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A Embaixada da Armênia e a Embaixada da França promoveram, na noite de segunda-feira (18), uma exibição especial do filme Monsieur Aznavour, realizada na Embaixada da França, em Brasília. O evento reuniu embaixadores, autoridades do governo brasileiro, representantes do corpo diplomático, membros da comunidade armênia, convidados do meio cultural e empresários em uma celebração à vida e ao legado de um dos maiores nomes da música francesa e mundial.
O longa retrata a trajetória de Charles Aznavour, artista de origem armênia que se tornou um símbolo da cultura francesa. Dono de uma voz inicialmente considerada modesta pelos críticos da época, Aznavour superou adversidades e construiu uma carreira histórica, marcada por sensibilidade, autenticidade e talento. Ao longo de sua vida, compôs quase 1.200 canções em diversas línguas e conquistou reconhecimento internacional como cantor, compositor, ator e embaixador da cultura francesa.
Com uma narrativa íntima e emocionante, Monsieur Aznavour destaca não apenas o percurso artístico do cantor, mas também sua força humana, sua relação com as origens armênias e sua visão universal da cultura.
Antes da projeção do filme, os convidados acompanharam os discursos do embaixador da França no Brasil, Emmanuel Lenain, e do embaixador da Armênia no Brasil, Armen Yeganian, que ressaltaram a importância cultural, histórica e diplomática da obra e da trajetória de Charles Aznavour.
Em sua fala, Emmanuel Lenain destacou que Aznavour representa um verdadeiro monumento da cultura francesa e simboliza a força da diversidade e da imigração na construção cultural da França.
“Charles Aznavour é um monumento da cultura francesa, e sua trajetória extraordinária mostra que um filho de imigrantes pode alcançar o sucesso por meio de seu trabalho e talento”, afirmou o embaixador.
O diplomata francês lembrou ainda que, mesmo no auge da fama internacional, Aznavour jamais esqueceu suas origens armênias e esteve ativamente envolvido em ações humanitárias em apoio ao povo armênio, especialmente após o terremoto que atingiu a Armênia em 1988.
Durante o discurso, Emmanuel Lenain também destacou a forte ligação do artista com o Brasil. Segundo ele, Aznavour descobriu o país no final da década de 1950, durante uma viagem pela América do Sul, e desenvolveu uma profunda admiração pela música, pela cultura e pela criatividade brasileira.
Foi nesse contexto que o cantor compôs a música Rendez-vous à Brasília, lançada em 1960 em homenagem à inauguração da nova capital brasileira. O embaixador recordou ainda que Aznavour visitou o Brasil diversas vezes ao longo da carreira, sendo sua última passagem pelo país em 2017.
Lenain mencionou também o fascínio do artista pela bossa nova e pelo samba, gêneros que, segundo Aznavour, representavam uma combinação singular entre influências internacionais e a identidade cultural brasileira.
Ao encerrar sua fala, o embaixador ressaltou a profunda amizade entre França e Armênia, construída ao longo da história e fortalecida pela presença de uma importante comunidade armênia em território francês. Segundo ele, essa relação foi reafirmada recentemente pelo presidente francês, Emmanuel Macron, durante visita oficial à Armênia.
Na sequência, o embaixador Armen Yeganian emocionou os convidados ao destacar um lado menos conhecido da vida de Charles Aznavour: o legado humanitário de sua família durante a Segunda Guerra Mundial.
O diplomata relembrou que os pais do artista, Misha e Knar Aznavourian, sobreviventes do genocídio armênio, acolheram judeus, membros da Resistência Francesa e perseguidos políticos em seu pequeno apartamento em Paris durante a ocupação nazista da França.
Segundo Yeganian, a família tinha plena consciência de que, caso fosse descoberta pela Gestapo, todos poderiam ser condenados à morte. Ainda assim, decidiram arriscar a própria vida para salvar outras pessoas.
O embaixador destacou ainda que Charles Aznavour e sua irmã Aida participaram diretamente desses esforços humanitários. De acordo com relatos publicados pelo pesquisador israelense Yair Auron, os filhos da família chegaram a ceder seus próprios quartos para abrigar refugiados escondidos.
Armen Yeganian lembrou também a ligação da família Aznavourian com a célebre rede da Resistência Francesa liderada pelo armênio Missak Manouchian, considerado atualmente um herói nacional francês e sepultado no Panthéon, em Paris.
Em reconhecimento às ações humanitárias da família, Charles Aznavour e sua irmã Aida receberam, em 2017, o prestigioso Prêmio Raoul Wallenberg, em Israel.
Durante o discurso, o embaixador armênio recordou ainda uma das frases mais emblemáticas de Aznavour: “Sou 100% francês e 100% armênio”.
Para Yeganian, essas palavras refletem perfeitamente a identidade e a trajetória do artista, que conseguiu unir o humanismo universal francês à memória, à resiliência e à alma do povo armênio.
“O evento de hoje é também uma celebração da profunda amizade entre a Armênia e a França, construída sobre a história, a cultura e valores compartilhados”, declarou.
O diplomata também destacou o papel da cultura como instrumento de aproximação entre os povos e afirmou que artistas como Charles Aznavour transformam a arte em uma forma nobre de diplomacia cultural.
Ao final da cerimônia, Armen Yeganian agradeceu à Embaixada da França pela parceria na realização do evento, ao patrocinador André Kissajikian, à sua esposa Maria e a todos os envolvidos na organização da noite.
A exibição de Monsieur Aznavour reforçou não apenas a importância histórica e artística do cantor franco-armênio, mas também o papel da cultura como ponte entre nações, memórias e gerações.
*É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.


