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A Embaixada da Argentina no Brasil promoveu, em Brasília, uma recepção em comemoração ao 216º aniversário da Revolução de Maio de 1810, marco histórico que deu início ao processo de independência argentina. O evento reuniu autoridades brasileiras, membros do corpo diplomático, empresários, representantes do governo e convidados especiais em uma noite dedicada à cultura, à integração e à amizade entre Argentina e Brasil.
A celebração destacou os sabores e tradições argentinas, com apresentações de tango, música argentina, gastronomia típica e degustação de vinhos. A abertura oficial contou com a execução dos hinos nacionais da Argentina e do Brasil, seguida dos discursos do embaixador da Argentina no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi, e da secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, embaixadora Gisela Padovan.
Em sua fala, o embaixador Raimondi ressaltou a importância histórica da Revolução de Maio e destacou os laços de amizade entre os dois países.
“Além de uma extensa fronteira em comum, Argentina e Brasil compartilham uma história de integração, um presente de trabalho conjunto e um futuro de oportunidades”, afirmou.
O diplomata destacou que o Brasil segue sendo o principal parceiro comercial da Argentina, com um intercâmbio econômico marcado pela integração dos setores produtivos e pela complementaridade industrial. Raimondi também enfatizou o avanço da integração energética, mencionando as primeiras exportações de gás natural da região de Vaca Muerta para o Brasil.
“Hoje, a Argentina se posiciona como fornecedora confiável, competitiva e geograficamente próxima de gás natural para empresas e consumidores brasileiros”, declarou.
Outro ponto ressaltado pelo embaixador foi o fortalecimento dos vínculos culturais e turísticos entre os dois países. Segundo ele, o fluxo turístico bilateral alcançou números recordes no último ano, com cerca de 4,5 milhões de pessoas viajando entre Argentina e Brasil, favorecidas pela ampliação da conectividade aérea.
Durante o discurso, Raimondi também destacou dois marcos importantes de 2025: o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia e os 35 anos da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC).
Segundo o embaixador, a ABACC representa um exemplo internacional de cooperação e confiança mútua.
“A integração não é apenas um projeto econômico ou comercial, mas, acima de tudo, um projeto de paz e de destino compartilhado”, afirmou.
Raimondi aproveitou a ocasião para agradecer ao governo brasileiro pelo apoio à reivindicação argentina de soberania sobre as Ilhas Malvinas, especialmente no âmbito da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul.
O diplomata também apresentou a Argentina como um país de oportunidades para investimentos, destacando o cenário de estabilização macroeconômica, os incentivos ao setor produtivo e programas voltados à atração de grandes investimentos.
Já a secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, embaixadora Gisela Padovan, fez um discurso marcado por referências históricas e emocionais sobre a relação entre Brasil e Argentina.
Ela homenageou figuras históricas da independência argentina, como Cornelio Saavedra, Manuel Belgrano e Mariano Moreno, destacando valores como democracia, soberania e liberdade.
Padovan também relembrou o legado do general José de San Martín e defendeu a harmonia e a integração regional como pilares fundamentais para o futuro da América do Sul.
Em tom descontraído, a embaixadora comparou a relação entre Brasil e Argentina a “um casamento eterno”, retomando uma metáfora inspirada no ex-chanceler Celso Amorim.
“Brasil e Argentina estão condenados a esse casamento eterno, mas proveitoso e feliz”, afirmou.
Ela destacou marcos históricos da relação bilateral, como a Declaração de Iguaçu, assinada por José Sarney e Raúl Alfonsín em 1985, que impulsionou a aproximação política entre os países e abriu caminho para a criação do Mercosul.
A secretária também ressaltou a relevância da integração econômica, energética e nuclear entre os dois países, classificando a parceria bilateral como estratégica para o desenvolvimento da América do Sul.
O encerramento da celebração foi marcado por apresentações culturais, música, dança, gastronomia típica argentina e degustação de vinhos, proporcionando aos convidados uma verdadeira imersão na cultura do país vizinho.
A recepção reafirmou o fortalecimento das relações diplomáticas, econômicas e culturais entre Argentina e Brasil, consolidando uma parceria histórica que ultrapassa dois séculos de cooperação e amizade.
*É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.


