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A Embaixada do México no Brasil realizou, na noite de segunda-feira (15), a tradicional cerimônia do Grito da Independência, em comemoração aos 215 anos do movimento histórico iniciado em 16 de setembro de 1810, na cidade de Dolores — atual Dolores Hidalgo, em Guanajuato. Liderado pelo padre Miguel Hidalgo y Costilla, o episódio marcou o início da luta pela independência, pelo fim da exploração colonial e pela defesa de melhorias sociais para os mais pobres.

O Encarregado de Negócios da Embaixada, Alejandro Ramos Cardoso, abriu o discurso com uma homenagem a Rafael Ignacio Montoya Bayardo, responsável pelos assuntos políticos da representação diplomática, que faleceu no último fim de semana. Cardoso destacou sua contribuição, saudou familiares e colegas e conduziu um minuto de silêncio em sua memória.

Na sequência, o diplomata ressaltou a trajetória histórica e cultural do México, desde as civilizações pré-colombianas — como olmecas, maias, mexicas e teotihuacanos — até os marcos da vida independente do país, como a Reforma de 1857, a Revolução de 1910 e a Constituição de 1917, considerada a primeira de caráter social no mundo e ainda em vigor.

Cardoso também abordou o cenário político atual, lembrando a eleição de Claudia Sheinbaum como primeira presidenta do México, ocorrida 85 anos após a conquista do voto feminino. Destacou ainda os 190 anos de relações diplomáticas entre México e Brasil, celebrados em 2024 no âmbito do Ano Dual México-Brasil. Nesse contexto, mencionou encontros recentes entre os presidentes Sheinbaum e Lula, a participação ativa do México no G20 e a visita do vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, à Cidade do México, ocasião em que foram assinados memorandos nas áreas de agricultura, saúde e energia, além de um comunicado conjunto para modernizar acordos comerciais e de investimento.

Segundo o diplomata, México e Brasil ocupam, respectivamente, a sexta e a sétima posições entre os maiores parceiros comerciais, com esforços conjuntos para ampliar a cooperação econômica, abrir novos setores e fortalecer o turismo, especialmente diante da Copa do Mundo da FIFA de 2026, que será sediada pelo México em parceria com Estados Unidos e Canadá.

Representando o governo brasileiro, o diretor do Departamento de México, América Latina e Caribe do Itamaraty, Helio Almeida de Cardoso, ressaltou a relevância histórica do Grito de Dolores e a amizade entre os dois países. Em seu pronunciamento, destacou a convergência de políticas em temas como cooperação econômica, integração regional e defesa da soberania latino-americana, reforçando o compromisso comum com uma diplomacia baseada no diálogo, no respeito mútuo, na democracia e nos direitos humanos.

A solenidade foi marcada pela execução dos hinos nacionais do Brasil e do México, além do tradicional grito que simboliza a luta pela independência mexicana.

O evento também contou com apresentação da soprano Rosa María Dávila, que interpretou canções típicas do México, e com a degustação de pratos tradicionais da culinária mexicana, reforçando os laços culturais e diplomáticos entre os dois países.

Fotos: William e o Mundo.

*A reprodução é permitida, desde que citada a fonte.

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