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O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, realiza visita oficial a Brasília no dia 8 de julho, logo após a Cúpula do BRICS, a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A visita reforça o compromisso do Brasil em ampliar o diálogo político e aprofundar a cooperação com a Índia, parceira diplomática do país há quase 80 anos.

Desde 2006, Brasil e Índia mantêm parceria estratégica e compartilham posições convergentes em temas centrais da agenda multilateral, como combate à fome, reforma da governança global e desenvolvimento sustentável. A aproximação com a Índia também está alinhada à agenda de integração defendida pelo presidente Lula durante a 66ª Cúpula do MERCOSUL.

“É hora do MERCOSUL olhar para a Ásia, centro dinâmico da economia mundial. Nossa participação nas cadeias globais de valor se beneficiará de maior aproximação com Japão, China, Coreia, Índia, Vietnã e Indonésia”, afirmou Lula ao discursar na Cúpula.

BALANÇA COMERCIAL — A Índia é atualmente o décimo maior parceiro comercial do Brasil. Em 2024, o comércio bilateral totalizou US$ 12 bilhões, com crescimento de 24% nos cinco primeiros meses de 2025. As exportações brasileiras chegaram a US$ 5,26 bilhões, com destaque para açúcar, petróleo bruto, óleos e aviões. As importações somam US$ 6,8 bilhões, fazendo da Índia a sexta maior origem de importações para o Brasil.

INVESTIMENTOS – Dentre os investimentos indianos em nosso país destacam-se aqueles no setor de transmissão de energia, defensivos agrícolas e fabricação de veículos pesados. No sentido contrário, destacam-se investimentos brasileiros em setores como motores elétricos, terminais bancários e componentes de veículos pesados.

COMPLEMENTARIDADE – Em conversa com jornalistas na manhã desta sexta-feira, 4 de julho, a secretária de Ásia e Pacífico do Itamaraty, embaixadora Susan Kleebank, destacou a complementaridade entre os países. “Temos visões convergentes em grande parte da agenda multilateral. É uma agenda de complementaridade, não só de consenso, e semelhança em muitos aspectos”, pontuou.

ACORDOS — No dia 8 de julho, o primeiro-ministro será recebido pelo presidente Lula no Palácio da Alvorada. Estão previstas reunião bilateral, assinatura de atos e declaração conjunta à imprensa. Os acordos devem refletir a abrangência e o potencial da parceria estratégica entre Brasil e Índia, com foco em temas de alto valor agregado. As áreas envolvem desde segurança e agricultura até transformação digital e energia renovável — setores prioritários no diálogo entre as duas nações.

Entre os atos previstos estão:

» Acordo de Cooperação no combate ao terrorismo internacional e ao crime organizado transnacional

» Acordo sobre proteção de informações classificadas

» Memorando de Entendimento entre a Embrapa e o Conselho Indiano de Pesquisa Agrícola

» Acordo de Cooperação em energia renovável

» Memorando sobre soluções digitais de larga escala populacional

» Cooperação entre os Arquivos Nacionais do Brasil e da Índia

TECNOLOGIAS EMERGENTES – Há ainda expectativa de uma declaração conjunta sobre a Parceria Digital para o Futuro, com foco em infraestrutura pública digital, inteligência artificial, tecnologias emergentes e governança digital. A embaixadora Kleebank ressaltou a importância do diálogo para cooperação em áreas como defesa, agricultura, energia, biocombustíveis e saúde. “Entre os temas que possivelmente vão ser discutidos também destacam-se os desafios para a COP30, a reforma da governança global, segurança alimentar e nutricional, cibersegurança e o combate ao terrorismo”, afirmou.

Fonte: Planalto.

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