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A Embaixada da Rússia em Brasília realizou, na terça-feira (23), um briefing para a imprensa, conduzido pelo embaixador Alexey Labetskiy. O encontro teve como foco três temas centrais: as comemorações pelos 80 anos da Vitória na Segunda Guerra Mundial, o fortalecimento das relações bilaterais entre Rússia e Brasil e os rumos do BRICS em um cenário global marcado por tensões.

Memória e mobilização: os 80 anos da Vitória
Labetskiy abriu a sessão abordando as celebrações em Moscou e em outras cidades russas pelo 80º aniversário do Dia da Vitória, celebrado em 9 de maio. A data marca a rendição da Alemanha nazista em 1945 e o fim da guerra na Europa — evento conhecido na Rússia como a “Grande Guerra Patriótica”.

Segundo o embaixador, trata-se de “uma das datas mais significativas da história moderna da Rússia, não apenas pela magnitude das perdas — estimadas em cerca de 27 milhões de vidas —, mas também pela simbologia de resistência e redenção nacional”. As cerimônias, que incluem desfiles militares e homenagens a veteranos, ocorrerão sob o lema da unidade nacional e da memória coletiva.

Rússia e Brasil: parceria com foco no futuro
Na sequência, o diplomata destacou os avanços na cooperação bilateral com o Brasil, especialmente nas áreas de comércio de fertilizantes, intercâmbio cultural e projetos de infraestrutura. Ele mencionou a ampliação do fornecimento de adubos russos ao agronegócio brasileiro, além de iniciativas acadêmicas em engenharia e tecnologia espacial.

“Nossa parceria não é apenas histórica, mas orientada para o futuro. Estamos ampliando acordos de financiamento e pesquisa conjunta em setores como energias renováveis e biotecnologia”, afirmou Labetskiy.

BRICS: expansão estratégica e novas alternativas financeiras
O terceiro tema abordado foi o processo de expansão do BRICS, que passou a incluir Irã, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos como membros plenos, além da Indonésia, recém-integrada, e da Nigéria, convidada como parceira. Outros países — como Arábia Saudita, Turquia, Azerbaijão e Malásia — também receberam convites, o que, segundo o embaixador, reforça “o dinamismo e a relevância crescente do bloco”.

Labetskiy também comentou a proposta de criação de um sistema de pagamentos alternativo ao dólar, em discussão entre os países membros. “Inovações como moedas securitizadas exigem esforço significativo dos sistemas bancários nacionais, mas hoje já integram planejamentos internos robustos”, avaliou. Ele argumentou que, em um cenário atual, muitos investidores já reavaliam sua exposição a ativos tradicionais em favor de novas formas de financiamento.

Tensões com os EUA e a busca por equilíbrio
O embaixador também abordou o clima de tensão com os Estados Unidos. Segundo ele, o ex-presidente Donald Trump teria ameaçado impor tarifas de até 100% aos países do BRICS caso avancem com o sistema financeiro alternativo. Apesar das tensões, Labetskiy afirmou que ainda não há confirmação da participação do presidente Vladimir Putin na cúpula do BRICS de 2025, cuja sede ainda não foi oficialmente divulgada.

Questionado sobre uma possível visita de Trump a Moscou, o embaixador mencionou que o ex-presidente declarou que poderia viajar “no momento apropriado”, mas não durante as celebrações de 9 de maio. “Isso demonstra respeito à nossa memória histórica e à solenidade da data”, destacou.

Desafios e perspectivas para o BRICS
Encerrando o briefing, Labetskiy reforçou que o BRICS vem se consolidando como uma plataforma de coordenação e implementação de interesses dos países do Sul Global e da Europa Meridional. Ele também criticou as sanções econômicas impostas por países ocidentais, afirmando que essas medidas aceleraram o fortalecimento da infraestrutura doméstica da Rússia e a substituição de fornecedores internacionais.

“Hoje, temos cadeias de suprimentos reconhecidas globalmente e renovadas por meio de parcerias estratégicas com países tradicionais e emergentes”, concluiu, ressaltando que “cada nação deve ser considerada de acordo com suas condições reais no contexto atual”.

Com uma agenda que entrelaça memória histórica, diplomacia econômica e reposicionamento geopolítico, o encontro na Embaixada da Rússia evidencia o esforço de Moscou para reafirmar seu papel como protagonista em um novo cenário global multipolar.

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