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Na quarta-feira, dia 29 de novembro, na sede da Embaixada Palestina no Brasil foi comemorado o dia internacional da Solidariedade com o povo palestino. O evento reuniu a presença do corpo diplomático credenciado no Brasil, representantes políticos e da sociedade civil, amigos e imprensa.

Durante a cerimônia o Embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, agradeceu a solidariedade internacional com o povo palestino, especialmente neste momento em que a agressão de Israel já causou mais de 16.000 mortes, e reiterou o apelo do Presidente da Palestina para respeitar o direito internacional, parar a agressão israelense e organizar uma conferência internacional para a paz.

A Coordenadora Residente das Nações Unidas no Brasil, Silvia Rucks del Bo, e o Embaixador da Liga Árabe, Qais Marouf Kheiro Shqair, também discursaram na solenidade. Rucks leu perante a todos os convidados o discurso do Secretário-Geral da ONU, António Guterres (clique aqui e veja o discurso).

Confira na íntegra o discuro do Embaixador Ibrahim Alzeben

São 76 anos aguardando pela justiça e paz. Centenas de resoluções e iniciativas internacionais sem cumprir. Centenas de milhares de atividades solidárias. Centenas de condenações e denúncias e resoluções não implementadas por Israel, a potência ocupante.

A moral do direito internacional está em crise devido à sua ineficácia e padrões duplos na Palestina. Direito internacional e seletivo. Ao longo desses anos enfrentamos destruição, genocídio, limpeza étnica e apartheid. No recente ciclo de violência em Gaza, que ainda continua, 7 mil crianças mortas. Isso são 234 crianças em média por dia! Seus sonhos, seus jogos, mascotes e familiares foram enterrados com eles.

O número de assasinados ultrapassou 16.000. A escala de horrores e destruição aumenta a cada dia. Bairros completamente destruídos1.7 milhões de cidadãos forçados a abandonar seus lares destruídos ou semidestruídos. A Nakba continua em grande escala. Só em Gaza, o exército guiado pelo governo fascista de Netanyahu, cometeu os seguintes crimes de guerra durante 50 dias:
1.400 Massacres;
Assassinar 207 médicos e 65 jornalistas;
Causar 36 mil feridos;
26 hospitais e 55 clínicas suspensas;
266 escolas destruídas;
88 mesquitas e 3 igrejas destruídas;
Mais de 8 mil presos políticos e reféns.

Entre outros crimes de guerra, como o corte de água, eletricidade e combustível, impedindo a ajuda humanitária em Gaza, criando uma zona de calamidade. E o direito internacional? E o direito internacional humanitário? Seus valores? O mundo político e mediático tornou-se desprovido de moral e de valores para preservar os interesses egoístas, gananciosos. O que dirão as gerações futuras sobre nós, os humanos do século XX e do século XXI? Não só culpo o assassino, cujo hobby é matar inocentes na Palestina, diante dos olhos e ouvidos do universo.

A culpa, a responsabilidade e a vergonha recaem sobre os ombros de países e políticos influentes no mundo que enviam armas de destruição a Israel para seguir sua guerra e ocupação. Que protegem e encobrem os seus crimes em fóruns internacionais e que justificam seus crimes como ato de defesa.

Palestina agradece a todas as vocês contra a injustiça. Contra o genocídio, especialmente em Gaza. Agradecemos todos os partidos, instituições e estados que disseram não à guerra de genocídio e apartheid. Agradecemos aos países e governos que condenaram publicamente Israel, que cortaram as suas relações, retiraram os seus embaixadores e exigiram o seu boicote. Agradecemos ao Brasil e ao seu presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, ao seu governo e à coligação governamental pelo seu apoio à paz e ao fim da violência na Palestina.

Neste dia, estendo meu agradecimento a Câmara Federal e a todos os parlamentares dos estados e municípios brasileiros que comemoram este Dia Internacional da Solidariedade. Não esqueceremos as suas posições honrosas e harmoniosas com milhões de pessoas nas Américas, na Europa, na Ásia, na África e na Oceania.

Os sucessivos governos de Israel pensavam que o genocídio poria fim à questão palestina. Podem olhar agora que a palestina conquistou a consciência do mundo. Neste dia, saúdo a juventude global que percorre as ruas em defesa da verdade, da justiça e da paz. Que não é tentada por interesses, nem intimidada por aparelhos repressivos, nem enganada por uma imprensa imoral.

Desta tribuna, do pátio desta embaixada, e diante dos meus irmãos e amigos da Palestina, garanto a vocês que o povo da Palestina está unido e não será dividido pela política, pela ideologia. O nosso povo tem um objetivo claro: alcançar a liberdade, a independência e a soberania. O que a Palestina exige é que esta guerra pare imediatamente.

Que o mundo detenha Israel e acabe com a ocupação. Que os países do mundo reconheçam a palestina como Estado membro pleno na ONU, com Jerusalém como sua capital.
Que a guerra e a violência não sejam o meio de resolver conflitos. Não existe outro caminho a não ser a paz justa e duradoura

Palestina voltará a ser um farol e um símbolo de amor à vida. O que a palestina tem pagado de sacrifícios em 7 décadas, de crianças, mulheres, idosos e jovens vitimados, casas e campos destruídos, que sirva de lição para a humanidade. Que as tragédias não se repitam mais. Chega de matar! Chega de hipocrisia!Chega de padrões duplos! Não abriremos mão do nosso direito a uma vida digna.

Palestina livre!

O Embaixador da Liga Árabe no Brasil, Qais Marouf Kheiro Shqair, reiterou o apoio dois países membros da Liga Árabe ao Estado Palestino, reforçando a urgência do cessar-fogo imediato. Além disso, também defendeu a criação do Estado Palestino para a manutenção duradoura da paz no Oriente Médio.

A Liga Árabe é comprometida a proporcionar suporte à Palestina durante a escalada violenta do conflito com Israel, atuando de forma a proteger os cidadãos árabes palestinos e a manter a integridade territorial do território da Palestina, tanto na Faixa de Gaza quanto na Cisjordânia.

Também discursaram no evento Fernanda Melchionna, Deputada Federal pelo PSOL; Misiara Oliveira, membro da executiva nacional do PT; Victor Zaupa, Secretário de Juventude do PT-DF e Guilia Tadini, Presidenta do PSOL-DF.

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