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Em uma sociedade marcada pelo excesso de estímulos, pelo consumo constante e por níveis crescentes de ansiedade, um período vivido por quase dois bilhões de pessoas em todo o mundo chama a atenção por propor justamente o oposto: pausa, autocontrole e reflexão. Trata-se do Ramadan, o mês sagrado da religião islâmica, que neste ano tem início previsto para o dia 17 de fevereiro, conforme o calendário lunar.
Embora seja amplamente conhecido pelo jejum praticado do nascer ao pôr do sol, o Ramadan vai muito além da abstinência de comida e bebida. “O jejum é apenas a parte mais visível. O verdadeiro convite do Ramadan é olhar para si, rever suas intenções e revisar hábitos”, explica Ali Momade, Sheikh e auditor religioso da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (FAMBRAS).
Durante esse período, os muçulmanos são convidados a se afastar não apenas dos excessos alimentares, mas também de comportamentos considerados prejudiciais, como impulsividade, agressividade, consumo exagerado e dispersão constante. “É um tempo de atenção plena, de fortalecimento do autocontrole e de silêncio interior — valores que dialogam diretamente com os desafios contemporâneos da saúde mental”, afirma o religioso.
Em um contexto global de hiperconectividade e produtividade contínua, práticas como o jejum consciente, a redução do consumo e a criação de rotinas mais intencionais têm despertado interesse inclusive fora do ambiente religioso. “O Ramadan pode ser compreendido como uma experiência coletiva de desaceleração. Ele nos lembra da importância da pausa, da empatia e da gratidão”, pontua Ali Momade.
Outro pilar central desse mês sagrado é a caridade. A vivência da fome e da sede ao longo do dia tem como objetivo aproximar os fiéis da realidade das pessoas em situação de vulnerabilidade social. Por isso, durante o Ramadan, são intensificadas ações solidárias, como doações de alimentos, refeições comunitárias e apoio a pessoas em situação de rua e famílias em risco social — iniciativas que beneficiam pessoas independentemente de religião, origem ou condição social.
“O Ramadan nos ensina, ainda, que espiritualidade não se vive apenas no âmbito individual, mas também na relação com o outro”, reforça o Sheikh. “É um período em que somos convidados a olhar para além de nós mesmos.”
O encerramento do mês é marcado pela celebração do Eid al-Fitr, uma das datas mais importantes do calendário islâmico, que simboliza renovação, alegria e partilha. Mais do que o fim do Ramadan, o momento celebra os aprendizados acumulados ao longo de cerca de 30 dias de reflexão, entre eles, disciplina e oração.
Ramadan além do jejum: curiosidades e informações essenciais
• O Ramadan segue o calendário lunar islâmico, por isso suas datas mudam a cada ano. Ele começa com a observação da lua nascente e dura cerca de 29 ou 30 dias.
• A palavra Ramadan vem do árabe “ramad”, que significa “calor intenso” ou “terra ressecada”, uma referência ao período do ano em que esse mês ocorria quando o calendário foi instituído.
• O jejum no Ramadan não é apenas alimentar. Os fiéis são convidados a evitar discussões, excessos, julgamentos, fofocas e comportamentos impulsivos, exercitando autocontrole e intenção consciente.
• A quebra do jejum diária (iftar) costuma começar com tâmaras e água, seguindo a tradição do profeta Muhammad. As tâmaras fornecem energia rápida após horas de abstinência.
• Nem todos devem jejuar. Crianças, idosos incapazes, pessoas doentes, gestantes, mulheres que amamentam e pessoas em viagem estão isentas. Em muitos casos, o jejum deve ser reposto, e em outros, ser compensado com ações de caridade.
• O período noturno ganha importância especial. Durante o Ramadan, orações noturnas e a leitura do Alcorão são intensificadas, fortalecendo os laços comunitários nas mesquitas.
• A caridade é central no Ramadan. A experiência da fome e da sede busca despertar empatia e responsabilidade social. Doações de alimentos e refeições solidárias são práticas comuns durante o mês, visando à purificação espiritual e o combate à fome.
• O encerramento do Ramadan é celebrado com o Eid al-Fitr, data marcada por alegria, encontros familiares, roupas novas e partilha de alimentos.
• Apesar das abstenções, o Ramadan, para os muçulmanos, é um período de alegria, pois simboliza renovação espiritual, fortalecimento de vínculos e reconexão com valores essenciais.
Sobre a FAMBRAS
Fundada em 1979, a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil – FAMBRAS é uma referência em se tratando do Islam no Brasil – uma religião que conta com 1,9 bilhão de fiéis no mundo de acordo com dados do Instituto Pew Research Center.
A FAMBRAS atua nos âmbitos religioso, social, cultural, econômico e diplomático por meio de projetos educacionais, culturais e assistenciais – tanto em benefício dos muçulmanos como de pessoas em situação de vulnerabilidade social. Outra missão é combater o preconceito aos muçulmanos por meio da informação.
Fonte: FAMBRAS.


