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Em 13 de outubro de 1944 foi fundado, no Rio de Janeiro, o Teatro Experimental do Negro (TEN). A iniciativa, idealizada por Abdias Nascimento (1914–2011), contou com a participação de artistas e intelectuais negros, entre eles Maria de Lourdes Valle do Nascimento, companheira de Abdias e importante liderança na trajetória do grupo.
Durante uma viagem à Lima, no Peru, em 1941, Abdias Nascimento assistiu à peça O Imperador Jones, do dramaturgo norte-americano Eugene O’Neill. O protagonista – negro – era interpretado por um ator branco com o rosto pintado de preto, prática conhecida como blackface.
O episódio provocou reflexões sobre a ridicularização de artistas negros dos palcos e a reprodução de estereótipos raciais nas produções teatrais. Na época, quando participavam dos espetáculos, atores negros frequentemente eram destinados a papéis secundários ou associados a representações preconceituosas.
Em 8 de maio de 1945, o grupo estreou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com a encenação de O Imperador Jones. O espetáculo teve como protagonista o ator negro Aguinaldo Camargo e foi um marco na trajetória do grupo.
A atuação do Teatro Experimental do Negro ultrapassou os palcos. O projeto também promoveu cursos de alfabetização, atividades educativas e iniciativas de conscientização racial, reunindo trabalhadores, empregadas domésticas e pessoas que, até então, tinham poucas oportunidades de acesso à formação artística.
Mulheres negras também tiveram participação importante nessa trajetória. Entre elas, destacaram-se Ruth de Souza, uma das atrizes que integraram o grupo, e Maria de Lourdes Valle do Nascimento, que atuou na mobilização pelos direitos das mulheres negras e contribuiu para o jornal Quilombo, publicação vinculada ao TEN.
Por meio do teatro, da educação e da comunicação, o movimento contribuiu para ampliar o debate público sobre discriminação racial, cidadania e valorização da cultura afro-brasileira.
Fonte: MIR


