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A Embaixada da Suíça no Brasil celebrou, no dia 8 de julho, sua Data Nacional com uma elegante recepção na residência oficial do embaixador Pietro Lazzeri, em Brasília. O evento reuniu autoridades do governo brasileiro, representantes do corpo diplomático, lideranças empresariais, acadêmicos e convidados da sociedade civil.
Este ano, a celebração ganhou um significado especial. Além de homenagear o Pacto Federal de 1291 — marco da fundação da Confederação Helvética — a noite destacou o compromisso da Suíça com a sustentabilidade global e sua participação ativa na preparação da COP30, que será realizada em novembro, em Belém do Pará.
Sob o lema do programa Road to Belém, a Suíça reafirma seu empenho em colaborar, de forma concreta e multissetorial, com o Brasil na construção de soluções inovadoras, sustentáveis e inclusivas. A iniciativa engloba uma série de eventos, parcerias e projetos nos dois países, com destaque para a exposição itinerante “O Legado Suíço-Brasileiro na Amazônia: Arte, Ciência e Sustentabilidade”, que passará por Manaus antes de chegar a Belém.
Em seu discurso de despedida após quatro anos de missão no Brasil, o embaixador Pietro Lazzeri expressou gratidão e emoção. “As relações bilaterais entre Suíça e Brasil atravessam um momento de renovada vitalidade. Avançamos em todas as frentes: política, economia, ciência, tecnologia, meio ambiente e cultura”, afirmou. Ele também destacou que a Suíça é hoje o terceiro maior investidor estrangeiro no Brasil.
Outro ponto de destaque na cerimônia foi a celebração do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), da qual a Suíça faz parte. O embaixador classificou o acordo como um “marco estratégico” e ressaltou que, em tempos de incertezas globais, o pacto representa um compromisso com um comércio internacional baseado em regras, valores e previsibilidade.
Representando o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, a secretária para a Europa e América do Norte, embaixadora Maria Luísa Escorel de Moraes, exaltou os valores suíços de diversidade, neutralidade, liberdade e convivência pacífica. “A história da Suíça é exemplo eloquente de como a pluralidade, quando orientada por valores democráticos e respeito mútuo, pode ser fonte de estabilidade e força coletiva”, afirmou.
A embaixadora também relembrou a chegada dos primeiros imigrantes suíços ao Brasil, em 1819, com a fundação de Nova Friburgo — cidade reconhecida por lei federal como a “Suíça brasileira” — e destacou a contribuição significativa da comunidade brasileira residente na Suíça, atualmente estimada em cerca de 60 mil pessoas.
O ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, Ricardo Lewandowski, também discursou, destacando a relevância do modelo suíço para os estudiosos do direito e das instituições democráticas. Enfatizou ainda a importância do multilateralismo, da cooperação internacional e da justiça como caminhos essenciais para enfrentar desafios globais como as mudanças climáticas, os conflitos armados e a pobreza. “A Suíça é referência histórica em acolhimento, diplomacia e promoção dos princípios da Carta das Nações Unidas”, declarou.
Lewandowski ressaltou a expressiva presença suíça na economia brasileira, com mais de 600 empresas instaladas no país e cerca de 85 mil empregos gerados. Segundo o ministro, os fluxos comerciais tendem a crescer ainda mais com o novo acordo Mercosul–EFTA. “Trata-se de um gesto de confiança no futuro, no direito internacional e no comércio justo”, pontuou.
O evento simbolizou a convergência de valores, interesses e propósitos entre Suíça e Brasil — duas nações que, apesar da distância geográfica, compartilham a aspiração comum de construir um mundo mais justo, sustentável e solidário. A realização da COP30 em território amazônico representa, nesse contexto, um chamado à ação e uma oportunidade para estreitar ainda mais os laços entre os dois países.
A noite foi cuidadosamente pensada para refletir a união entre culturas, saberes e territórios. O chef paraense Saulo Jennings guiou os convidados por uma experiência gastronômica inspirada na Amazônia, enquanto a cantora Emília Monteiro encantou com ritmos tradicionais da região, como carimbó e brega. A arte indígena também esteve presente com obras do povo Mehinaku, oriundo do Xingu, destacando a diversidade e a riqueza cultural da floresta brasileira.


