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Banco do BRICS pode ajudar a financiar obras de infraestrutura prometidas por Lula, diz especialista

O investimento em infraestrutura e a retomada de obras paradas pelo país é um dos principais e talvez o maior compromisso anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu terceiro mandato presidencial. Já em sua primeira reunião ministerial, Lula falou que pretende correr o país para identificar obras paradas que precisam ser

Redação Diplomacia Business

13/01/2023 · 02h16

Reprodução/Diplomacia Business

No entanto Carvalho destaca que os recursos não são muito fartos e que “talvez já tenham sido empenhados no período recente”. Segundo ele, uma forma de ampliar os recursos seria incluir mais membros no agrupamento.

O poder de barganha e negociação do Brasil é importante, desde que o país tenha políticas claras ligadas ao nosso próprio desenvolvimento e autonomia”, indicou.

“O Brasil deve avaliar se apoia com mais ênfase as propostas de ampliação do grupo, com entrada de países associados e também de novos membros plenos, algo que é mais complexo, dadas as peculiaridades desse arranjo singular que funciona há mais de dez anos e desde então só admitiu um sócio novo, a África do Sul. Entre os candidatos vale notar que há países com grandes reservas cambiais e em busca de novos caminhos na diplomacia internacional, caso em especial da Arábia Saudita”, afirmou o especialista.

Carvalho aponta que a China é “a grande fonte de recursos”, principalmente em infraestrutura, lembrando que Pequim já tem investido na América Latina. “Certamente está interessada em avançar nas relações com o Brasil”, acredita.

Além disso, o professor avalia novo potencial de parcerias com Índia e Rússia, dois países que voltaram a se aproximar após o início da operação militar russa na Ucrânia. De acordo com o especialista, ambos os países “têm setores de alta tecnologia muito relevantes e interesses grandes no Brasil”.

“A Rússia tem a indústria militar e investe muito no seu agronegócio. A Índia tem importante setor de tecnologia de informação e de fármacos. Com os dois países, e também com a China, o Brasil pode e deve desenvolver projetos que atraiam investimentos em áreas de fronteira tecnológica que favoreçam o aprendizado e as parcerias com as empresas brasileiras”, disse Carvalho.

O professor ressalta ainda que a Índia enfrenta o desafio de avançar em parcerias que gerem mais segurança “frente ao peso crescente da China” e que a Rússia pretende explorar relações que “escapem do cerco pelos Estados Unidos”.

“O poder de barganha e negociação do Brasil é importante, desde que o país tenha políticas claras ligadas ao nosso próprio desenvolvimento e autonomia”, indicou.

‘Brasil pode fortalecer BRICS seguindo seus próprios interesses’ Carvalho afirma que os membros do BRICS mantêm a liberdade na defesa de seus interesses particulares e que o grupo só se manifesta de forma clara em pautas consideradas unânimes ou que não incomodem nenhum deles.

“É o caso do requerimento de Brasil e Índia para serem membros permanentes no Conselho de Segurança da ONU [Organização das Nações Unidas]”, cita o professor. “O Brasil pode fortalecer o BRICS seguindo seus próprios interesses e procurando estabelecer cooperação com os demais membros.”

Para além do BRICS, o especialista diz que o Brasil tem espaço para relacionamento com instituições como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Segundo ele, o peso geopolítico e geoeconômico do Brasil se ampliou com a instabilidade internacional e os conflitos entre EUA e seus agora dois inimigos a combater e cercar, China e Rússia. O especialista avalia que atualmente o país atrai muito interesse também devido a pautas ecológicas e ameaças climáticas.

“Nossas dificuldades são internas, vale citar duas: dificuldades para elaborar projetos consistentes e convincentes, pois temos uma tradição de projetos mal elaborados, que acabam parados ou atrasados, com orçamentos inconsistentes; e temos demonstrado grande dificuldade para propor projetos de atração de ajuda e investimento que se articulem com projetos de desenvolvimento de nosso interesse”, afirma, acrescentando que há grande disponibilidade de recursos de investidores privados em busca de negócios rentáveis.

*Publicado originalmente em Sputnik.

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