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Na noite de quarta-feira (9), a Embaixada de Cabo Verde no Brasil promoveu uma cerimônia especial para celebrar os 50 anos de independência do país africano. O evento foi marcado por homenagens, discursos e apresentações culturais que evidenciaram os avanços conquistados nas áreas social, econômica e diplomática. O ministro da Educação de Cabo Verde, Amadeu Cruz, participou como convidado de honra.

Durante a solenidade, o embaixador de Cabo Verde no Brasil, José Pedro Chantre D’Oliveira, destacou os principais marcos da trajetória nacional desde a emancipação, com ênfase no compromisso do país com a estabilidade democrática. Cabo Verde mantém há mais de 35 anos um regime político pacífico e transparente, consolidando-se como referência em democracia no continente africano. O país também ampliou sua presença no cenário internacional ao ocupar, por duas vezes, uma cadeira como membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, presidindo o órgão em quatro ocasiões.

Na área econômica, o embaixador celebrou a recente reclassificação do país como economia de renda média-alta, segundo o Banco Mundial. Em 2024, o PIB cabo-verdiano cresceu 7,3%, impulsionado principalmente pelo turismo. No campo social, os avanços também são expressivos: a taxa de alfabetização subiu de 35% para 97%, e a renda per capita ultrapassou os 5.500 dólares — um crescimento superior a 1.700% desde a independência.

Outro destaque foi o progresso em liberdade de expressão. Cabo Verde subiu 11 posições no ranking da organização Repórteres Sem Fronteiras, alcançando a 30ª colocação entre 180 países. O país também passa por uma transformação demográfica relevante, deixando de ser essencialmente uma nação de emigrantes para se tornar destino de imigrantes, o que reforça sua imagem de país acolhedor e solidário.

A parceria com o Brasil foi reconhecida como estratégica para o desenvolvimento de Cabo Verde. O diplomata agradeceu o apoio histórico prestado pelo Itamaraty e destacaram o papel da diáspora cabo-verdiana residente no Brasil — considerada a “11ª ilha” do arquipélago — na manutenção de vínculos espirituais e econômicos com a terra natal.

Entre as boas notícias destacadas durante a cerimônia, chamou a atenção a nomeação do bispo Dom Teodoro Tavares, residente em Belém (PA), para um cargo no Vaticano voltado ao diálogo inter-religioso — símbolo do elo profundo entre os dois países. Também foram celebradas as conexões culturais históricas, como a influência da Semana de Arte Moderna de 1922 no surgimento do Movimento Claridoso, marco intelectual da identidade cabo-verdiana.

Representando o governo brasileiro, o secretário de África e Oriente Médio do Itamaraty, embaixador Carlos Sobral Duarte, ressaltou a importância da data para os dois países e para toda a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Ele lembrou que os laços entre Brasil e Cabo Verde são anteriores à independência, com raízes históricas que remontam ao período colonial. “A ilha de Santo Antão, terra natal do embaixador Chantré, é referência no contexto do Tratado de Tordesilhas”, afirmou.

Duarte também homenageou Amílcar Cabral, líder da luta pela independência, como símbolo de resistência e inspiração para a juventude brasileira comprometida com a solidariedade internacional. “O Brasil acompanhou com entusiasmo a luta de libertação africana, símbolo de união e resistência”, declarou. Ao final de sua fala, propôs um brinde ao cinquentenário da independência e à contínua parceria bilateral: “O muito que já construímos juntos nos últimos 50 anos nos anima a fazer muito mais. Temos plena convicção de que os próximos anos trarão ganhos concretos para o bem-estar de nossas populações.”

Em seu pronunciamento, o ministro da Educação de Cabo Verde, Amadeu Cruz, reforçou o valor simbólico e concreto da data. “Hoje celebramos os 50 anos da independência de Cabo Verde com orgulho e emoção. Esta data marca não apenas o fim do regime colonial, mas o início de uma caminhada baseada na coragem, na resiliência e na visão de futuro. Investimos no que tínhamos de mais valioso: o nosso povo.”

Cruz ressaltou que, desde 1975, o país priorizou a construção da democracia, a valorização da educação e o fortalecimento institucional. A alfabetização foi tratada como prioridade nacional, com escolas sendo implantadas antes mesmo da formação de professores. Atualmente, Cabo Verde passa por uma profunda reforma educacional, centrada na valorização dos docentes e no uso de tecnologias. O ministro também destacou a contribuição do Brasil nesse processo, lembrando que milhares de cabo-verdianos se formaram em universidades brasileiras, entre eles o atual presidente da República, José Maria Neves, egresso da Fundação Getulio Vargas.

“A diáspora cabo-verdiana, especialmente a residente no Brasil, é parte essencial desta história. São cidadãos que mantêm vivas as raízes culturais e fortalecem os laços entre nações irmãs. A diáspora é uma extensão ativa da nossa cidadania e uma ponte permanente entre Cabo Verde e o mundo”, afirmou.

Para encerrar, o ministro projetou o futuro com otimismo: “Cabo Verde é hoje uma nação de rendimento médio, com liberdade de imprensa, transparência institucional e respeito internacional. Mas, mais do que isso, é um país que olha para o futuro com ambição. Com uma juventude preparada, uma democracia consolidada e uma forte rede de cooperação, temos todas as condições para fazer dos próximos 50 anos um novo ciclo de conquistas.”

A cerimônia foi encerrada com manifestações da rica tradição cultural cabo-verdiana. O cantor Zezé Barbosa emocionou o público com canções típicas do país, e os convidados degustaram um buffet com pratos saborosos , em uma noite de celebração, identidade e reafirmação dos laços entre Cabo Verde e o Brasil.

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