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A embaixada da Austrália no Brasil, sediou, na noite de quinta-feira (10), uma conversa sobre discriminação e violência de gênero no ambiente de trabalho, com a presença da Embaixadora australiana para equidade de gênero, Stephanie Copus Campbell; da Juíza assistente na Corte Militar Superior, Bárbara Lívio e da Representante Interna da ONU Mulheres, Ana Carolina Querino, mediada pela jornalista da CNN Brasil, Luísa Roig Martins.
A Embaixadora da Austrália no Brasil, Sophie Davies, em breves palavras ressaltou a importância da discussão, destacando os problemas reais que o público feminino enfrenta na vida cotidiana e, principalmente, dentro do ambiente de trabalho.
A violência de gênero no meio ambiente de trabalho é uma demonstração de violação dos direitos humanos, que se manifesta de diversas formas, tais como o assédio sexual, moral, psicológico, agressões físicas, discriminação comportamental, segregação ocupacional e violência econômica de gênero.
A mediadora da discussão e jornalista da CNN Brasil, Luísa Roig Martins, explicou que a violência baseada no gênero significa violência e assédio dirigido a pessoas devido ao seu sexo ou gênero, que afeta desproporcionalmente pessoas de um determinado sexo, incluindo também o assédio sexual.
Como enfatizado pela Jornalista, a violência de gênero resulta em uma série de problema a curto, médio e longo prazo, gerando, para além dos danos psicológicos e físicos evidentes, danos sexuais e também econômicos.
A Embaixadora australiana para equidade de gênero, Stephanie Copus Campbell, iniciou sua fala com uma reflexão: em casos de discriminação e violência de gênero no ambiente de trabalho, você encontra uma situação onde uma determinada pessoa possui total controle e domínio sobre a vida da vítima. Ela se encontra em uma posição onde pode decidir sobre a vida alheia, criando uma situação de abuso de poder.
Reforçou também a necessidade da criação de políticas e regulamentação para mitigar essas questões, destacando que a liderança cultural é uma forma de o fazer. “Lembro-me que quando trabalhava no setor privado na Papua Nova Guiné, realizávamos auditorias de segurança de gênero, onde analisávamos aspectos de como manter as pessoas seguras no local de trabalho a partir de uma perspectiva de gênero”.
Campbell contou que ao fazer isso, percebeu que a maioria das mulheres havia sofrido algum tipo de abuso no local de trabalho. “Mulheres que trabalham como empregadas de cozinha ou como faxineiras, 100% delas tinham sofrido abusos, e, novamente, isso mostra esse diferencial de poder”, disse.
Segundo a Embaixadora para igualdade de gênero, outra coisa muito importante neste tópico, são as normas sociais, mais uma vez, que são a causa raiz desta violência, que rege a todos nós, e isso vem particularmente no local de trabalho. Meninas e meninos são, ainda nos tempos atuais, criados para seguir padrões muito diferentes e, no ambiente de trabalho, o esperado é que os homens, ao invés das mulheres, assumam o comando. E esse padrão precisa ser transformado na sociedade.
Bárbara Lívio, Juíza assistente na Corte Militar Superior, falou sobre o livro de Rosseou, que exemplifica como um homem e uma mulher devem agir. “Nesse livro chamado Envidio, ou Educação, ele escreveu sobre como um homem deveria ser. Mas agora, tantos anos depois, ainda estamos nesse caminho. Espera-se que as mulheres estejam em casa, preparadas, para responder e nunca reclamar”.
Lívio sublinhou que o esperado para uma mulher que defende outra mulher é o fazer sem pagamento, pois se trata de uma vocação, o que já não acontece com o homem qualquer seja sua competência de trabalho, ele deve ser remunerado. “Nossa estrutura por si só, sempre faz discriminação no local de trabalho, nos dando todo o trabalho sobre cuidado e sobre salário”.
A Representante Interina da ONU Mulheres, Ana Carolina Querino, abordou que a violência de gênero no ambiente de trabalho acontece independente de qual seja a posição ou competência da mulher. “Se você é mulher e é a líder da organização, você também pode enfrentar diversos tipos de violência por parte de seus subordinados”.
Segundo Querino, o simples fato de ser mulher, abre caminho para o assédio, para a violência e para o não reconhecimento do seu verdadeiro papel, além da violência psicológica, capaz de destruir qualquer pessoa.
Lembrou que, na maioria das vezes, as mulheres enfrentam violência não só no próprio local de trabalho, mas também no transporte, ao sair para trabalhar, por exemplo. “Nesse tipo de situação, também enfrentamos os efeitos das relações de poder de gênero, porque estamos expostas a agressões sexuais, e a diversos tipos de assédio, e isso afeta a forma como essa mulher vai chegar ao trabalho, e suas condições de exercer suas funções”.
O evento promovido pela Embaixada da Austrália destaca a necessidade urgente na promoção e na conscientização sobre o tema, educando tanto os trabalhadores como os empregadores sobre a importância de combater a violência contra as mulheres, para que o ambiente de trabalho se torne um local seguro e acolhedor para todos, independentemente do gênero.


