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A Embaixada do Paraguai em Brasília (13) promoveu uma celebração especial em homenagem aos 215 anos da Independência do Paraguai, reunindo autoridades, diplomatas, empresários, representantes do governo brasileiro e convidados em uma noite marcada pela cultura, pela integração e pelo fortalecimento das relações entre os dois países.

A independência paraguaia, iniciada na noite de 14 para 15 de maio de 1811, marcou o começo de uma nova etapa na história do país sul-americano. A data representa não apenas a conquista da soberania nacional, mas também a reafirmação da identidade cultural e histórica do povo paraguaio.

A cerimônia teve início com a execução dos hinos nacionais da República do Paraguai e da República Federativa do Brasil, interpretados pela Banda de Música do Batalhão da Guarda Presidencial.

Embaixador destaca integração e cooperação entre Brasil e Paraguai

Em seu discurso oficial, o embaixador do Paraguai no Brasil, Juan Delgadillo ressaltou a importância histórica da independência paraguaia e destacou os avanços na cooperação bilateral entre os dois países.

O diplomata saudou autoridades brasileiras e paraguaias presentes no evento, entre elas ministros, parlamentares, representantes do corpo diplomático, empresários e integrantes de organismos internacionais.

Durante sua fala, enfatizou que os dias 14 e 15 de maio representam um marco para os paraguaios, que celebram a gesta emancipadora responsável por transformar o Paraguai em uma nação livre, independente e soberana.

Segundo o embaixador, o espírito de liberdade do povo paraguaio foi construído ainda no período colonial, por meio de movimentos populares e da resistência contra tentativas de submissão política.

Ele também destacou que a convivência pacífica, a amizade entre os povos e a cooperação internacional são pilares históricos da política externa paraguaia — valores que, segundo ele, fundamentam a sólida relação com o Brasil.

Corredor bioceânico e novas pontes fortalecem integração regional

Um dos principais temas abordados pelo embaixador foi o avanço das obras de integração física entre os dois países.

Ele afirmou que faltam pouco mais de 20 metros para a conclusão da ponte sobre o Rio Paraguai, ligando Carmelo Peralta, no Paraguai, a Porto Murtinho, no Brasil, obra estratégica para o corredor rodoviário bioceânico.

Também foram mencionados os avanços na Ponte da Integração, entre Presidente Franco e Foz do Iguaçu, considerada fundamental para ampliar o comércio e a mobilidade na região da tríplice fronteira.

Além disso, o diplomata ressaltou iniciativas conjuntas voltadas à melhoria do transporte fronteiriço e da navegabilidade da hidrovia do Rio Paraguai, considerada essencial para o desenvolvimento econômico regional.

Relação econômica vive momento promissor

O embaixador destacou ainda o crescimento dos investimentos brasileiros no Paraguai e o fortalecimento do comércio bilateral, apontando que a parceria econômica entre os países vive um de seus momentos mais dinâmicos.

Segundo ele, a integração produtiva e a criação de cadeias regionais de valor demonstram que a prosperidade compartilhada é resultado de confiança mútua, visão estratégica e cooperação política.

Outro ponto de destaque foi a assinatura do Acordo Mercosul-União Europeia, formalizada em Assunção durante a presidência pro tempore paraguaia do bloco. O acordo entrou em vigor em 1º de maio de 2026 e cria a maior zona de livre comércio do mundo, envolvendo mais de 800 milhões de pessoas.

Itaipu e combate ao crime organizado

O discurso também abordou o papel estratégico da Itaipu Binacional como símbolo da cooperação entre Brasil e Paraguai.

Segundo o embaixador, a usina vai além da geração de energia e se projeta como referência em inovação tecnológica, pesquisa e desenvolvimento de novas fontes de energia renovável.

Na área da segurança, o diplomata destacou o fortalecimento das operações conjuntas de combate ao crime organizado transnacional, especialmente a Operação Nova Aliança, cuja 55ª fase foi recentemente concluída.

Ele afirmou que a cooperação entre as forças de segurança dos dois países tem causado importantes prejuízos logísticos e financeiros às organizações criminosas que atuam na região.

Homenagem às mães e valorização da cultura paraguaia

O embaixador também lembrou que o dia 15 de maio possui um significado especial para os paraguaios, já que a data coincide com o Dia das Mães no Paraguai.

“Para os paraguaios, o Paraguai é a pátria-mãe. Representam dois amores inseparáveis, profundamente unidos pela memória, pelo sacrifício e pela esperança”, declarou.

A programação cultural contou com a apresentação da Orquestra Nacional de Música Popular do Paraguai, sob direção do maestro Luis Álvarez e direção artística do maestro Óscar Fadlala.

A gastronomia tradicional também teve espaço de destaque, com pratos típicos como o bori-bori — reconhecido pela Taste Atlas como uma das melhores sopas do mundo — além de churrasco preparado com cortes cedidos pela Câmara Paraguaia de Carnes.

Secretária do Itamaraty reforça amizade histórica entre os países

Representando o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, a embaixadora Gisela Maria Figueiredo Padovan, Secretária de América Latina e Caribe destacou a importância histórica das relações entre Brasil e Paraguai.

Ela relembrou que o Paraguai foi a primeira independência concluída da América do Sul, em 1811, e ressaltou os 182 anos de relações diplomáticas entre os dois países.

Durante seu discurso, Gisela Padovan destacou o crescimento do comércio bilateral, atualmente estimado em 7,5 bilhões de dólares, além da expansão dos investimentos brasileiros no Paraguai, que chegaram a 1,5 bilhão de dólares.

A diplomata também ressaltou os avanços em infraestrutura, como a Ponte da Integração e o corredor bioceânico, além da cooperação entre os presidentes Santiago Peña e Luiz Inácio Lula da Silva, que já realizaram 13 encontros oficiais.

Itaipu, cultura e futebol unem brasileiros e paraguaios

A embaixadora destacou ainda a importância da Itaipu Binacional, classificando-a como um “monumento da engenharia e da diplomacia”.

Ela lembrou que a hidrelétrica permanece entre as maiores do mundo e afirmou que Brasil e Paraguai seguem negociando a revisão do Anexo C do tratado de Itaipu.

Gisela Padovan também ressaltou a integração cultural entre os povos, citando o tereré, a guarânia e a influência da música paraguaia sobre ritmos brasileiros.

A diplomata mencionou ainda o compositor paraguaio Agustín Barrios, considerado um dos maiores nomes do violão clássico mundial, e brincou ao citar jogadores paraguaios que marcaram a história do futebol brasileiro.

Ao encerrar o discurso, a representante do Itamaraty recordou os 60 anos da Ata das Cataratas, documento considerado marco da fase moderna das relações entre Brasil e Paraguai, revisado pelo escritor João Guimarães Rosa.

“Que a tradicional amizade entre Brasil e Paraguai continue sendo a base indestrutível de nossas relações”, concluiu a embaixadora, ao propor um brinde ao povo paraguaio.

*É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

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