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O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, participou nesta terça-feira (28), em São Paulo (SP), da Mesa Redonda Empresarial Brasil-Coreia, evento voltado à ampliação das relações comerciais, tecnológicas e de investimentos entre os dois países. A iniciativa integra a programação da visita oficial ao Brasil do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung.
Durante o encontro, foram assinados instrumentos de cooperação técnica e comercial destinados a impulsionar parcerias em inovação, transferência de tecnologia e atração de investimentos. A reunião reuniu a delegação empresarial sul-coreana e representantes brasileiros dos setores automotivo, tecnologia, saúde, cosméticos e higiene, alimentos e indústria pesada.
A programação deu continuidade às tratativas iniciadas durante a missão governamental brasileira a Seul, em fevereiro de 2026. Foi ressaltado que a visita do presidente Lee ao Brasil, apenas cinco meses após a missão brasileira à Coreia do Sul, demonstra a intenção de ambos os países de acelerar o fortalecimento da relação bilateral.
Na segunda-feira (27), em Brasília, Brasil e Coreia do Sul já haviam firmado sete memorandos de cooperação nas áreas de minerais críticos, educação, audiovisual, esportes, energia, tecnologia industrial, atividades espaciais e segurança de redes, além de um Comunicado Conjunto sobre minerais críticos.
Durante o foro, foi lembrado que o Brasil foi o primeiro país da América Latina a estabelecer relações diplomáticas com a Coreia do Sul, em 1959. Atualmente, o país abriga a maior comunidade coreana da região, com cerca de 50 mil pessoas, concentradas principalmente na cidade de São Paulo.
Em 2025, o comércio bilateral alcançou US$ 10,8 bilhões. O estoque de Investimento Estrangeiro Direto (IED) sul-coreano no Brasil soma US$ 8,9 bilhões e, considerando o total de investimentos, o capital sul-coreano no país chega a aproximadamente US$ 11 bilhões. Mais de 120 empresas sul-coreanas estão instaladas no Brasil, sendo quase 80% dos investimentos concentrados na indústria de transformação.
O Foro Empresarial foi estruturado em torno de três eixos principais.
O primeiro abordou manufatura e infraestrutura. Foram destacadas as oportunidades abertas pelo Novo PAC e pelo programa de concessões nos setores de transportes, energia, saneamento e portos. No segmento naval e offshore, estaleiros sul-coreanos já participam da construção de plataformas do pré-sal para a Petrobras. A expectativa é ampliar essa cooperação por meio de conteúdo local, transferência de tecnologia e engenharia compartilhada.
O segundo eixo tratou das indústrias avançadas. A Coreia do Sul, segundo maior produtor mundial de semicondutores e referência na fabricação de memórias e baterias, vê no Brasil um parceiro estratégico devido às reservas de minerais críticos. As discussões destacaram a importância de fortalecer toda a cadeia produtiva, incluindo processamento, industrialização e investimentos conjuntos.
Também foram debatidas oportunidades em inteligência artificial, centros de dados, aeroespacial e defesa. O Brasil oferece vantagens como matriz elétrica composta por 88% de fontes limpas e renováveis, ampla disponibilidade hídrica e estabilidade regulatória, fatores considerados estratégicos para a expansão da infraestrutura digital.
No setor aeroespacial, foi destacado que a Coreia do Sul foi o primeiro país asiático a adquirir o cargueiro C-390, da Embraer. Além disso, está previsto para setembro o lançamento de um foguete sul-coreano a partir do Centro Espacial de Alcântara.
O terceiro eixo concentrou-se em bens de consumo e distribuição. Durante o encontro, foi ressaltado o crescimento da presença da cultura coreana no Brasil, abrangendo áreas como entretenimento, gastronomia e cosméticos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) negocia com sua autoridade reguladora sul-coreana a inclusão de cosméticos no memorando bilateral de regulação.
Pelo lado brasileiro, a ApexBrasil identificou 280 oportunidades concretas para produtos nacionais no mercado sul-coreano.
No agronegócio, foi enfatizado o caráter complementar das economias dos dois países. O Brasil é o principal fornecedor de frango desossado, café em grão e celulose para a Coreia do Sul. Entre as prioridades brasileiras estão a abertura do mercado sul-coreano para a carne bovina e o avanço da cooperação em biocombustíveis. Também foi destacada a missão de inspeção sanitária da agência sul-coreana prevista para agosto.
Brasil e Coreia do Sul concordaram em anunciar, durante a próxima Cúpula do Mercosul, após a anuência dos demais Estados Partes, a retomada das negociações do Acordo Comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul.
Após o anúncio, será criado um grupo de trabalho bilateral para identificar oportunidades comerciais e facilitar o avanço das negociações. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também convidou o vice-presidente Geraldo Alckmin para atuar, em conjunto com o Diretor de Política Nacional da República da Coreia, na identificação de medidas práticas para ampliar a cooperação bilateral.
Durante o evento, o presidente sul-coreano Lee Jae Myung afirmou que há amplo espaço para expandir a cooperação econômica entre os dois países. Segundo ele, o Brasil é o principal parceiro comercial da Coreia do Sul na América do Sul e possui grande potencial na produção de aeronaves cargueiras. O presidente destacou ainda que a capacidade industrial sul-coreana, aliada à complementaridade entre as duas economias, cria condições para elevar a parceria bilateral a um novo patamar.
Fonte: Presidência.


