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Depois do sucesso da segunda edição, que recompensou Uma temporada no Congo, de Aimé Césaire, publicado pela editora Temporal, e traduzido pelo trio João Vicente, Juliana Estanislau de Ataíde Mantovani e Maria da Glória Magalhães dos Reis, a Embaixada da França no Brasil, por meio do seu Escritório do Livro e do Debate de Ideias, e um júri de profissionais da tradução do francês para o português do Brasil, anunciaram o ganhador dessa segunda edição.
O júri de 2024, composto pelos três talentosos tradutores premiados da segunda edição, João Vicente, Juliana Estanislau de Ataíde Mantovani e Maria da Glória Magalhães dos Reis, concordou em premiar O ciclo de Gargântua e outros escritos, de François Rabelais, traduzido por Guilherme Gontijo Flores e publicado pela Editora 34. Para o júri, a tradução desse texto, uma verdadeira miscelânea de narrativas, almanaques, cartas, versos, textos em prosa e tratados atribuídos ao autor do século 16, que alterna entre variados registros de linguagem, é um trabalho de fôlego muito desafiador, realizado com excelência pelo tradutor. O júri também quis destacar a conclusão do projeto editorial ambicioso de traduzir as obras completas do importante humanista francês.
O Prêmio:
O tradutor recebeu 2.500 euros para usar num projeto vinculado à tradução, que provavelmente será uma residência de tradução no prestigioso CITL (Collège International des Traducteurs Littéraires / Colégio Internacional dos Tradutores Literários) em Arles, na França.
O Tradutor
Guilherme Gontijo Flores nasceu em Brasília, em 1984. É poeta, tradutor e professor de latim na Universidade Federal do Paraná. Publicou os livros de poesia brasa enganosa (2013), Tróiades (2015), l’azur Blasé (2016), ADUMBRA (2016), Naharia (2017), carvão : : capim (2018), avessa: áporo-antígona (2020), Todos os nomes que talvez tivéssemos (2020) e Potlach (2022), entre outros, além do romance História de Joia (2019). Como tradutor, publicou A anatomia da melancolia, de Robert Burton (4 vols., 2011-2013, vencedor dos prêmios APCA e Jabuti de tradução), Elegias de Sexto Propércio (2014, vencedor do Prêmio Paulo Rónai de tradução, da Fundação Biblioteca Nacional), Fragmentos completos de Safo (2017, vencedor do Prêmio APCA de tradução), Epigramas de Calímaco (2019), Ar-reverso, de Paul Celan (2021) e os três volumes da Obras completas de Rabelais (2021, 2022 e 2023). Foi um dos organizadores da antologia Por que calar nossos amores? Poesia homerótica latina (2017). É coeditor do blog e revista escamandro. Nos últimos anos vem trabalhando com tradução e performance de poesia antiga e participa do grupo Pecora Loca.
O livro:
Terceiro e último volume das Obras completas de Rabelais publicadas pela Editora 34, O ciclo de Gargântua e outros escritos apresenta uma verdadeira miscelânea de narrativas, almanaques, cartas, versos, textos em prosa e tratados atribuídos ao autor, quase todos
inéditos em português.
Abrindo com o chamado “Ciclo de Gargântua”, que inclui as Grandes crônicas e O verdadeiro Gargântua, publicados respectivamente em 1532 e 1533, esta coletânea traz em seguida os almanaques e prognosticações de Rabelais para os anos de 1533, 1535, 1541 e 1544. Exibindo na sequência a série completa de cartas do autor que sobreviveram até os nossos dias, que inclui uma missiva a Erasmo de Roterdã e uma súplica ao papa para não ser excomungado, o livro prossegue com um conjunto de poemas avulsos de Rabelais redigidos em grego, latim e francês.
A parte final do volume traz a Epístola do limusino, de 1536, a Ciomaquia, em que o autor relata um espetáculo marcial oferecido a diplomatas franceses e italianos em 1549, a Crisma filosofal, um pequeno texto em prosa, e um interessantíssimo Tratado do bom uso de vinho, cujo original se perdeu e foi resgatado a partir de uma tradução ao tcheco. Por fim, fechando a antologia, temos os 120 desenhos do livro Sonhos bufonescos de Pantagruel, publicado em Paris em 1565, doze anos após a morte de Rabelais. Somente séculos depois estes bizarros retratos foram identificados como sendo da autoria de François Desprez (c. 1530-1580).
