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O alto e sereno presidente do Cazaquistão entrou na sala com calma confiante, cumprimentando cada pessoa com um aperto de mão caloroso antes de nos sentarmos. Desde o primeiro momento, Kassym-Jomart Tokayev demonstrou a desenvoltura de um estadista experiente e a segurança de quem ajudou a moldar uma nação moderna.
Frequentemente apontado como um dos arquitetos do Cazaquistão contemporâneo, Tokayev é conhecido por promover o conceito de “Estado que escuta” — uma filosofia de governação baseada em ouvir a população e transformar desafios em reformas e soluções práticas. A entrevista exclusiva, realizada face a face com um correspondente, ocorreu na quarta-feira, em um hotel de Islamabad.
Entre as repúblicas da Ásia Central, o Cazaquistão destaca-se como um dos países mais influentes e estrategicamente relevantes. Poliglota, o presidente é fluente em chinês, russo, inglês, francês e outros idiomas, reflexo de uma longa carreira diplomática e de uma visão global. Logo no início da conversa, Tokayev mencionou o recente encontro com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif, elogiando o líder paquistanês e estabelecendo um tom de cordialidade e respeito mútuo.
Pergunta: Como avalia as relações entre o Paquistão e o Cazaquistão, especialmente quanto às expectativas, realidades e perspectivas de cooperação comercial e de investimento?
Resposta: O Cazaquistão considera o Paquistão um país amigo e parceiro estratégico que conquistou o respeito da comunidade internacional. Desde o estabelecimento de relações diplomáticas, em 1992, trabalhamos conjuntamente em diversas iniciativas de interesse comum e mantemos cooperação ativa em organizações como a SCO, a OIC e a CICA, contribuindo para a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável.
Minha primeira visita de Estado ao Paquistão teve como objetivo ampliar a parceria e abrir um novo capítulo nas relações bilaterais. Governos e empresas assinaram mais de 60 documentos, impulsionando a cooperação em transporte e logística, agricultura, indústria, saúde, educação e outros setores. Há amplas oportunidades para joint ventures e projetos mutuamente benéficos, com prioridade para a expansão do comércio bilateral.
Pergunta: Qual é a principal direção da cooperação bilateral?
Resposta: A cooperação econômica e a conectividade regional são pilares centrais. Nosso objetivo é transformar a boa vontade política em resultados econômicos concretos, por meio da expansão do comércio, do investimento e dos laços entre os povos.
Pergunta: Qual a importância da conectividade na agenda conjunta?
Resposta: Trata-se de uma prioridade. O Cazaquistão está pronto para participar do desenvolvimento do corredor Cazaquistão–Turcomenistão–Afeganistão–Paquistão, considerado estrategicamente vital para a integração regional e o acesso aos mercados do Sul da Ásia. Contamos com a participação ativa de todas as partes para garantir a implementação bem-sucedida das iniciativas de transporte e trânsito.
Pergunta: Como avalia a situação atual dos Estados Unidos e as políticas internas do presidente Donald Trump?
Resposta: O presidente Trump é um líder forte e visionário que prioriza os interesses nacionais. Isso se reflete no desempenho econômico dos EUA e nas reformas em curso. Sou defensor da ênfase em políticas pragmáticas e na restauração da lei e da ordem — princípio que também orienta o Cazaquistão.
Pergunta: Por que aderir aos Acordos de Abraão?
Resposta: O Cazaquistão está comprometido com a paz, a estabilidade e o diálogo internacional. A adesão reafirma a diplomacia como instrumento essencial para resolver diferenças e promover estabilidade regional. Mantemos excelentes relações com Israel e apoiamos consistentemente uma solução de dois Estados para a questão palestina. A participação também fortalece a atração de investimentos e tecnologias, contribuindo para a aproximação entre diferentes comunidades religiosas.
Pergunta: O Conselho da Paz, assinado em Davos, é uma alternativa à ONU?
Resposta: Trata-se de uma iniciativa complementar, destinada a produzir resultados rápidos e eficazes. O objetivo é reforçar a paz global por meio de mecanismos pragmáticos de resolução de conflitos.
Pergunta: Um plano de paz duradouro para Gaza é possível?
Resposta: Sem vontade política genuína para uma solução de dois Estados, nenhum plano será sustentável. Este continua sendo o único caminho viável para romper o ciclo de violência.
Pergunta: O Cazaquistão poderia mediar o conflito Rússia-Ucrânia?
Resposta: Defendemos uma solução política e diplomática. Não buscamos o papel de mediador, mas estamos prontos para oferecer bons ofícios e uma plataforma neutra para negociações.
Pergunta: Uma tomada militar da Groenlândia é plausível?
Resposta: Qualquer decisão deve respeitar o direito internacional e a soberania. Arranjos como acordos de arrendamento de longo prazo poderiam ser considerados dentro desse marco jurídico.
Pergunta: Qual é a essência das emendas constitucionais?
Resposta: O país passa por profunda modernização política, com a transição de um sistema superpresidencialista para uma república presidencial com freios e contrapesos mais sólidos. Direitos humanos, unidade nacional e harmonia inter-religiosa são prioridades centrais.
Pergunta: Qual o caminho de desenvolvimento para o futuro?
Resposta: Buscamos um Cazaquistão justo, seguro e progressista. O PIB ultrapassou US$ 300 bilhões, e a renda per capita atingiu níveis históricos. Pretendemos construir uma economia diversificada, digital e competitiva, posicionando o país como centro de trânsito eurasiático e polo tecnológico.
Fonte: Embaixada do Cazaquistão no Brasil.


