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Filho de diplomata, Raul de Taunay seguiu a tradição da família e passou a maior parte da carreira diplomática entre a Europa e o Brasil. Viveu três anos em Paria, cinco em Praga, quatro em Milão, cinco em Roma e muitos outros em Brasília.

Contudo, na década de 1990 foi para a África, onde permaneceu 10 anos e o continente o cativou. O diplomata já aposentado, hoje tem 72 anos, está relançando a terceira edição de “Meu Brasil Angolano”  pela Editora Pandorga.

A obra relata como foi sua experiência em Luanda, capital da Angola. Ele chegou em outubro de 1992 e viveu durante meses em meio ao estado de sítio, na disputa entre o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) – vencedor das eleições daquele ano – e a oposição, comandada pela União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), que se rebelou contra o resultado das urnas e partiu para a luta armada.

Taunay era um dos secretários da embaixada brasileira, ponto nevrálgico no país africano devido à intensa influência cultural do Brasil sobre os angolanos. Ele conta que escreveu o manuscrito original à luz de velas, num apartamento sem eletricidade e aos sobressaltos, provocados pelos tiros de canhão.

Em “Meu Brasil Angolano” ele trocou nomes dos principais personagens que incluem angolanos, portugueses e brasileiros, buscando estabelece um retrato do que descreve como “conflito por procuração” entre as grandes potências em guerra fria, EUA e União Soviética. Também oferece um vislumbre do cotidiano da diplomacia, seus meandros, suas entrelinhas em meio a uma guerra.

A história de Angola é marcada por mais de 400 anos de dominação europeia. Após a independência, em 1974, viveu mais de uma década de combates entre guerrilhas independentistas e os portugueses. Na época, o Brasil comandou uma Força de Paz, mas  que fracassou na tentativa de terminar com os conflitos. Até 2002, quando a guerra terminou de vez, foram mais de 500 mil mortos e 1 milhão de deslocados.

Segundo a editora, o livro é “um entrecruzamento de literatura sugestiva, narrativa histórica e antropologia social num momento de trânsito entre a independência de Angola e sua atual modernidade. Nele, o autor nos oferece um mundo de descobertas, sobrevivências, romances cálidos, batalhas ferozes, aventuras inéditas, cruezas num continente desconhecido do grande público, embora localizado bem em frente ao nosso Brasil”.

O autor, que já tem mais de uma dezenas de publicações de sua lavra, ainda pretende lançar livros sobre seu tempo em solo africano. “Em 48 anos de profissão, passei 11 anos em países africanos. Deveria ter passado mais. Posso dizer que a África representou para mim um terreno de explorações e descobertas de incalculável riqueza profissional, espiritual e humana”, afirmou em entrevista recente ao jornal Zero Hora.

A obra pode ser adquirida no site da Pandorga.

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