Getting your Trinity Audio player ready...

Em um mundo cada vez mais globalizado, jovens engenheiros nepaleses estão recorrendo às ferramentas da era digital para preservar línguas, histórias e tradições que correm o risco de desaparecer. Essa foi a proposta central do Seeds for the Future 2025, programa realizado em parceria entre a UNESCO e a Huawei, que reuniu estudantes universitários do Nepal para alinhar inovação tecnológica e identidade cultural.

Um dos participantes é Adarsh Shrestha, estudante do último ano de Engenharia da Computação, que personifica o dilema vivido por muitos jovens. Embora domine linguagens de programação, ele lamenta não falar sua língua materna. “Sendo newar, sinto vergonha de dizer que não sei falar Newari. É triste, porque conhecer o idioma me permitiria uma conexão muito mais profunda com minha própria herança cultural”, afirma.

O contraste entre cidadania global e identidade local esteve no centro dos debates do programa. A edição de 2025 recebeu mais de 650 inscrições de estudantes de universidades de todo o país, dos quais 30 foram selecionados para uma etapa intensiva de formação técnica e intercâmbio cultural. Diferentemente do ano anterior, que abordou “Inteligência Artificial e Ética”, o tema desta edição foi “O uso da tecnologia para promover o multilinguismo e a diversidade cultural”.

Antes da fase internacional, os estudantes passaram por um rigoroso processo de seleção e por oficinas de capacitação em Katmandu. Um dos marcos foi o workshop promovido pela UNESCO em 9 de junho de 2025, no qual o representante da organização no Nepal, Jaco du Toit, apresentou o potencial da inteligência artificial na preservação do patrimônio imaterial, destacando a possibilidade de treinar sistemas de IA para reconhecer e gerar línguas locais. Durante as discussões, os participantes identificaram um desafio central: a escassez de dados. Sem plataformas de coleta de informações em nível comunitário, sistemas de IA e chatbots tendem a permanecer incompletos e enviesados.

Após entrevistas que avaliaram liderança, resiliência e compromisso social, cinco estudantes — Adarsh Shrestha, Manjila Pandey, Dinanath Padhya, Apala Timalsina e Stuti Dhungana — foram selecionados para representar o Nepal em um campo de imersão de 10 dias em Shenzhen e Dongguan, na China. Nesta edição, o programa abandonou o enfoque competitivo e passou a priorizar o empreendedorismo social, com treinamentos em inteligência artificial, computação em nuvem, tecnologia 5G e energia digital, além de mesas-redondas sobre governança inteligente e empoderamento comunitário.

Para Manjila Pandey, pesquisadora do IOE Pulchowk Campus, a experiência redefiniu o papel da tecnologia. Foi nesse contexto que ela desenvolveu o conceito do “Nepal Herau”, um aplicativo interativo de realidade aumentada que transforma o país em um museu digital a céu aberto. A proposta é permitir que usuários visitem sítios históricos e sejam transportados virtualmente para períodos anteriores aos terremotos, visualizando templos em sua forma original. O projeto também prevê o uso de vídeo volumétrico para recriar festivais como o Indra Jatra, além de funcionar como um dicionário digital: ao escanear artefatos, o usuário teria acesso a narrativas orais em línguas indígenas, geradas por IA.

Outro participante, Dinanath Padhya, do Instituto de Engenharia do Campus Thapathali, apresentou uma solução voltada à inclusão social: uma luva tradutora de linguagem de sinais, capaz de converter gestos em voz para auxiliar pessoas surdas ou com deficiência auditiva. “O Seeds for the Future me ensinou que inovação não é apenas criar novos sistemas, mas resolver problemas reais enfrentados pelas pessoas”, afirma.

O programa também incentivou a colaboração entre os jovens. Apala Timalsina destaca que o interesse comum pelo impacto cultural facilitou a troca de ideias e abriu espaço para parcerias futuras entre participantes, unindo competências técnicas em projetos voltados ao multilinguismo.

Para esses jovens inovadores, o conceito de sucesso deixou de se limitar à inserção no mercado global de tecnologia. Como resume Stuti Dhungana, estudante de Engenharia da Computação do Kathmandu Engineering College: “Não estamos apenas preservando palavras, mas nosso orgulho e nossa cultura. Hoje me sinto mais responsável e acredito que devo contribuir com a comunidade de forma mais significativa e inclusiva”.

Segundo Ashit Adhikari, diretor de Assuntos Públicos e Corporativos da Huawei Nepal, a iniciativa reforça o compromisso da empresa com o desenvolvimento digital do país. “A Huawei contribui há décadas para o avanço digital do Nepal, fortalecendo a conectividade e capacitando talentos locais. Com o Seeds for the Future 2025, em parceria com a UNESCO, buscamos empoderar a juventude nepalesa para liderar o futuro digital do país”, conclui.

Fonte: UNESCO.

Compartilhar.
Translate »