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Em uma noite que uniu a solenidade diplomática à emoção das memórias recentes, a Embaixada de Israel no Brasil celebrou o septuagésimo oitavo aniversário de independência do Estado de Israel (Yom Ha’atzmaut). O evento, realizado na Residência Oficial do Embaixador, em Brasília, reuniu parlamentares, lideranças da comunidade judaica e membros do corpo diplomático sob o tema Kochot HaHithadshut — as Forças da Renovação.

A abertura da cerimônia trouxe um toque de descontração e modernidade com a condução do ilusionista e mentalista Rudi Solon, que atuou como mestre de cerimônias. Em sua introdução, Solon destacou o pioneirismo de Israel não apenas na ciência e na tecnologia, mas também nas artes contemporâneas, antes de dar início aos protocolos oficiais.

Acordes de Esperança e Memória

Seguindo a tradição, a noite começou com a execução dos hinos nacionais do Brasil e de Israel (Hatikvah — “A Esperança”), interpretados por um grupo de câmara composto pelos violinistas Cássio D’Alla Chiesa e Thiago Francis, o clarinetista Guilherme Bose, o violoncelista Frank Júnior e o pianista Vitor Hugo.

O conjunto musical também guiou os convidados por uma jornada cultural através de seis peças emblemáticas da alma israelense, incluindo a célebre Yerushalayim Shel Zahav (“Jerusalém de Ouro”), composta por Naomi Shemer em 1967, e Hallelujah, canção vitoriosa no festival Eurovision de 1979.

O Elo Histórico com o Brasil

O ponto alto da celebração foi o discurso da Encarregada de Negócios de Israel no Brasil, Rasha Athamni. Em sua fala, a diplomata saudou autoridades presentes, como os deputados e senadores que presidem as frentes e grupos parlamentares de amizade entre os dois países, e relembrou o papel fundamental do estadista brasileiro Oswaldo Aranha na aprovação da Resolução 181 da ONU, em 1947, que abriu caminho para a criação do Estado judeu.

“A amizade entre os povos é a mais lenta das instituições humanas para ser construída, e a mais difícil de ser destruída”, afirmou Athamni, destacando que o Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer o Estado de Israel, em 1949.

A diplomata também evocou as raízes profundas dessa ligação, citando a sinagoga Kahal Zur Israel, em Recife — a primeira das Américas, fundada em 1636 —, como símbolo de um laço secular que “sobreviverá a qualquer período de dificuldade entre nossas nações”.

Renovação e Soberania

Ao abordar o tema central do aniversário, Kochot HaHithadshut, Rasha Athamni trouxe um relato tocante sobre a reconstrução das comunidades atingidas pelos conflitos recentes no sul de Israel, mencionando o retorno das famílias aos kibutzim e a retomada das atividades escolares e agrícolas.

A Encarregada de Negócios fez alusão ao encerramento de um ciclo doloroso para o país, informando o retorno dos reféns e o sepultamento do último deles no deserto do Neguev, em janeiro de 2026. Em tom firme, a diplomata defendeu o direito de soberania e a obrigação do Estado em proteger sua população diante das complexidades geopolíticas reais e de suas fronteiras.

O evento foi encerrado com um brinde tradicional (L’chaim — “À vida”) e um voto de esperança para o futuro. “Quando nos reunirmos aqui no próximo ano, no septuagésimo nono Yom Ha’atzmaut, que possamos falar destes dias apenas no passado e que a amizade entre Israel e o povo brasileiro seja ainda mais profunda”, concluiu Athamni, sob o eco da histórica expressão Am Yisrael Chai (O povo de Israel vive).

*É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

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