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No coração da região de Vayots Dzor, na Armênia, um notável exemplo de resgate cultural e excelência vitivinícola vem chamando a atenção do mundo: a vinícola Hin Areni. Fundada em 2013 pela família Karapetyan, a empresa representa a fusão perfeita entre tradição milenar e inovação, colocando a Armênia em posição de destaque no cenário internacional do vinho.
Um patrimônio de mais de 6 milênios
O vilarejo de Areni, onde está localizada a vinícola, possui uma importância histórica singular. Em 2007, uma descoberta arqueológica revelou na região uma vinícola com mais de 6.100 anos — considerada uma das mais antigas do mundo. Esse achado reforça o papel da Armênia como berço da viticultura mundial.
Situadas entre 1.215 e 1.250 metros de altitude, as vinhas da Hin Areni prosperam em solos que mesclam características sedimentares e vulcânicas, sob um clima de montanha que favorece a produção de vinhos com estrutura marcante e aromas expressivos.
Valorização das castas autóctones
Em sintonia com o compromisso de preservar a identidade nacional, a Hin Areni concentra sua produção em duas variedades de uvas autóctones da Armênia: Areni Noir e Voskehat.
A Areni Noir, uma das mais antigas uvas tintas do mundo, é conhecida por sua resistência às condições climáticas desafiadoras da região e por proporcionar vinhos de perfil complexo, com notas de frutas vermelhas, toques sutis de pimenta e um final agradável e refrescante. O destaque da vinícola é a Areni Noir Reserva, envelhecida por 18 meses em barris de carvalho de Artsakh, que oferece uma experiência encorpada, com taninos macios e aromas de cereja e especiarias.
Por sua vez, a Voskehat — cujo nome significa “Semente Dourada” — é considerada a “Rainha das uvas armênias”. Os vinhos elaborados com esta casta branca são celebrados por seus aromas florais, notas de mel e damasco, além de um frescor vibrante que encanta apreciadores em todo o mundo.
Inovação em harmonia com a tradição
A Hin Areni alia práticas tradicionais com as mais modernas tecnologias enológicas. Suas instalações, projetadas pelo arquiteto argentino Mario Japaz, contam com equipamentos de ponta, de origem italiana e francesa. Sob a consultoria do enólogo francês Didier Cornillon, a vinícola adota métodos rigorosos, como a colheita manual, prensagem pneumática delicada e fermentação em tanques de aço inox com controle de temperatura.
O envelhecimento dos vinhos tintos ocorre em barris artesanais de carvalho, produzidos a partir de árvores cultivadas nas encostas de Artsakh, conferindo aos rótulos um caráter singular e um vínculo profundo com o território armênio.
Além disso, a Hin Areni se destaca pelo uso criterioso de três tipos de carvalho para maturação: armênio, francês e húngaro, cada um conferindo nuances distintas aos vinhos. O carvalho armênio é conhecido por proporcionar sabores intensos e notas defumadas de chocolate, café e frutas secas, sendo especialmente utilizado para os tintos. Já o carvalho húngaro é preferido para os vinhos brancos e rosés, graças ao seu perfil mais suave e adocicado, com aromas de mel, baunilha e leve cremosidade. O carvalho francês, mais recentemente incorporado, agrega elegância e complexidade, sobretudo nos vinhos de guarda.
A vinícola produz quatro tipos de vinhos Reserva: o branco, envelhecido por um ano e meio exclusivamente em carvalho húngaro; o rosé, que se destaca como o único da Armênia maturado em carvalho e integra um seleto grupo de apenas sete ou oito produtores no mundo a adotar essa prática; e dois tintos, sendo um maturado por dois anos em carvalho armênio e o Grand Reserva, envelhecido por três anos, elaborado com a consultoria de um especialista francês e produzido em quantidades limitadas.
Curiosamente, a produção do rosé Reserva nasceu como uma experiência ousada de um jovem enólogo armênio, então com apenas 20 anos. Foram feitas inicialmente apenas mil garrafas, que rapidamente se tornaram um sucesso, motivando a continuidade da produção, ainda hoje restrita a esse mesmo volume anual, vendida principalmente na própria vinícola e em restaurantes selecionados de Yerevan.
Enoturismo e diplomacia cultural
A Hin Areni não se limita à produção de vinhos: tornou-se também um vibrante polo de enoturismo e diplomacia cultural. Visitantes de diversas partes do mundo são convidados a explorar as vinhas, participar de degustações e conhecer de perto o processo produtivo.
Durante as visitas, é possível conhecer o cuidado com cada detalhe, como o uso exclusivo de rolhas naturais de madeira, que exige o armazenamento das garrafas na posição horizontal, garantindo a umidade ideal da rolha e a preservação do vinho por longos anos. Além disso, os rótulos principais são sempre em inglês, enquanto a parte de trás da garrafa é personalizada conforme o país de exportação, refletindo o compromisso com a internacionalização da marca.
Em consonância com a crescente valorização internacional da cultura armênia, a vinícola projeta a expansão de suas instalações, incluindo a criação de um museu dedicado à história da viticultura local e acomodações para turistas. Essas iniciativas reforçam a Armênia como um destino turístico emergente e promissor, além de contribuir para o fortalecimento de sua imagem no exterior.
Reconhecimento internacional e exportações
A excelência da Hin Areni já foi reconhecida em competições internacionais de prestígio. Entre os destaques, medalhas de prata no Concours Mondial de Bruxelles para seus vinhos Voskehat e Rosé. Atualmente, a vinícola exporta para mercados estratégicos como Europa, Rússia e Estados Unidos, consolidando a presença da Armênia no competitivo mercado global de vinhos.
Hoje, mais de 70% da produção da Hin Areni é destinada à exportação, superando a marca de um milhão de garrafas anuais — um salto impressionante em relação à produção inicial, que não ultrapassava 200 mil garrafas por ano. Esse crescimento reflete a qualidade e a autenticidade que caracterizam os vinhos da casa.
Símbolo do renascimento da viticultura armênia
A trajetória da Hin Areni exemplifica com maestria o renascimento da viticultura armênia: uma tradição que remonta a milênios, agora revitalizada com práticas sustentáveis e tecnologia de ponta.
Ao promover as variedades autóctones e valorizar o terroir nacional, a vinícola desempenha não apenas um papel econômico relevante, mas também atua como uma verdadeira embaixadora da cultura armênia, contribuindo para o fortalecimento das relações comerciais, turísticas e diplomáticas do país.


