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Na última semana, a União Europeia e a República do Quirguistão realizaram seu 14º Diálogo sobre Direitos Humanos. Este Diálogo, o primeiro desde a assinatura do Acordo de Parceria e Cooperação Reforçada (EPCA) bilateral em 25 de junho de 2024, foi uma oportunidade importante para relembrar o compromisso da UE e da República do Quirguistão de fortalecer sua cooperação em direitos humanos, liberdades fundamentais, estado de direito e sociedade civil.
Ambas as partes discutiram em detalhes os desenvolvimentos relacionados aos direitos humanos e à boa governança na República do Quirguistão e na UE, incluindo as reformas políticas e legislativas em andamento e sua implementação.
A UE enfatizou a importância de um judiciário forte e independente com freios e contrapesos robustos e para que as iniciativas legislativas estejam totalmente alinhadas com os padrões internacionais. Além disso, a UE encorajou o lado quirguiz a garantir que as iniciativas que afetam os direitos humanos sejam desenvolvidas por meio de um diálogo inclusivo com a sociedade civil. Os dois lados também discutiram o empoderamento de instituições nacionais independentes de direitos humanos, incluindo o gabinete do Ombudsman.
Durante o Diálogo, a UE levantou questões relacionadas à liberdade de expressão, da mídia, de reunião e associação, e expressou sua preocupação em relação ao espaço cada vez menor para a sociedade civil na República do Quirguistão, inclusive em relação à lei “Representantes Estrangeiros” adotada em abril de 2024. A UE enfatizou o valor das organizações da sociedade civil e da mídia livre como contribuintes para a resiliência social, prosperidade e estabilidade de uma sociedade democrática. A UE também levantou vários casos individuais durante o diálogo, incluindo a recente decisão judicial no caso dos onze jornalistas do meio de comunicação investigativo Temirov Live, e o fechamento do meio de comunicação independente Kloop.
A UE acolheu emendas a vários atos legislativos para aumentar a proteção contra a violência doméstica, sexual e de gênero, e o castigo corporal de crianças em todos os cenários. Foi discutida a importância de uma legislação abrangente que cubra todas as formas de discriminação e aborde a violência de gênero.
A UE enfatizou a necessidade de fortalecer os direitos trabalhistas, incluindo o pleno respeito aos direitos de organização dos trabalhadores e empregadores, trabalho forçado, trabalho infantil, não discriminação e inspeções trabalhistas plenamente funcionais.
Os dois lados discutiram a cooperação em fóruns internacionais de direitos humanos, e a UE acolheu a cooperação crescente e construtiva no Conselho de Direitos Humanos da ONU. A República do Quirguistão enfatizou seu comprometimento em respeitar seus compromissos internacionais, inclusive no contexto de sua Revisão Periódica Universal em 2025.
O Diálogo sobre Direitos Humanos foi conduzido em conjunto com uma missão de monitoramento da UE sobre os compromissos que a República do Quirguistão assumiu para a implementação efetiva de 27 convenções internacionais sobre direitos humanos, direitos trabalhistas, boa governança e meio ambiente e clima, no âmbito do Acordo de Incentivo Especial para o Desenvolvimento Sustentável do Sistema de Preferências Generalizadas da UE.(SPG+).
A missão de monitoramento da UE conduziu consultas com a sociedade civil, parceiros sociais e agências da ONU no local, e manteve discussões dedicadas com autoridades quirguizes. Os resultados do monitoramento do SGP+ serão refletidos no próximo relatório da Comissão Europeia sobre a implementação do SGP. Como beneficiária do SGP+, a República Quirguiz se beneficia do acesso ao mercado livre de tarifas para a UE para mais de 6.000 categorias de bens.
O Diálogo sobre Direitos Humanos foi presidido pelo lado da UE por Dietmar Krissler, Chefe de Divisão do SEAE para a Ásia Central, e por Aibek Moldogaziev, Vice-Ministro das Relações Exteriores da República do Quirguistão.
Fonte: SEAE – União Europeia.


