. A relação estratégica que devemos construir daqui em diante com o gigante asiático deve ser repaginada.
Dessa forma, a cooperação sino-brasileira apenas confirma a importância da amizade, parceria e cooperação estratégica entre esses dois gigantes e demonstram o potencial de fortalecimento das relações políticas, econômicas e comerciais.
Se falarmos sobre distância entre os dois povos, podemos apenas nos referir à distância territorial, pois essas duas potências demonstram cada vez mais serem interdependentes e fomentadores de uma relação frutífera ganha-ganha.
Diplomacia Business: Em junho, ocorreu a 14ª Cúpula dos BRICS. Qual sua análise sobre o futuro dos BRICS, com pedidos de novos países para integrar o bloco?
O LIDE China, em parceria com o Consulado Geral da República Popular da China em São Paulo, teve o privilégio de organizar o webinar sobre BRICS – “O Aprofundamento da Parceria dos BRICS para juntos criarmos um futuro melhor para o desenvolvimento global”.
Temas incluindo a promoção da recuperação econômica mundial, aceleração da transição verde, abrangência da economia digital, expansão da cooperação em saúde e aumento da resiliência das cadeias industriais e de suprimentos foram objeto de debate pelos maiores especialistas sobre BRICS.
É importante destacar que, por meio do modelo BRICS Plus – que foi introduzido sob a presidência da China em 2017 para fortalecer o diálogo e a cooperação entre os países do BRICS e outras economias emergentes e países em desenvolvimento, há a promoção do estabelecimento de parcerias mais amplas e facilitação do desenvolvimento comum e a prosperidade em larga escala.
O BRICS Plus fornece uma plataforma aberta para que os países em desenvolvimento participem da governança global, pois há um desejo de cooperação igualitária, benéfica e respeito mútuo.
Perfil
O advogado José Ricardo dos Santos Luz Júnior é um profissional brasileiro experiente nas relações sino-brasileiras. Viveu na China por cinco anos e obteve seu MBA pela Universidade de Pequim. Frequentemente viaja àquele país para participar de reuniões, delegações e treinamentos
José Ricardo é co-chairman e CEO do LIDE China 巴西 商业 领袖 组织 – 中国 区 (Grupo de Líderes Empresariais China) e pesquisador do Grupo de Estudos BRICS da Faculdade de Direito da USP (GEBRICS /USP).
Além disso, é membro da Comissão Especial de Relações Internacionais da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção São Paulo, da Comissão Especial de Direito e Relações Internacionais da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Santos e Membro da Comissão Especial da Coordenação Nacional sobre as Relações China-Brasil do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.




