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A Embaixada da Irlanda no Brasil realizou, na residência oficial do embaixador, a cerimônia que marcou o início da Presidência irlandesa do Conselho da União Europeia, iniciada em 1º de julho. O evento reuniu embaixadores, autoridades brasileiras, representantes do Governo do Distrito Federal, membros do corpo diplomático e convidados.

A solenidade foi aberta com a execução dos hinos nacionais do Brasil e da Irlanda, seguida do Hino da União Europeia. Na sequência, foram pronunciados os discursos do embaixador da Irlanda no Brasil, Martin Gallagher, do diretor do Departamento de Europa do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Flávio Célio Goldman, representando o Governo brasileiro, e da embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf.

Unidade como força da Europa

Em seu pronunciamento, o embaixador Martin Gallagher destacou o significado da oitava Presidência irlandesa do Conselho da União Europeia e lembrou a trajetória de transformação vivida pela Irlanda desde sua adesão às Comunidades Europeias, em 1973.

Segundo o diplomata, a integração europeia foi decisiva para modernizar a economia irlandesa, fortalecer sua sociedade e consolidar a paz na ilha. Ele ressaltou que a história da União Europeia demonstra que a soberania dos Estados é fortalecida quando os países atuam em conjunto, por meio da cooperação e de instituições baseadas em regras.

Gallagher apresentou o lema da presidência irlandesa — “Não há força sem unidade” —, inspirado em um antigo provérbio gaélico, afirmando que a mensagem é especialmente relevante diante dos desafios internacionais atuais.

O embaixador explicou que a atuação da Irlanda durante os próximos seis meses estará fundamentada em três prioridades: competitividade, valores e segurança.

Na área econômica, destacou a intenção de fortalecer o mercado único europeu, ampliar investimentos e impulsionar uma agenda ambiciosa de comércio internacional. Nesse contexto, classificou o Acordo de Parceria entre a União Europeia e o Mercosul como uma oportunidade estratégica para aproximar ainda mais duas das maiores regiões econômicas do mundo.

Gallagher também reafirmou o compromisso da presidência irlandesa com a defesa da democracia, do Estado de Direito, dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana, destacando o Brasil como parceiro fundamental tanto nas relações bilaterais quanto nos fóruns multilaterais.

No campo da segurança, reiterou o apoio europeu à Ucrânia e defendeu a continuidade da assistência financeira, política, militar e humanitária ao país, acompanhada do fortalecimento das sanções contra a Rússia. Ressaltou ainda que a União Europeia continuará investindo em sua segurança coletiva e ampliando sua liderança nas agendas climática e de biodiversidade, especialmente durante as próximas Conferências das Partes (COPs).

Ao concluir, o embaixador reforçou a amizade entre a União Europeia e o Brasil e afirmou que a Presidência irlandesa trabalhará para aprofundar ainda mais essa parceria estratégica.

Brasil reafirma compromisso com a cooperação

Representando o Ministério das Relações Exteriores, o embaixador Flávio Célio Goldman destacou que assumir a Presidência do Conselho da União Europeia representa uma missão de grande responsabilidade, marcada pela necessidade de construir consensos e liderar decisões complexas.

Goldman afirmou que o Brasil compartilha diversas prioridades da União Europeia, entre elas o fortalecimento do comércio internacional, a transição energética, o desenvolvimento seguro da inteligência artificial, a defesa dos direitos fundamentais e do Estado de Direito.

Segundo o diplomata, as excelentes relações bilaterais entre Brasil e Irlanda fortalecem a cooperação entre o país e a União Europeia, tendo como bases comuns a democracia, os direitos humanos, a inclusão social e o multilateralismo.

Ao abordar o cenário internacional, destacou que a continuidade da guerra na Ucrânia, as tensões no Oriente Médio, o avanço da desinformação e do extremismo representam desafios que exigem atuação conjunta da comunidade internacional.

No âmbito econômico, Goldman ressaltou a importância do Acordo Mercosul–União Europeia, mas observou que sua implementação ainda enfrenta obstáculos relacionados a restrições comerciais envolvendo produtos de origem animal, ferro, biocombustíveis e açúcar.

O representante do Itamaraty afirmou confiar no diálogo franco e objetivo para superar essas diferenças e garantiu o apoio do Governo brasileiro durante todo o período da Presidência irlandesa.

União Europeia aposta na implementação do acordo com o Mercosul

Em sua fala, a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, afirmou que a presidência irlandesa inicia seus trabalhos em um momento particularmente importante para as relações entre o Brasil e a União Europeia.

Ela destacou que a parceria bilateral entrou em uma nova fase com a implementação do Acordo entre a União Europeia e o Mercosul, ressaltando que a abertura gradual dos mercados já começa a produzir resultados concretos para empresas dos dois blocos.

Segundo Schuegraf, o verdadeiro sucesso do acordo dependerá da capacidade de transformar seu conteúdo jurídico em oportunidades reais para empresas, trabalhadores e cidadãos.

A diplomata ressaltou que a União Europeia já trabalha com o setor empresarial, câmaras de comércio e instituições brasileiras para facilitar a implementação do acordo, incluindo estudos voltados para áreas como compras governamentais e minerais críticos.

Ela também anunciou que, antes do final do ano, União Europeia e Mercosul deverão instalar a estrutura institucional responsável pelo acompanhamento e pela execução do acordo, incluindo um Comitê de Comércio e subcomitês técnicos especializados.

Ao comentar as preocupações brasileiras em relação a determinadas normas regulatórias europeias, Schuegraf defendeu que divergências são naturais entre parceiros estratégicos e reafirmou que a União Europeia continuará priorizando o diálogo, a transparência e a cooperação.

Como exemplo, citou estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) que demonstra haver percepção crescente sobre os benefícios ambientais associados às exigências regulatórias europeias, embora ainda persistam dúvidas quanto às motivações dessas medidas. Para a embaixadora, cabe à União Europeia explicar melhor que sua legislação está fundamentada em compromissos com a sustentabilidade, e não em práticas protecionistas.

Em tom de despedida, Schuegraf revelou que este foi seu último discurso durante a abertura de uma presidência do Conselho da União Europeia, agradecendo aos Estados-membros pela parceria construída ao longo dos últimos três anos. Ela manifestou confiança de que as relações entre Brasil e União Europeia continuarão se fortalecendo com base em valores compartilhados, prosperidade conjunta e cooperação internacional.

A cerimônia simbolizou não apenas a transição da liderança do Conselho da União Europeia para a Irlanda, mas também o fortalecimento dos laços políticos, diplomáticos e econômicos entre o bloco europeu e o Brasil, em um momento marcado por desafios globais que exigem diálogo, unidade e cooperação internacional.

 

*É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

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