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Na noite de sexta-feira (13), a Embaixadora do México no Brasil, Laura Esquível, recebeu convidados nos jardins da sua Residência Oficial em Brasília para a cerimônia do Grito da Independência em comemoração aos 214 anos da Independência mexicana e aos 190 anos das relações diplomáticas com a República Federativa do Brasil. O evento, que reuniu representantes de missões diplomáticas, autoridades do governo brasileiro, imprensa e amigos do país, foi repleto de cultura e tradição, com bastante animação, música e as deliciosas e renomadas comidas e bebidas típicas mexicanas.

Em um belíssimo e emocionante discurso, a Embaixadora do México no Brasil, e escritora mundialmente conhecida por seu livro “Como Água para Chocolate”, Laura Esquível, falou sobre seu país, independência, relações com o Brasil e sobre cultura. Infelizmente, Esquível também informou na solenidade que está se despedindo da sua missão no Brasil, mas que carrega em si um grande carinho e apreço pelo Brasil, seu povo e tradições.

Um só povo
Esquível iniciou seu discurso falando sobre alguns acontecimentos do mundo da arte, esportes, educação e literatura. “Mencionar esse fluxo de energia que circulou entre os dois países de forma invisível, mas contundente, e que estremeceu nossas gargantas, nossos corações, nosso imaginário coletivo. Encontro que não só são os acordos e tratados comerciais entre os dois países que, no futuro, determinariam nosso destino comum”.

Segundo a Embaixadora, a emoção é a raiz por baixo de todas as memórias. “A emoção é a poderosa energia em movimento, é a mudança, é a transformação. É graças a esse fluxo invisível que a alma de nossos povos se entrelaçam de forma memorável”. Afirmou, que com o passar dos anos, os grandes embaixadores do Brasil foram seu povo: os artistas, cantores, pensadores e futebolistas, que com sua maneira única de se expressar, tocaram o mundo.

Emocionada, Esquível lembrou, junto dos convidados, quando, durante a 9ª Copa Mundial de Futebol no ano de 1970, o Brasil derrotou a Itália, tornando-se, pela 3ª vez, campeão mundial. Nesta época, a foto do grande Rei Pelé decorou as paredes de milhões de pessoas mundo afora, mas, principalmente, dos mexicanos, que, naquela memorável ocasião, junto do Brasil, foram um único povo. “E isso, com todo respeito, não sempre se alcança nos acordos comerciais”, declarou.

Fusão
“Durante os anos 70, a voz de Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Betanha, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Roberto Carlos e Sérgio Mendes formaram uma explosão musical que inundou o mundo. A aparição da música brasileira estava em todos os cantos, e foi assim, como uma corrente importante e totalmente refrescante de intelectuais e ativistas, que se expandiram pelo mundo, com propostas de técnicas educativas que mudaram a vida de muitos”, prosseguiu.

Como enfatizado pela Embaixadora, as ideias de grandes pensadores como Paulo Freire e Augusto Boal, “revolucionaram nossas mentes com suas teorias do teatro do oprimido, e a pedagogia como prática da liberdade. Para sair da opressão, os filósofos Leonardo Bovo e Ailton Krenak, ampliaram nossa visão da Terra como um ser vivo, convidando-nos a pensar em um mundo ancestral”.

Esquível disse estar, mais do que nunca, convencida de que as verdadeiras riquezas do Brasil e do México são suas reservas naturais e espirituais, seus saberes ancestrais e seus povos.

Brasil e México
“Brasil e México coincidem politicamente e têm na presidência dois grandes lutadores sociais: Luiz Inácio Lula da Silva e Andrés Manuel Lopes Obrador, ambos decididos a combater a pobreza e a desigualdade, e com grandes programas sociais, e temos que aproveitar este momento histórico”, disse.

Tempo de mudar
Em meio ao caos do mundo atual, Esquível fez um apelo ao mencionar que tanto o Brasil quanto o México devem restaurar os campos, limpar os rios, buscar conhecimentos novos e ancestrais e encontrar novos mestres.

“Brasil e México têm milhões deles! São aqueles que vivem no meio da selva, nas prateleiras dos rios, nas pequenas comunidades, são aqueles que sabem como plantar, como extrair os óleos essenciais das árvores… Temos que acudir às avós, aos xamãs, às rezadeiras, pois são eles que sabem curar, que sabem restaurar e que sabem alegrar”.

Fim de um ciclo
Neste ano, o feriado nacional de 16 de setembro coincide com o encerramento da missão diplomática da Embaixadora Laura Esquível que se despede do Brasil com um reconhecimento imenso por parte do Governo Brasileiro e de todos aqueles que puderam acompanhar de perto, sua dedicação e avidez no adensamento dos laços diplomáticos do México com Brasil em setores variados.

“Estou grata e emocionada e com um olhar renovado, com novos sons, com novos respiros, com novos sabores, com um saquinho de sementes da árvore Amazoniana que espero que floresça no meu jardim. Acima de tudo, gostaria de sentar à sombra de um IPÊ amarelo, comer, sair, enquanto me lembro do nascer do sol, dos seres do Brasil e do som dos seus pássaros”.

Como disse a diplomata, ao finalizar seu discurso, “Dizem que partir é uma forma de morrer, mas eu não me sinto assim… O Brasil vai comigo e eu ficarei aqui!”.

Por sua vez, a Secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Gisela Padovan, em seu discurso, destacou que o México, desde a sua origem, tem se destacado como um país progressista e preocupado com a justiça social e amparo ao povo lutador de sua nação.

Reconhecendo o excelente trabalho desempenhado pela Embaixadora Laura Esquível, Padovan teceu elogios à escritora. “Em apenas dois anos de missão em solo brasileiro, minha querida Laura deixou uma marca inesquecível e de muita originalidade, que também representa a identidade mexicana. Para além de um exemplo na literatura, Laura é uma ativista ferrenha dos direitos humanos, das questões de gênero e sociais”.

Estimou ainda o incansável trabalho da Embaixadora na execução do evento do Ano Dual México-Brasil 2024, um evento extraordinário que celebra e fortalece os laços culturais e impulsiona o intercâmbio econômico e comercial entre o México e o Brasil e marca os 190 anos das relações diplomáticas entre os dois países.

Aproveitou também para enaltecer a presidência de Claudia Sheinbaum, primeira mulher a chefiar os Estados Unidos Mexicanos, afirmando contar com a liderança da Chefe de Estado para trabalhar em “questões ambientais, de equidade de gênero, tendo em vista que o país é referência nessa questão, abrangendo altas taxas de paridade nos poderes Legislativo, Judiciário e Executivo, sendo ainda de grande importância na integração Latino-Americana”.

No âmbito das relações bilaterais entre México e Brasil, Padovan ressaltou que “o México é o sexto maior parceiro comercial do Brasil, englobando um intercâmbio vigoroso de 14 bilhões de dólares em produtos de alto valor agregado, que é muito importante para todos os países da região”.

Após os discursos, a Embaixadora Laura Esquível encantou a todos os convidados, cantando em uma só voz, o Hino Nacional da República Federativa do Brasil. Na cerimônia, foi feito também o famoso Grito da Independência que remonta ao dia 16 de setembro de 1810 em que Miguel Hidalgo y Costilla, um padre e um dos líderes que lutaram pela independência do México, executaram o “El Grito de la Independencia”, ou Grito de Dolores, no cidade de Dolores, no atual estado de Hidalgo, centro-norte, que levou à soberania mexicana.

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