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Árido e místico, o Iêmen guarda uma das culturas mais ricas do mundo árabe. Entre montanhas, desertos e o perfume do incenso, floresce uma expressão artística que combina tradição e resistência. Mesmo diante de guerras e desafios, a arte iemenita pulsa — em cores, versos e melodias — como uma poderosa afirmação de identidade e esperança.

Nas artes visuais, o país revela talentos que traduzem em telas e esculturas a alma do povo iemenita. Hakim Al-Akel, um dos nomes mais reconhecidos da pintura contemporânea, combina elementos do patrimônio local com técnicas aprendidas em Moscou, criando obras de intensa simbologia. Abdul Jabbar Noman (1949–2019), pioneiro da pintura moderna no país, eternizou paisagens e rostos que refletem a essência de Taiz, sua terra natal. Já Amal Fadhel, escultora e professora, molda o barro local em figuras que expressam a força e a dor das mulheres iemenitas, transformando a argila em voz e memória.

A literatura do Iêmen é igualmente vibrante. O poeta Abdulaziz al-Maqaleh (1937–2022) é um ícone da poesia árabe moderna, cuja obra celebra Sana’a e lamenta as feridas deixadas pela guerra. Zayd Mutee’ Dammaj, autor do clássico O Refém (Al-Rahinah), transporta o leitor para o universo social e político do Iêmen do século XX, com uma prosa sensível e crítica. Já Wajdi al-Ahdal, um dos principais nomes da nova geração, retrata o cotidiano e as contradições da sociedade contemporânea, questionando tradições e desigualdades.

Na música, o som do oud ecoa como símbolo nacional. O lendário Abu Bakr Salem Belfkih (1939–2017) foi a grande voz do país, unindo poesia e melodia em canções que celebram o amor e a identidade iemenita. O compositor Mohamed al-Ghoom leva o patrimônio musical do Iêmen a palcos internacionais, mesclando orquestra e ritmos tradicionais. E o pianista Saber Bamatraf, ao lado da artista Shatha Altowai, representa a nova cena cultural, conectando raízes ancestrais e música contemporânea.

Entre versos, pincéis e acordes, o Iêmen segue contando sua história. É um país onde a arte nasce da adversidade, onde a poesia é resistência e a música, esperança. De Sana’a a Hadramaut, cada criação é um testemunho da beleza que persiste — mesmo em meio à tempestade.

*É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

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