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Márcia Donner Abreu, atual secretária de negociações bilaterais na Ásia, Pacífico e Rússia do Ministério das Relações Exteriores, será a nova embaixadora do Brasil na Coreia do Sul.

Em entrevista exclusiva ao Diplomacia Business, a embaixadora Márcia Donner Abreu destaca que a Coreia do Sul saiu de um PIB per capita de US$67, nos anos 50, para tornar-se a 10ª economia do mundo, com PIB de US$1,8 trilhão e PIB per capita de US$35 mil. Ocupa o 5º lugar no PISA, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes da OCDE; e o 5º lugar no índice de facilidade de fazer negócios no Banco Mundial. É a 6ª maior potência militar no planeta.

A embaixadora lembra que o novo presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, assume o posto dia 10 de maio, junto com a nova equipe. As perspectivas são de que Márcia Donner Abreu deve ocupar seu posto de embaixadora na Coreia do Sul na metade do ano, depois de julho deste ano, quando o novo governo já estará trabalhando. Veja a entrevista completa:

Diplomacia Business – A sra. morou em Genebra, Washington, Montevidéu, Pequim, Cazaquistão, Turcomenistão e Quirguistão. Ou seja, em sete países, além do Brasil. Que balanço geral, a sra. faz do trabalho e convivência em todos esses lugares?

Embaixadora Márcia Donner Abreu – De fato, minha carreira é um pouco variada, passei por praticamente todos os continentes, com exceção do continente africano. Servi duas vezes na embaixada do Brasil nos Estados Unidos, em Washington. Também servi em Montevidéu, no Uruguai; em Pequim, na China, que foi uma experiência enriquecedora. Fui delegada adjunta do Brasil na Unesco, durante dois anos e meio em Paris, e fui delegada permanente adjunta do Brasil na Organização Mundial do Comércio por seis anos e meio, lidando com os grandes temas de política comercial internacional e 17 acordos. Fui também, por um período muito breve, embaixadora do Brasil no Cazaquistão, e concomitante em mais dois países da Ásia Central.

São muitos desafios…

Embaixadora Márcia Donner Abreu – O grande foco da minha carreira foi economia e comércio, até que eu peguei esse desafio de assumir o posto de secretária bilateral para negociações bilaterais da Ásia, Pacífico e Rússia. Eu assumi esse posto em 18 de maio de 2020, e já, naturalmente, chegando a um ponto de maturidade profissional, como embaixadora, com responsabilidades estendidas, com um grupo grande de funcionários que trabalham comigo.

Esses países da região Ásia, Pacífico e Rússia correspondem a quase metade das exportações brasileiras, a 58% da população mundial e 46% do PIB global medido em qualidade de poder de compra. É um grupo realmente muito representativo de países muito diferentes entre si, culturalmente, em termos de seus modelos de organização social, econômica e política. Nós temos gigantes como a China. Pequenos países como os do Pacífico. Temos essa imensa oportunidade para o Brasil com os membros da ASEAN, quatro gigantes na cena internacional: China, Índia, Rússia e o Japão… Austrália. Essa experiência tem sido pra mim de maior interesse. Tanto que aceitei, com muita honra, ser a próxima embaixadora do Brasil na Coreia do Sul.

E agora, a sra. será embaixadora do Brasil na Coreia do Sul…

Embaixadora Márcia Abreu Donner – Eu ainda não estou na Coreia do Sul. Temos um sistema bastante longo para a designação de um embaixador do Brasil para outro país. É precedido por uma audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Comecei essa sabatina diplomática em 30 de novembro do ano passado, depois de umas duas semanas fui aprovada no plenário do Senado. Estou muito feliz de ir para a Coreia, pois a Coreia é um país extraordinário. Meu passado me preparou para essa nova etapa da minha carreira, com um vasto tempo de experiência.

Fale-nos sobre a Coreia do Sul…

Embaixadora Márcia Donner – A Coreia do Sul é um dos países mais desenvolvidos do mundo, em contraste óbvio com o país com quem iniciamos relacionamento diplomático há 62 anos, então um dos mais pobres do mundo. Sua dimensão geográfica é de 99,9 mil km2, não ultrapassa o tamanho do estado de Pernambuco. A população é de 50 milhões de habitantes. Tem uma história muito particular, porque se transformou de um país muito pobre, com uma estrutura econômica precária, e hoje é uma potência em todas as áreas, uma grande economia, que tem 17 acordos comerciais com países, que representam 85% do PIB global. É líder em música, cinema, culinária… A comida coreana se difundiu e é muito apreciada no mundo inteiro.

A Coreia do Sul se constrói em três pilares fundamentais: aposta decidida no planejamento econômico e no comércio internacional; valores de harmonia social e de aperfeiçoamento individual herdados do confucionismo; e investimento em Educação, somado à ênfase mais recente no poder da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Foi um país destroçado pela guerra. Saiu de um PIB per capita de US$67, nos anos 50, para tornar-se a 10ª economia do mundo, com PIB de US$1,8 trilhão e PIB per capita de US$35 mil. Ocupa o 5º lugar no PISA, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes da OCDE; e 5º lugar no índice de facilidade de fazer negócios no Banco Mundial. É a 6ª maior potência militar no planeta.

Como estão as relações comerciais entre o Brasil e a Coreia?

Embaixadora Márcia Donner Abreu – O estoque de investimentos sul-coreanos no Brasil é de US$7,2 bilhões. São mais de 400 empresas coreanas com operações no Brasil. Esses investimentos concentram-se no setor industrial intensivo em tecnologia e têm sido grandes impulsionadores da cooperação em Ciência e Tecnologia. A Coreia está presente no cotidiano dos brasileiros. Costumamos dizer: meu telefone é coreano, meu carro, minha tv… A Coreia está dentro da casa dos brasileiros e também na indústria pesada e de semicondutores, setor onde é a segunda maior produtora mundial (semicondutores). Essas áreas de tecnologia de ponta é onde gostaria muito de focar meu trabalho, dentre outros. A Coreia depende de fontes de energia. Temos etanol e hidrogênio verde. Existe uma complementaridade natural entre os dois países.

Os cinco produtos mais importantes da pauta de exportação do Brasil para a Coreia do Sul são petróleo, minério de ferro, farelo de soja, álcool etílico e ferro-ligas. A corrente com o Brasil não chega, porém nem a 1% do comércio total da Coreia do Sul. “É pouco e há margem para crescer”, destaca a embaixadora Márcia Donner Abreu. Ela lembra que o novo presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, assume o posto dia 10 de maio, junto com nova equipe. “Se tudo der certo, vou chegar na Coreia do Sul na metade do ano, depois de julho deste ano. Ou seja, quando o novo governo já estiver trabalhando”, comenta.

Perfil – Márcia Donner Abreu é catarinense de Florianópolis. Foi embaixadora do Brasil no Cazaquistão, Turcomenistão e Quirguistão. Serviu nas embaixadas em Washington, Montevidéu e Pequim.  Foi delegada permanente adjunta do Brasil na Unesco e representante permanente adjunta do Brasil na Organização Mundial do Comércio.

Ingressou no Instituto Rio Branco em 1986. Em Brasília, trabalhou com temas de meio ambiente, negociações comerciais em serviços e negociações extrarregionais do Mercosul. Foi secretária de Comunicação e Cultura do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, onde hoje é secretária da Ásia, Pacífico e Rússia. É formada em Direito pela Faculdade Cândido Mendes, com pós-graduação em Desenvolvimento pelo Institut Universitaire d’Etudes du Développement e em Direito Internacional pelo Graduate Institute of International Studies, ambos em Genebra.

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