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A Embaixada da República do Zimbábue no Brasil realizou, em Brasília, uma recepção em comemoração ao 46º aniversário da Independência do país africano. A solenidade reuniu autoridades brasileiras, membros do corpo diplomático, representantes do setor empresarial, da imprensa e convidados especiais.

A cerimônia teve início com a execução dos hinos nacionais do Zimbábue e do Brasil, seguida pelos discursos oficiais do embaixador do Zimbábue no Brasil, Meshack Kitchen, e do diretor do Departamento de África e Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Roberto Aldo Salomão.

Embaixador destaca desenvolvimento econômico e fortalecimento da cooperação bilateral

Ao dar as boas-vindas aos convidados, o embaixador Meshack Kitchen agradeceu a presença das autoridades e ressaltou a importância da data para o povo zimbabuano.

Entre os presentes estavam o diretor do Departamento de África e Oriente Médio do Itamaraty, Roberto Aldo Salomão; o secretário de Relações Internacionais do Distrito Federal, Paco Britto; o decano do Grupo dos Embaixadores Africanos e embaixador de Camarões no Brasil, Martin Mbeng, além de chefes de missões diplomáticas, empresários, jornalistas e representantes da sociedade civil.

O diplomata explicou que, embora o Dia da Independência do Zimbábue seja celebrado oficialmente em 18 de abril, a recepção foi realizada em maio para coincidir com o mês dedicado à valorização da cultura nacional zimbabuana.

“Celebramos nossa independência sob o tema ‘Zimbábue aos 46 anos: Unidade e Desenvolvimento rumo à Visão 2030’, que reflete nosso compromisso contínuo com a unidade nacional como base para o desenvolvimento socioeconômico sustentável”, afirmou.

Durante seu pronunciamento, Kitchen homenageou os homens e mulheres que lutaram pela independência do país e destacou os avanços alcançados desde a criação da Segunda República, em 2018.

Segundo ele, a economia zimbabuana vem apresentando crescimento consistente em setores estratégicos como agricultura, mineração, turismo e infraestrutura. O embaixador ressaltou ainda que as projeções econômicas apontam para um crescimento significativo nos próximos anos, impulsionado por reformas econômicas, aumento dos investimentos e maior participação da diáspora zimbabuana.

“O desenvolvimento da infraestrutura está ocorrendo em todo o país, guiado pelo compromisso de não deixar ninguém para trás. O turismo e a cultura do Zimbábue também têm ganhado destaque internacional, e convido todos a visitarem nosso país”, declarou.

Parceria com o Brasil

O embaixador enfatizou a importância das relações bilaterais entre Brasil e Zimbábue, especialmente na área agrícola.

Ele destacou projetos desenvolvidos em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), incluindo iniciativas voltadas para a produção de algodão e o fortalecimento de cadeias produtivas rurais.

Kitchen observou ainda que existem oportunidades para ampliar a cooperação em setores como agricultura, açúcar, energia e desenvolvimento econômico.

“Nossa embaixada continuará trabalhando para expandir essa cooperação frutífera entre os dois países”, afirmou.

Defesa do multilateralismo

Outro ponto destacado pelo embaixador foi a convergência entre Brasil e Zimbábue na defesa do multilateralismo e da diplomacia como instrumentos para a promoção da paz e da segurança internacional.

Segundo ele, os dois países compartilham posições semelhantes em temas globais como combate à fome, redução da pobreza, mudanças climáticas, transição energética e segurança energética.

Kitchen também mencionou a candidatura do Zimbábue a um assento em organismos multilaterais e manifestou confiança no apoio brasileiro.

Ao encerrar seu discurso, agradeceu à sua esposa, Charity Kitchen, à equipe da embaixada e a todos os colaboradores envolvidos na organização do evento.

Em seguida, propôs um brinde em homenagem ao presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, à amizade entre Brasil e Zimbábue, à paz mundial e ao fortalecimento das relações diplomáticas entre os dois países.

Itamaraty destaca parceria histórica

Representando o governo brasileiro, Roberto Aldo Salomão ressaltou a trajetória de amizade e cooperação construída ao longo de mais de quatro décadas entre os dois países.

Ele lembrou que o Brasil reconheceu oficialmente a independência do Zimbábue em 18 de abril de 1980, mesma data em que o país conquistou sua soberania.

“O dia em que o Zimbábue conquistou sua independência foi também o dia em que o Brasil reconheceu oficialmente o novo Estado perante a comunidade internacional”, destacou.

Salomão recordou que o Brasil inaugurou sua embaixada em Harare em 1987, enquanto o Zimbábue abriu sua representação diplomática em Brasília em 2004, a primeira do país africano na América do Sul.

O representante do Itamaraty ressaltou ainda o fortalecimento recente das relações bilaterais, incluindo a realização da primeira reunião de consultas políticas entre os dois países, em 2024.

Durante o encontro, foram discutidos temas como comércio, investimentos, energia, cooperação técnica, agricultura e questões multilaterais.

Cooperação agrícola e educacional

Salomão destacou os resultados positivos dos projetos de cooperação agrícola conduzidos pela Agência Brasileira de Cooperação e reafirmou o compromisso brasileiro com a segurança alimentar do Zimbábue.

Ele também apontou a educação como uma das áreas mais promissoras da parceria bilateral.

Como exemplo, mencionou a participação de representantes de quatro universidades zimbabuanas no Primeiro Fórum de Reitores Brasil–África, realizado recentemente em Brasília.

Convergência em temas globais

No campo multilateral, o representante brasileiro observou que Brasil e Zimbábue compartilham posições semelhantes sobre a necessidade de reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, especialmente no que diz respeito à ampliação da representação de regiões atualmente sub-representadas, como África, América Latina e Caribe.

Os dois países também atuam em pautas comuns relacionadas ao combate à fome, à pobreza e à proteção ambiental.

Salomão destacou ainda a participação de ministros e representantes zimbabuanos em importantes eventos internacionais realizados no Brasil, incluindo encontros sobre educação, alimentação escolar, meio ambiente e mudanças climáticas.

Brinde e confraternização

A parte oficial da cerimônia foi encerrada com um brinde em homenagem à amizade entre Brasil e Zimbábue, seguido pelo tradicional corte do bolo comemorativo dos 46 anos da independência do país africano.

Após a solenidade, os convidados participaram de um jantar de confraternização, que proporcionou momentos de integração entre autoridades, diplomatas, empresários e representantes da sociedade civil, reforçando os laços de amizade e cooperação entre as duas nações.

*É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

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