Assim como nos volumes anteriores, os variados registros de linguagem de Rabelais são aqui recriados de forma brilhante pelo premiado tradutor Guilherme Gontijo Flores, autor também das notas introdutórias que abrem cada seção da coletânea, que indicam as referências históricas e literárias dos textos rabelaisianos e oferecem ao leitor um guia para conhecer as múltiplas facetas desse inimitável humanista francês.
Ficha técnica do livro:
François Rabelais
O ciclo de Gargântua e outros escritos
(Obras completas de Rabelais — 3)
Organização, tradução, apresentação e notas de Guilherme Gontijo Flores
Ilustrações de François Desprez
O autor:
François Rabelais, um dos nomes mais importantes do Renascimento, nasceu em Chinon, no interior da França, em data incerta: 1483, segundo as pesquisas mais recentes, ou 1494, segundo outros. Oriundo de uma burguesia de vínculos rurais, Rabelais se alçou até o alto escalão da nobreza francesa: estudou direito, foi em seguida monge franciscano, depois beneditino, abraçou a apostasia, teve três filhos, formou-se em medicina e trabalhou como secretário da família Du Bellay a serviço do rei Francisco I, tudo isso enquanto traduzia do grego ao latim, estudava hebraico, um pouco de árabe e pesquisava outras línguas vivas e mortas. Publicou suas obras mais famosas, as aventuras dos gigantes Gargântua e Pantagruel, verdadeiras sátiras aos poderosos que foram censuradas pela Igreja Católica, a
partir dos anos 1530: Pantagruel (1532), Gargântua (1534), o Terceiro livro (1546), o Quarto livro (1552) e o Quinto livro (publicado postumamente em 1564) de Pantagruel, além de uma miscelânea de almanaques, cartas, poemas e até um tratado sobre o vinho.
Faleceu em Paris, em 1553.
A Editora 34:
Fundada em 1992 com o lançamento de O que é a filosofia?, de Gilles Deleuze e Félix Guattari, a Editora 34 possui hoje mais de 500 títulos em seu catálogo, que abrange as áreas de Ficção, Filosofia, Arte, Teoria Literária, Ciências Sociais, História, Psicologia e Psicanálise, Economia, Música, Poesia e Literatura Infanto-Juvenil, combinando textos clássicos e de referência com obras de ponta sobre temas contemporâneos. Ao lado de nomes fundamentais como Dante, Cervantes e Goethe, e de grandes escritores do século XX, como Kafka e Brecht, a Editora 34 mantém uma linha voltada para autores brasileiros, novos e consagrados, tanto na prosa como na poesia. A rica literatura da Rússia e do Leste Europeu é representada pela Coleção Leste, que tem publicado obras de Dostoiévski, Gógol, Tolstói, Púchkin e Tchekhov, entre outros, sempre vertidos do original por tradutores como Boris Schnaiderman e Paulo Bezerra.
Os organizadores:
Escritório do Livro da Embaixada da França
Com o objetivo de promover a venda de direitos, a tradução e a distribuição de livros francófonos no Brasil, o Escritório do Livro mantém relações regulares com todos os atores da economia do livro os quais apoia através de diversos programas (Programas de Apoio à Publicação da Embaixada e do Institut Français, Prêmio de Tradução da Embaixada da França, etc.) e com quem organiza ações em parceria.
O Escritório do Livro também trabalha para promover e divulgar os autores francófonos no Brasil, facilitando a presença deles nos principais eventos literários do país.
Biblioteca Nacional
Com mais de 200 anos de história, a Biblioteca Nacional é a mais antiga instituição brasileira, anterior mesmo à constituição do Brasil como nação independente.
A Biblioteca Nacional (BN) tem a missão de coletar, registrar, salvaguardar e dar acesso à produção intelectual brasileira. A BN mantém parcerias e ações de cooperação com instituições diversas para troca de conhecimento, promoção de pesquisa e de boas práticas de organização, gestão, conservação, preservação e valorização do acervo, definindo projetos comuns que fortaleçam, nos âmbitos nacional e internacional, a missão e o papel da instituição.
A gravação da cerimônia está disponível no canal youtube da Biblioteca Nacional.
Fonte: Embaixada da França.


