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A chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) disse na semana passada que a organização revisará para baixo sua previsão de crescimento global em meio ao conflito Rússia-Ucrânia, cujo impacto contribuirá para rebaixamentos para 143 economias este ano.

“Para simplificar, estamos enfrentando uma crise em cima de outra”, disse a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, em um discurso antes das reuniões de primavera de 2022 do FMI e do Banco Mundial agendadas para a próxima semana.

“Nas últimas sete semanas, o mundo viveu uma segunda grande crise, uma guerra enquanto acontecia uma pandemia. Isso corre o risco de corroer muito do progresso que fizemos nos últimos dois anos, voltando do COVID-19”, disse Georgieva.

Em uma atualização do relatório Panorama Mundial Econômico (WEO) divulgado em janeiro, o FMI já cortou a previsão de crescimento global para 2022 em 0,5 ponto percentual, para 4,4 por cento, em meio ao aumento da Ômicron, à medida que as economias enfrentam interrupções no fornecimento, maior inflação, dívida recorde e incerteza persistente.

“Desde então, a perspectiva se deteriorou substancialmente”, em grande parte por causa da guerra e suas repercussões”, observou Georgieva.

Membros da equipe de caridade entregam comida gratuita na praça da estação ferroviária de Lviv em Lviv, Ucrânia, no dia 9 de março de 2022. (Xinhua/Ren Ke)

A chefe do FMI observou que as consequências econômicas do conflito Rússia-Ucrânia se espalharam de forma “rápida e abrangente”, “atingindo ainda mais as pessoas mais vulneráveis ​​do mundo”.

Isso elevou os preços da energia e dos alimentos e exacerbou a inflação, prejudicando centenas de milhões de famílias que já lutavam com renda mais baixa e preços mais altos, e ameaçando aumentar ainda mais a desigualdade, disse ela.

“Como resultado, estaremos projetando um rebaixamento adicional no crescimento global para 2022 e 2023”, disse Georgieva, observando que o impacto da guerra contribuirá para rebaixar a previsão para 143 economias este ano, representando 86 por cento do PIB global. O FMI divulgará seu Paranorama Mundial Econômico na próxima terça-feira, no dia 19 de abril.

Georgieva observou que as perspectivas variam muito entre os países, de perdas econômicas catastróficas na Ucrânia a uma severa contração na Rússia, a países que enfrentam repercussões da guerra por meio de commodities, comércio e canais financeiros.

As crises duplas e a capacidade do mundo de lidar com elas são ainda mais complicadas por outro risco crescente, a “fragmentação da economia mundial em blocos geopolíticos, com diferentes padrões de comércio e tecnologia, sistemas de pagamento e moedas de reserva”, disse ela.

As prioridades imediatas, segundo o chefe do FMI, são acabar com a guerra na Ucrânia, enfrentar a pandemia e combater a inflação e a dívida. Ela também destacou os esforços para combater as mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que convidou os formuladores de políticas a adotar a revolução digital.

Cliente escolhe óleo de cozinha no supermercado Lidl em Bruxelas, Bélgica, no dia 29 de março de 2022. (Xinhua/Zheng Huansong)

Diante do aumento da inflação, os bancos centrais devem agir de forma decisiva, mantendo pulso firme na economia e ajustando a política adequadamente, disse Georgieva, acrescentando que também devem se comunicar com clareza.

Ela alertou que as economias emergentes e em desenvolvimento enfrentam o risco adicional de “potenciais repercussões” do aperto monetário nas economias avançadas, não apenas custos de empréstimos mais altos, mas também o risco de saída de capital.

Para enfrentar esses desafios, os países devem estar preparados para usar todo o conjunto de ferramentas disponíveis, que vão desde estender os vencimentos da dívida e usar a flexibilidade da taxa de câmbio até intervenções cambiais e medidas de gestão de fluxo de capital, acrescentou ela.

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