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Os bioinsumos proporcionam soluções concretas aos desafios da agricultura, de modo que é hora de criar as condições para que cheguem de forma massiva aos produtores e se consolidem como uma verdadeira ferramenta para a transformação dos sistemas agroalimentares.

Essa foi a mensagem da abertura do IV Foro Pan-Americano de Bioinsumos, um evento de alto nível que reúne 40 conferencistas e 65 representantes de instituições e empresas de mais de 20 países para discutir caminhos direcionados a acelerar a inovação tecnológica e sua adoção por parte dos produtores.

O encontro acontece na sede central do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), em São José, e é organizado pelo organismo juntamente com o Ministério da Agricultura e Pecuária da Costa Rica, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Conselho Agropecuário Centro-Americano (CAC), a Parceria Biodiversity-CIAT, o CGIAR e a Plataforma Hemisférica de Bioinsumos.

Os bioinsumos são produtos de origem biológica sobre cuja eficácia na agricultura há cada vez mais evidências científicas e que já estão gerando benefícios concretos aos produtores em áreas como saúde dos solos, resiliência e gestão das pragas e doenças.

O encontro tem a finalidade de aprofundar o diálogo e a cooperação entre países, produtores, pesquisadores e organismos financeiros que começaram em 2023, no Panamá, com o Primeiro Foro Pan-Americano de Bioinsumos.

No ato de abertura, diante de cerca de 320 pessoas que participam de maneira presencial, enfatizou-se que, embora os bioinsumos estejam cada vez mais consolidados como uma agenda estratégica para as Américas, ainda há muito trabalho a ser feito. São múltiplos os desafios a serem resolvidos para assegurar que a inovação alcance todas as zonas rurais e melhore a produtividade e a qualidade de vida dos agricultores.

O Subdiretor Geral do IICA, Lloyd Day; o Vice-Ministro da Agricultura e Pecuária da Costa Rica, Fernando Vargas; e a referência mundial em bioinsumos agrícolas, empreendimento e inovação Pam Marrone, Presidente e cofundadora da Invasive Species Corporation, foram os oradores da abertura.

O foro tem conferências magnas, blocos temáticos, painéis e espaços de coworking estruturados em quatro blocos que discutem os seguintes temas: produtividade, capacidades e investimento para expandir os bioinsumos; desafios para o desenvolvimento das tecnologias emergentes que compõem uma nova fronteira biológica; rotas reais para desenvolver, escalar e chegar aos mercados; e evidência, gestão integrada e adoção no campo.

Evidência científica e comunicação transparente

Lloyd Day observou que o principal desafio que a agenda dos bioinsumos enfrenta hoje é construir confiança, uma vez que o desenvolvimento de novas tecnologias não garante a sua adoção por parte dos agricultores.

“Um produto registrado não é necessariamente adotado. Os agricultores devem saber se ele funciona em suas condições de produção e se gera um benefício econômico concreto. Por isso, para que a adoção avance, precisamos de sólidas evidências científicas e de uma comunicação transparente sobre os benefícios e as limitações de cada produto”, afirmou.

O Subdiretor Geral do IICA explicou que o organismo trabalha nas Américas mediante a cooperação técnica para apoiar estratégias nacionais e regionais de bioinsumos, conectar capacidades muitas vezes dispersas e transformá-las em soluções coletivas.

O Vice-Ministro Vargas afirmou que os bioinsumos já não são um segmento periférico da inovação agrícola, mas fazem parte das respostas concretas que nossos países e produtores têm perante desafios que não podem esperar.

No Foro, Vargas realizou o lançamento oficial da primeira Estratégia Nacional de Bioinsumos da Costa Rica, com a qual o país centro-americano se propõe não apenas ser usuário de bioinsumos, mas fortalecer suas capacidades de pesquisa, produção, regulamentação e expansão.

Pam Marrone revelou que o investimento global em bioinsumos chega hoje a 8 bilhões de dólares, o que supera de três a cinco vezes o valor investido em insumos químicos.

“Os produtores já estão comprovando o valor dos bioinsumos. Ainda assim, de acordo com pesquisas globais, entre 40% e 50% ainda não entendem como usar os produtores biológicos, o que assinala que devemos continuar com a educação”.

Marrone também fez uma exposição magna sobre como transformar um conhecimento biológico em uma inovação de mercado ampliável e disponível para produtores.

A especialista sustentou que os produtores químicos precisam de uma média de 307 milhões de dólares e 12 anos de pesquisa para chegar ao mercado, enquanto os biológicos levam menos de 5 anos e menos de 10 milhões. “Ainda é um ótimo momento para começar um negócio ou uma empresa, pois o mundo quer e precisa de mais produtos biológicos”, concluiu.

Além disso, no início do Foro, o Especialista em Ciência, Tecnologia e Inovação do IICA, Harold Gamboa, apresentou os principais avanços da Plataforma Hemisférica de Bioinsumos, uma iniciativa que articula países, instituições, academia, empresas e organismos de cooperação para promover o desenvolvimento e a adoção dessas tecnologias nas Américas. Ele destacou o trabalho realizado na geração de conhecimento, fortalecimento de capacidades, articulação regulatória e promoção de iniciativas de cooperação regional visando acelerar a disseminação dos bioinsumos.

O IICA exerce a secretaria executiva dessa rede, que reúne diversos atores da região para promover o crescimento da indústria e seu uso na agricultura. A plataforma está trabalhando em mecanismos para mensurar e demonstrar o impacto dos bioinsumos, favorecer o trânsito dos produtos do laboratório até o campo, gerar protocolos de referência para a produção e responder às novas exigências do mercado internacional, entre outros temas.

Fonte: IICA

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