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A 14ª Cúpula do BRICS, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, realizada na semana passada, marcou um novo momento na história do grupo. O consenso alcançado por China e Brasil confirma a intenção de ambas as partes de uma parceria cada vez mais profunda e ampliada, ressalta o Encarregado de Negócios da Embaixada da China no Brasil, Jin Hongjun, que concedeu uma coletiva de imprensa virtual nesta terça (28)

O evento contou com a participação de jornalistas brasileiros, da mídia chinesa e de acadêmicos. O Diplomacia Business participou da coletiva.

Durante a entrevista, Jin lembrou que na semana passada foram realizados, sob a presidência da China, três eventos de grande relevância: o Fórum Empresarial do BRICS, a 14ª Cúpula do BRICS e o Diálogo de Alto Nível sobre Desenvolvimento Global, nos quais o presidente Xi Jinping abordou a defesa dos interesses comuns e de longo prazo para a humanidade.

“Suas propostas foram bem recebidas pelos líderes presentes na Cúpula e pela comunidade porque orientam o futuro do mecanismo do BRICS, aplanam o caminho para a melhora dessa associação e abrem perspectivas para que o BRICS desempenhe um papel ainda maior nos assuntos internacionais”, afirmou Jin.

O diplomata lembrou que a cúpula foi um novo marco na história do BRICS por apresentar uma solução visando a coesão que resultará em paz e estabilidade no mundo. O encontro dos chefes de estado também ressaltou que é hora de se abandonar a mentalidade da Guerra Fria, na qual só um lado pode ganhar e passar a respeitar e garantir a segurança de todos os países.

O representante da Embaixada da China reforçou que seu país está disposta a trabalhar com os parceiros do BRICS para construir um novo tipo de relação internacional baseadas no respeito mútuo, na equidade, na justiça e na cooperação na qual todos saiam ganhando. Entre outras iniciativas, falou sobre a Iniciativa Cinturão e Rota, da qual já fazem parte vários países do mundo, incluindo alguns da América do Sul.

Outro aspecto destacado por ele foi o desejo da China de criar um impulso centrado em tecnologia e inovação para fomentar ainda mais a cooperação. Entre outros exemplos, lembrou da adoção chinesa da economia digital. Ressaltou ainda que com a primeira ampliação de membros, o Novo Banco de Desenvolvimento proporcionará apoio financeiro a mais países em desenvolvimento e terá mais voz e ação no sistema financeiro internacional.

Relações sino-brasileiras

Jin Hongjun tratou de maneira especial o papel que tem o Brasil como maior país em desenvolvimento do hemisfério ocidental, como membro fundador do BRICS e como única nação latino-americana a integrar esse mecanismo.

“A China está disposta a trabalhar com o Brasil para intensificar as consultas no âmbito do BRICS e em outros fóruns bilaterais e multilaterais, em busca de um maior desenvolvimento e impacto global de nossas relações na nova era”, afirmou o Encarregado de Negócios.

Segundo ele, o consenso alcançado pelos líderes da China e do Brasil nesta série de eventos no marco do BRICS demonstra a grande importância que ambas as partes concedem a uma parceria cada vez mais profunda e ampliada.

Ao ser questionado sobre as consequências das sanções contra a Rússia e como isso está causando uma interrupção no sistema produtivo mundial, Jin reforçou que seu país é contra as sanções, mas afirmou que a China está disposta a aumentar o fluxo de negócios com o Brasil, suprindo parcialmente os produtos que estão em escassez, se assim for requisitado.

 

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