|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
No fim da tarde, um ponto de abastecimento comunitário na cidade de Marsabit, no norte do Quênia, fica movimentado com a chegada de moradores com baldes amarelos para buscar água. Alguns vão a pé, enquanto outros utilizam motocicletas para transportar a água até suas casas.
A cena contrasta fortemente com o passado, quando a escassez de água dominava o cotidiano da cidade.
“Eu saía de casa às seis da manhã e, às vezes, só voltava à noite”, relembrou Hawo Hussein, moradora local e proprietária de uma pequena loja de samosas, acrescentando que, mesmo após esperar na fila o dia todo, não havia garantia de conseguir água.
“Agora consigo buscar água em poucos minutos, o que significa mais tempo para meu negócio e para minha família”, observou ela.
Situada em uma região de terras áridas e semiáridas do Quênia, a cidade de Marsabit recebe pouca chuva, e a água que cai muitas vezes escoa rapidamente pelas encostas. Durante as longas estações secas, as famílias dependiam de águas subterrâneas e reservatórios sazonais, que frequentemente eram insuficientes para atender à demanda.
Hoje, o cenário está mudando. Um moderno sistema de abastecimento de água, construído pela Power Construction Corporation of China, levou água limpa e confiável à cidade e às comunidades vizinhas, amenizando um dos desafios de desenvolvimento mais persistentes da região.
Inaugurado em 2023 e entregue integralmente ao Quênia em 2025, o projeto inclui barragem, estação de bombeamento, estação de tratamento de água, tubulações de adução e rede de distribuição, criando um sistema integrado que vai desde o armazenamento da água até o abastecimento domiciliar.
Segundo Zhang Yang, vice-gerente do projeto hídrico, a recém-construída Barragem Bakuli nº 4 quintuplicou a capacidade de armazenamento do reservatório, chegando a cerca de 250.000 metros cúbicos, o que permite à cidade captar as escassas chuvas sazonais e resistir melhor a meses de seca.
Stanley Kamande, comissário do Distrito de Marsabit, disse que o armazenamento de água existente consegue suprir a demanda local por cerca de seis meses, considerando os níveis atuais de consumo. Ele acrescentou que, com a garantia de água suficiente, o próximo desafio seria levá-la com segurança até as casas dos moradores.
A tubulação de transporte que liga a nova estação de bombeamento à estação de tratamento teve de atravessar 27 cristas de montanhas, com algumas inclinações chegando a 60 graus, o que impossibilitou o acesso de maquinário pesado a certos trechos.
“Nas áreas mais difíceis, os materiais de construção precisaram ser transportados por burros e carregados manualmente até os locais de obra”, disse Zhang.
A tubulação concluída agora distribui água por toda a cidade, trazendo melhorias concretas ao dia a dia dos moradores.
Hussein contou que um recipiente de 20 litros de água, que antes custava 50 xelins quenianos (cerca de 0,39 dólares americanos), agora custa apenas cinco xelins, observando que “o custo mais baixo da água reduziu as despesas do meu negócio, e podemos economizar mais dinheiro para a família”.
Wako Woche, representante dos jovens responsável pela gestão de um dos pontos de abastecimento comunitário, disse que muitos jovens agora ganham a vida entregando água, de motocicleta, em bairros mais distantes dos pontos de coleta.
“Agora as pessoas podem buscar água de forma organizada nos pontos públicos de abastecimento de água, e os conflitos por causa da água tornaram-se muito menos frequentes, fortalecendo a coesão da comunidade”, disse ele.
Kamande disse que os benefícios do projeto vão além de melhorar o acesso das famílias à água potável. O abastecimento estável de água melhorou as condições de saneamento em escolas e unidades de saúde, ao mesmo tempo em que permitiu que as empresas operassem com maior confiabilidade.
A maior segurança hídrica também está ajudando a atrair investimentos e a apoiar o desenvolvimento da cidade a longo prazo, acrescentou ele.
Para Zhang, uma lembrança do início da construção permanece viva. “Quando cheguei a Marsabit, via frequentemente crianças à beira da estrada, segurando garrafas vazias e pedindo água potável aos trabalhadores da obra”, relembrou ele.
“Ver cada vez mais famílias com acesso a água segura e limpa perto de casa, em vez de terem de percorrer longas distâncias, é profundamente gratificante”, acrescentou ele.


