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Uma minoria significativa de pessoas venezuelanas que vivem fora de seu país na América Latina e no Caribe consideraria retornar para casa se as condições socioeconômicas e outras melhorassem, de acordo com uma pesquisa da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
A pesquisa (disponível em inglês) mostra que os venezuelanos na região estão começando a considerar a possibilidade de retorno, mas também destaca os fatores complexos que influenciam as intenções de retorno em meio aos desafios regionais contínuos de deslocamento.
Pouco mais de um terço das pessoas entrevistadas na região indicou uma possível intenção de retornar para casa, com 9% considerando o retorno dentro de um ano. A principal motivação citada foi a reunificação familiar.
Ainda assim, quase dois terços não pretendem retornar atualmente. O desejo de se reconectar com parentes na Venezuela é condicionado por fatores socioeconômicos e políticos, incluindo a recuperação do mercado de trabalho, segurança e disponibilidade de serviços essenciais confiáveis.
Com relação aos dados coletados no Brasil, um número ainda maior (70%) dos venezuelanos acolhidos no país mencionou que pretende permanecer no país neste momento, enquanto 30% pretendem retornar em condições melhores, incluindo 5% que pretendem retornar ao país de origem nos próximos 12 meses.
Milhões de venezuelanos estão reconstruindo suas vidas e contribuindo para o desenvolvimento das comunidades anfitriãs. Algumas das pessoas entrevistadas relataram que a melhoria na segurança, no emprego e nos serviços essenciais em seus países de acolhimento também influenciaram suas decisões sobre a permanência. No entanto, os serviços nacionais continuam sob pressão, e alguns dos entrevistados citaram os desafios socioeconômicos persistentes em alguns países de acolhimento como razões para considerar o retorno.
Quase 60% dos entrevistados identificaram a falta de informações confiáveis sobre o que esperar ao retornar como uma barreira, juntamente com a incerteza sobre como o retorno poderia afetar seu status legal nos países de acolhimento.
O ACNUR enfatiza que o retorno deve ser sempre voluntário, seguro e digno, acompanhado do máximo de informações possível sobre as implicações de qualquer mudança. Estamos comprometidos em continuar apoiando a inclusão socioeconômica nos países de acolhimento, bem como os retornos voluntários à Venezuela, conforme o financiamento permitir.
Em novembro de 2025, 6,9 milhões de pessoas refugiadas e migrantes venezuelanas estavam acolhidos na América Latina e no Caribe, incluindo 4 milhões que necessitavam de assistência. Em 2026, o ACNUR necessita de um total de US$ 328,2 milhões para continuar apoiando as necessidades dos venezuelanos na região e na Venezuela. No final de março, esse valor era de 12% financiado.
Entre janeiro e março de 2026, o ACNUR entrevistou 1.288 venezuelanos no Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guatemala e Peru sobre suas intenções de retornar ao seu país de origem nos próximos 12 meses a cinco anos.
O monitoramento da proteção realizado pelo ACNUR já havia indicado um aumento nas intenções de retorno antes de 2026, com o monitoramento dentro da Venezuela mostrando que a maioria (80%) daqueles que retornaram planejavam ficar. Nesse contexto, a pesquisa é fundamental para melhor compreender a evolução das intenções e para orientar o engajamento do ACNUR com parceiros e governos.
Dependendo dos recursos disponíveis, o ACNUR planeja continuar monitorando regularmente as intenções de retorno entre os venezuelanos para antecipar as tendências populacionais emergentes e orientar nossa resposta.
Fonte: ACNUR


