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Desmembrada de Ceilândia, o Pôr do Sol tem cerca de 87.700 habitantes. Até o início dos anos 1990 era área rural. Com o fracionamento irregular de terrenos, que provocou crescimento desordenado e favela, a região é carente. Em 2019, Pôr do Sol ganhou autonomia de Ceilândia e tornou-se a região administrativa mais nova do Distrito Federal.
É nessa região que se encontra a sede do Instituto Acolher, presidido por Ana Cristina Siqueira Campos da Silveira, artesã, feirante, graduada em Gestão de Recursos Humanos, mulher que procura dar melhores condições de vida a outras mulheres, maiores de 35 anos de idade. O Acolher forma, oferece cursos e oficinas. Responsabilidade social, tomada de decisões através da construção coletiva, formação de competências, mudanças de atitudes com base nas ações e reflexões, inclusão por meio da educação e empreendedorismo são valores e marcas do Instituto.
“Nosso foco é que as mulheres sejam protagonistas de suas vidas, sonhos e negócios”, sintetiza Ana Cristina. Veja sua entrevista exclusiva ao Diplomacia Business:
Diplomacia Business – Como nasceu e onde funciona o Instituto Acolher?
Ana Cristina Siqueira Campos da Silveira: O Instituto Acolher nasceu do desejo de realizar projetos estruturantes na comunidade do Por do Sol, através da Economia Criativa e Empreendedorismo, com cursos de artesanato, manualidades, cursos de capacitação e palestras. Vi um potencial gigante nas mulheres e procurei colocar em prática meu conhecimento, apoiando mulheres para que nosso trabalho se fortalecesse. O Instituto tem sua sede na RA XXXII Pôr do Sol, situado na SHPS 206 Conjunto C Lote 04.
Quais os principais objetivos do Instituto?
Ana Cristina: Trabalhar pelo impacto social positivo, onde as associadas possam tirar seu sustento através do artesanato e manualidades. Atuando em parcerias fortalecendo cada vez mais o trabalho das mulheres e de toda a comunidade.
Quais os principais projetos e ações do Acolher?
Ana Cristina: São vários projetos desenvolvidos em desenvolvimento, tais como: Curso e Oficina de Fuxico; Curso e Oficina Pintura em tecido; Curso de Empreendedorismo; Confecção de 10 mil xuxinhas; Confecção de Bonecas de Artesanato autoral para ações sociais, junto a outras instituições.
Desde a fundação promovemos muitas ações, dentre elas o Trabalho social, através de um aplicativo onde a pessoa capta dólares diários e estes geram um valor no final do mês. O Impact Market nasceu durante a pandemia, para suprir dificuldades financeiras; Distribuição de Cobertores, com a parceria do Programa Pátria Voluntária; Distribuição de Cestas Básicas através de parceiros que fizeram doações para suprir as necessidades das famílias durante a pandemia; Doação de 100 Turbantes para mulheres com câncer assistidas pela ABAC- Associação Brasiliense de Apoio ao Paciente com Câncer no Hospital Regional de Taguatinga (ABAC); Apoio a projetos sociais desenvolvidos na comunidade.
Porque a opção em atender mulheres acima de 35 anos?
Ana Cristina: Por entendermos que a mulher nesta faixa etária encontra dificuldades em atuar ou voltar ao mercado de trabalho e estas têm talento, maturidade e capacidade para transformar sua vida e a vida de outras pessoas. Mesmo tendo qualificação, o mercado de trabalho não absorve a mão de obra de mulheres acima de 35 anos.
Quais as perspectivas de participar do G10 Favelas?
Ana Cristina: As melhores possíveis, fazer parceria para que projetos com cases de sucesso do G10 Favelas em São Paulo. Queremos conhecer, absorver e implementar no Distrito Federal modelos de empreendedorismo de impacto social positivo, dentro da comunidade, gerando oportunidades de desenvolvimento para as associadas e localmente.
Como ser beneficiada pelo Acolher e quantas pessoas o Instituto acolher?
Ana Cristina: O primeiro passo é associar-se, ou seja, as associadas beneficiadas são aquelas que têm este perfil ou se capacitam em nossos cursos, para que sejam donas de seus negócios. Nosso foco é que as mulheres sejam protagonistas de suas vidas, sonhos e negócios. Atualmente atendemos 200 mulheres, sempre baseados em nossos pilares: artesanato, economia criativa, e empreendedorismo.
Qual a duração dos cursos e como eles são ministrados?
Ana Cristina: Depende do curso a ser realizado. O Curso de empreendedorismo e empregabilidade dura duas semanas. O Curso de Fuxico: Iniciante dura dois meses, o básico quatro meses e o avançado cerca de seis meses. E o Curso de Bonecas são quatro dias para cada modelo.
Onde os produtos e o artesanato do Instituto Acolher são vendidos?
Ana Cristina: Na loja colaborativa situada no Por do Sol, onde dispomos de artesanatos diversos; em duas feiras sendo uma em Brazlândia e outra na Feira da Guariroba e em feiras livres.
Quais as novidades do Instituto para 2022?
Ana Cristina: São muitas, vamos oferecer cursos diversos, destacando a técnica do uso de papel machê para confecções de bonecas. Para isto, estamos procurando parceiros para a construção de um galpão, onde serão realizados cursos de confecção de tapetes, xuxinhas e outros.
Perfil:
Ana Cristina Siqueira Campos da Silveira, presidente do Instituto Acolher, nasceu em Brasília. “Sou filha de uma mãe nordestina analfabeta, que criou seus sete filhos sozinha. Trabalho desde a adolescência”, destaca. Ana Cristina fez muitos cursos de capacitação. É artesã há mais de 20 anos, e feirante. Esteve à frente de comércios diversos, durante a juventude e a maturidade. Trabalhou durante 8,5 anos no Caeso Esportiva e Social – Clube da Caesb, na área administrativa. Foi secretária do Conselho de Segurança Pública (Conseg) Ceilândia por um mandato, onde desenvolveu um trabalho com as forças policiais e a comunidade. É Técnica Contábil e graduada em Gestão de Recursos Humanos pelo Centro Universitário Planalto do Distrito Federal (Uniplan).

























