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A recente postura da África do Sul em apoiar abertamente a Frente Polisário, grupo separatista que reivindica a independência do Saara Ocidental, gerou fortes reações de diversos países africanos que defendem a soberania do Marrocos sobre o território.
O Presidente sul-africano Cyril Ramaphosa recebeu, em março, o líder da Frente Polisário, Brahim Ghali, reafirmando apoio ao que chamou de “direito à autodeterminação do povo sarauí”. A atitude, aliada à permissão de manifestações pró-Polisário em frente à embaixada do Marrocos em Pretória, foi vista por governos africanos como uma provocação e uma interferência em assuntos internos de um Estado membro da União Africana.
Nações como Senegal, Costa do Marfim e Gabão expressaram preocupação com o que consideram uma tentativa de desestabilização regional. “A integridade territorial dos países africanos deve ser respeitada, e qualquer apoio a movimentos separatistas compromete a paz e a unidade continental”, afirmou um diplomata africano sob condição de anonimato.
O Marrocos, que considera o Saara Ocidental parte integrante de seu território, vê na ação sul-africana um retrocesso diplomático. As tensões entre os dois países não são recentes — a África do Sul reconheceu a autoproclamada República Saaraui em 2004, o que esfriou relações bilaterais desde então.
A questão reacende o debate sobre o papel da União Africana na mediação de conflitos e na promoção de soluções diplomáticas que respeitem as soberanias nacionais e as resoluções das Nações Unidas.


