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Em uma noite marcada por cores, ritmos e diplomacia, a Embaixada de Ruanda no Brasil celebrou, na quinta-feira (10), sua Data Nacional, conhecida como Kwibohora, que marca a libertação do país após o genocídio de 1994. O evento, realizado em Brasília, reuniu autoridades brasileiras, embaixadores estrangeiros, representantes do governo local e admiradores da cultura ruandesa, celebrando também os 63 anos de independência do país africano.
A cerimônia foi conduzida pelo embaixador Lawrence Manzi, que abriu seu discurso com calorosas saudações em nome do presidente de Ruanda, Paul Kagame, do governo e do povo ruandês. Em suas palavras, Manzi destacou a importância histórica da libertação e refletiu sobre os 31 anos de reconstrução nacional, traçando um paralelo entre a maturidade de uma nação jovem e os valores que sustentam seu desenvolvimento.
“Ruanda se encontra em um ponto de inflexão, guiada pela energia da juventude, pelas lições do passado e por uma visão clara de futuro”, afirmou o embaixador. “Nossa jornada é sustentada por três pilares: unidade, responsabilidade e ambição.”
A festa, repleta de simbolismos, contou com danças tradicionais, música ao vivo e uma exposição cultural, refletindo o renascimento de uma nação que se reconstruiu sobre os escombros de um dos episódios mais sombrios da história contemporânea.
Diplomacia que floresce: Brasil e Ruanda estreitam laços
O embaixador Manzi aproveitou a ocasião para destacar o crescimento da cooperação bilateral com o Brasil, especialmente nos últimos anos. Desde a abertura da Embaixada de Ruanda em Brasília, em 2023 — a primeira na América do Sul —, as relações têm se fortalecido por meio de acordos em áreas como agricultura, segurança alimentar, educação e conectividade aérea.
“Visualizamos uma nação de alta renda até 2050, com acesso universal à educação e à saúde, economia diversificada e agricultura resiliente. Essa visão clara inspira nossos parceiros — como o Brasil — a caminharem ao nosso lado.”
Entre os marcos recentes, o embaixador mencionou o início do funcionamento da Embaixada do Brasil em Kigali, a assinatura de acordos de cooperação técnica e isenção de vistos diplomáticos, e o engajamento mútuo na Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada pelo Brasil no âmbito do G20.
Itamaraty destaca papel de Ruanda como parceiro estratégico
Representando o governo brasileiro, o secretário de África e Oriente Médio do Itamaraty, embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte, celebrou o progresso ruandês e exaltou a parceria estratégica com o Brasil:
“Desde 1994, Ruanda tem mostrado ao mundo que é possível reconstruir uma nação com base na justiça, na igualdade e na força de vontade de seu povo. O Brasil se orgulha de estar ao lado de Ruanda nessa caminhada.”
Sobral Duarte lembrou que a visita do ministro das Relações Exteriores de Ruanda ao Brasil, em 2023, selou compromissos duradouros e lançou as bases para uma nova fase da relação bilateral. Segundo ele, Brasil e países africanos compartilham “desafios comuns e o mesmo desejo de desenvolvimento”, e a parceria com Ruanda é exemplar nesse contexto.
Compromisso com o futuro sustentável
A noite também foi marcada pelo alinhamento entre os dois países em temas globais urgentes, como as mudanças climáticas. Ambos se comprometeram com a cooperação ambiental em fóruns como a COP30, que será sediada pelo Brasil em 2025, em Belém do Pará. Ruanda, segundo Manzi, está pronta para colaborar com soluções verdes, crescimento inclusivo e inovação sustentável.
Brinde à amizade: “Murakoze cyane”
Ao final da cerimônia, o embaixador Lawrence Manzi propôs um brinde simbólico: “Às nossas lideranças, mas, acima de tudo, aos nossos povos. Uma vida longa e boa para os ruandeses e os brasileiros.”
E concluiu com um agradecimento em kinyarwanda: “Murakoze cyane” — muito obrigado.
Ruanda no Brasil: uma ponte sobre o Atlântico
Mais que uma celebração diplomática, a noite foi a expressão de uma amizade que cresce, se fortalece e se projeta para o futuro. Com parcerias firmes, objetivos comuns e o compromisso com um mundo mais justo e sustentável, Brasil e Ruanda constroem, juntos, uma nova ponte entre a África e a América do Sul.


