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Após quase duas décadas no mundo dos negócios e diversas viagens profissionais à China, a empreendedora sul-africana Beauty Sonny estava novamente em uma sala de aula, aprendendo a enxergar seu empreendimento sob uma nova perspectiva.

Na cerimônia de encerramento de uma oficina de empreendedorismo apoiada pela China, realizada em Joanesburgo na segunda-feira, Sonny descreveu o curso de duas semanas como um “MBA de 14 dias”.

“Achávamos que conhecíamos nossos negócios”, disse Sonny, diretora da Monenebe Maintenance and Projects, uma empresa de aluguel de equipamentos.

Ela disse que o curso apresentou ferramentas práticas, como o Business Model Canvas, que a ajudaram a identificar fragilidades em seu modelo de negócios e a repensar formas de tornar sua empresa mais sustentável.

Sonny integrou o grupo de 61 empreendedoras sul-africanas que concluíram a oficina de duas semanas, parte do Programa Global de Empoderamento de Empreendedoras, conduzida pela Universidade de Estudos Estrangeiros de Beijing (BFSU, na sigla em inglês). A iniciativa visa fortalecer as competências empreendedoras femininas por meio de educação empresarial e treinamento prático, promovendo a cooperação comercial.

Para outras participantes, as lições abordaram desafios que surgiram à medida que seus negócios cresciam. Anos atrás, Naomi Mashigo e seu marido abriram uma pequena loja em uma comunidade rural.

Desde então, o negócio cresceu e se tornou um supermercado que emprega 14 pessoas. Mas, para Mashigo, proprietária de uma pequena empresa, a expansão trouxe novos desafios, especialmente no que diz respeito à gestão financeira e de pessoal.

Ela disse que o treinamento ofereceu orientações práticas para enfrentar esses desafios, com tarefas que incentivavam os participantes a analisar seus próprios negócios, em vez de trabalhar apenas com casos hipotéticos.

O papel das pequenas empresas na geração de empregos também foi destacado pela primeira-dama da África do Sul, Tshepo Motsepe, que participou de um evento relacionado à oficina no dia 8 de outubro. Ela agradeceu à China por oferecer oportunidades de capacitação e incentivou os participantes a expandirem seus negócios, criarem mais postos de trabalho e contribuírem para suas comunidades.

Gui Bo, líder e instrutor do programa, explicou que a oficina se concentrou na análise de modelos de negócios e em inovação, ajudando os participantes a identificar fragilidades em suas operações atuais e a explorar formas de aprimorá-las.

A oficina também promoveu a interação entre os participantes e empresas chinesas que atuam na África do Sul. Segundo Gui, mais de uma dúzia de empreendedoras tiveram acesso a recursos empresariais chineses ou foram apresentados a possíveis soluções técnicas e de produtos.

Beverly Matoro, 46 anos, fundadora da Bev’s Kids Transport em Joanesburgo, opera três veículos que transportam mais de 60 crianças em idade escolar por dia.

Ela espera colaborar com empresas de tecnologia chinesas para desenvolver um aplicativo sob sua própria marca, o qual poderia, futuramente, ser oferecido a outros operadores de transporte escolar.

“Eu adoraria vendê-lo para outras pessoas que atuam no mesmo ramo que eu”, disse ela.

O reitor da BFSU, Jia Wenjian, disse que o programa buscou conectar o ensino de empreendedorismo às necessidades práticas dos negócios, ao mesmo tempo em que promoveu laços mais estreitos entre as comunidades chinesa e africana. Ele destacou que a universidade planeja aprofundar a cooperação com empresas, visando transformar o treinamento em crescimento de negócios e geração de empregos.

Para Sonny, que já estabeleceu laços comerciais com a China, as duas semanas de aprendizado também foram uma oportunidade para avaliar as possibilidades de ampliar a cooperação.

“O relacionamento não termina hoje”, disse ela, expressando a esperança de contar com o apoio contínuo de parceiros chineses para fortalecer a cooperação entre empresas na África do Sul.

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