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Entre máscaras e tambores: a alma cultural do Benim

Entre o Atlântico e o Saara, o Benim é um país onde a história vive em cada traço, som e palavra. Berço de reinos poderosos e espiritualidade ancestral, sua cultura pulsa em expressões artísticas que atravessam séculos, se reinventando com vigor no presente. Neste mergulho cultural, vamos conhecer as forças vivas da arte, da literatura

Elna Souza

01/08/2025 · 05h05

Reprodução/Diplomacia Business

Entre o Atlântico e o Saara, o Benim é um país onde a história vive em cada traço, som e palavra. Berço de reinos poderosos e espiritualidade ancestral, sua cultura pulsa em expressões artísticas que atravessam séculos, se reinventando com vigor no presente. Neste mergulho cultural, vamos conhecer as forças vivas da arte, da literatura e da música que moldam o imaginário do Benim contemporâneo.

As artes visuais no Benim estão profundamente ligadas à memória e à espiritualidade. Um dos nomes mais respeitados é Cyprien Tokoudagba, conhecido por reinterpretar símbolos do vodum e dos antigos reinos do Daomé em esculturas e murais vibrantes. Seu trabalho mistura tradição e renovação com uma linguagem visual única. Romuald Hazoumè, por sua vez, é um artista conceitual que ficou mundialmente conhecido por suas máscaras feitas de galões de plástico reciclado — crítica direta ao neocolonialismo e às trocas econômicas desiguais. Já Ifeoma Anyaeji, embora nigeriana de nascimento, trabalha de maneira colaborativa com artistas do Benim, explorando o artesanato local em instalações feitas com fios e objetos reciclados, criando pontes entre arte e sustentabilidade na região.

Na literatura, o Benim tem uma tradição rica que transita entre a oralidade e a palavra escrita. Um dos maiores nomes é Olympe Bhêly-Quénum, autor de romances densos como Le Chant du lac, que exploram temas como identidade, tradição e o impacto do colonialismo. Florent Couao-Zotti, dramaturgo e contista contemporâneo, é conhecido por seu humor ácido e por retratar a vida urbana com realismo e lirismo. E Richard Dogbeh, escritor e jornalista, foi uma voz importante da consciência africana no século XX, usando a literatura como forma de resistência e educação.

A música no Benim é pura ancestralidade em movimento. O país é um dos berços da religião vodum, cuja influência rítmica chegou até o Caribe e as Américas. Um ícone fundamental é Angélique Kidjo, vencedora de múltiplos prêmios Grammy, que combina ritmos africanos com funk, jazz e pop, cantando em várias línguas e levantando temas de empoderamento e herança cultural. Outro nome poderoso é Sagbohan Danialou, percussionista, cantor e multi-instrumentista, guardião dos ritmos tradicionais e mestre do tambor que conecta o sagrado ao cotidiano. Já o grupo Zinli Rythmes representa a fusão entre tradição e modernidade, revivendo o estilo “zinli” — um ritmo cerimonial vodum — em formato contemporâneo, mantendo viva uma herança musical profunda.

Do traço simbólico ao tambor ancestral, da palavra falada à escrita rebelde, o Benim é um país onde arte, fé e resistência caminham juntas. Sua cultura é viva, resiliente e generosa — uma ponte entre o passado e o futuro, entre a África e o mundo.

*A reprodução é permitida, desde que citada a fonte.

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