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A secretária de Estado para Assuntos Externos, da Commonwealth e do Desenvolvimento do Reino Unido, Yvette Cooper, afirmou que as conclusões do mais recente relatório da Organização das Nações Unidas sobre a situação na cidade sudanesa de El Fasher revelam um cenário de atrocidades “verdadeiramente horríveis” durante o cerco conduzido pelas Forças de Apoio Rápido (RSF).

Segundo a declaração, o documento reúne evidências de fome sistemática, tortura, assassinatos, estupros e perseguição étnica deliberada em larga escala. Cooper destacou que o governo britânico solicitou a criação da missão de apuração dos fatos ainda em novembro, com o objetivo de responsabilizar os autores das violações.

O relatório descreve episódios extremos enfrentados pela população civil. Entre os relatos, estão pessoas forçadas a escolher entre morrer de fome ou consumir ração animal, denúncias de estupro coletivo de crianças, civis emboscados ao tentar fugir da cidade sitiada e assassinatos de pacientes e profissionais de saúde dentro de hospitais. O documento também aponta que perpetradores teriam celebrado crimes nas redes sociais e incitado o “extermínio”.

Diante das conclusões, Cooper afirmou que levará o tema ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e que pretende garantir que as vozes das mulheres sudanesas sejam ouvidas pela comunidade internacional. A secretária defendeu investigações criminais internacionais urgentes e pediu o fim do fluxo de armas para a região, ressaltando que denúncias de violações ao embargo precisam ser investigadas e que a ONU deve ter acesso irrestrito às áreas afetadas.

O Reino Unido anunciou sanções contra quatro comandantes seniores das RSF acusados de envolvimento nas atrocidades e informou que se uniu aos Estados Unidos e à França para propor que esses líderes também sejam formalmente designados pela ONU.

Para Cooper, a resposta internacional precisa incluir pressão global por cessar-fogo, acesso humanitário e apoio às vítimas. “O mundo continua a falhar com o povo do Sudão”, afirmou, acrescentando que, durante a presidência britânica do Conselho de Segurança, o país buscará garantir que a situação em El Fasher não seja ignorada e que haja avanços rumo à justiça, responsabilização e paz.

*Com informações do Ministério das Relações Exteriores, da Commonwealth e do Desenvolvimento  do Reino Unido.
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