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Servidores do Instituto de Amêndoas de Moçambique, órgão vinculado ao Ministério da Agricultura do país, e do Banco Nacional de Investimentos moçambicano visitaram a Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza/CE), no dia 18 de julho, para conhecer as pesquisas e tecnologias desenvolvidas pela Unidade para o processamento industrial de castanha-de-caju. A delegação veio ao Brasil participar do Programa Gestão do Agronegócio de Amêndoas e Fontes de Financiamento, oferecido pela Faculdade ANASPS, em São Paulo (SP), e a visita faz parte das atividades curriculares do curso de formação.

A ANASPS é uma instituição de ensino superior mantida pela Associação Nacional dos Servidores da Previdência e da Seguridade Social, com sede em Brasília (DF) e unidades nos diversos estados da federação. De acordo com a assessora Juliana Carluccio, coordenadora da visita, a faculdade oferece programas de ensino especializados, com foco em demandas específicas do setor público. O Programa Gestão do Agronegócio de Amêndoas e Fontes de Financiamento, dirigido a servidores moçambicanos, é fruto de parceria com a CPEC (Consultoria, Pesquisas e Estudos Científicos Ltda), empresa que atua na promoção de conhecimentos científicos para servidores públicos de Moçambique, parceria com o Ministério da Agricultura.

“O cajueiro é uma cultura tradicional em Moçambique, especialmente para a produção de castanhas, mas ainda existe pouca tecnologia no país para o processamento com eficiência e qualidade. A agenda no Ceará, entre os dias 14 e 18 de julho, permitiu conhecer experiências agregadoras de conhecimento para melhoria desse processo produtivo nas indústrias. Além da Embrapa, visitamos também a Ceasa e o Banco do Brasil, em Fortaleza, e a indústria Usibras, no município de Aquiráz. Acredito que o know-how científico da Embrapa pode contribuir para elevar o padrão tecnológico na produção de castanha-de-caju em Moçambique. Há interesse das instituições daquele país em ampliar o diálogo com a Embrapa para a transferência de tecnologias e os produtores contam com meios para financiamento dessas inovações tecnológicas”, explica a coordenadora.

Programação
Os visitantes participaram da palestra “Qual a cajucultura que queremos daqui a 20 anos?”, ministrada pelo chefe-geral da Unidade, Gustavo Saavedra. O gestor destacou os caminhos para o Brasil chegar a líder mundial da cajucultura sustentável e enfatizou aspectos cruciais para a revitalização da cajucultura nacional, como a adoção de tecnologia clonal de cajueiro-anão e de métodos eficientes de controle de pragas e doença, o uso de práticas pós-colheita e a oferta de capacitação contínua, além do aproveitamento integral da produção. Além disso, abordou as limitações da cadeia indústria de castanha-de-caju e a perda de relevância da indústria brasileira de processamento no mercado internacional.

Outra ênfase da palestra foi a adoção de biorrefinaria como estratégia para o aproveitamento integral da amêndoa de caju, pedúnculo e resíduos do processamento industrial (bagaço e casca de castanha). “Precisamos desenvolver soluções tecnológicas industriais para viabilizar essa cadeia. A estruturação desse mercado demanda novos equipamentos e alternativas para agregação de valor a co-produtos e resíduos agroindustriais, por meio do aproveitamento da fibra de caju, e o desenvolvimento de novos produtos análogos de vegetais de “Leite” e derivados não lácteos como queijos vegetais”, ressalta Saavedra.

Os visitantes também conheceram o Laboratório Multiusuário de Química de Produtos Naturais (LMQPN) e Laboratório de Processos Agroindustriais (LPA) da Unidade. A técnica Ionete Nogueira falou sobre as rotinas do Laboratório Multiuso, incluindo o processo de extração de princípios ativos de plantas e a realização de análises de compostos químicos, com uso de equipamentos de última geração. No LPA o grupo foi recebido pelo pesquisador Calixto Lima, que destacou os estudos para desenvolvimento de novas tecnologias, produtos e processos para o setor agroindustrial, utilizando matérias primas provenientes da agricultura e fruticultura tropical, principalmente a amêndoa de caju, o pedúnculo e a fibra de caju.

Parceria futura
Segundo dados do Ministério da Agricultura de Moçambique, a cadeia de valor de amêndoas de castanha-de-caju no país conta com 69 empresas e cerca de sete mil trabalhadores. A produção de amêndoas gera emprego e renda, movimenta a economia e contribui para a alimentação das famílias. Até meados da década de 1970, Moçambique era o segundo maior produtor mundial de castanha-de-caju, mas em função de diferentes fatores, incluindo questões políticas e climáticas, perdeu espaço no mercado internacional. Investimentos governamentais e da iniciativa privada têm possibilitado uma recuperação gradual na cultura, mas o parque industrial carece de modernização.

Para Vicente Pedro Mondlane, chefe do Departamento Central do Instituto de Amêndoas de Moçambique, a vinda ao Brasil é uma oportunidade para conhecer a realidade de outro país produtor de caju. “A escolha da Embrapa foi muito acertada porque nosso país é um grande produtor de caju, mas temos muitos desafios no processamento integral da castanha e sabemos que essa empresa desenvolve soluções tecnológica para produtores e processadores de caju. Temos, em Moçambique, uma instituição de pesquisa agronômica e essa visita pode contribuir para o alinhamento de uma parceria futura para o desenvolvimento de pesquisas conjuntas”, afirma.

Na opinião de Pedro Sitoe, representante do Banco Nacional de Investimentos, interagir com a Embrapa possibilitou conhecer aspectos não só do processamento da amêndoa, mas também do pedúnculo e as tecnologias geradas pela empresa podem ajudar a melhorar o processamento do caju, em Moçambique. “Estamos buscando alternativas para desenvolver nossos processos produtivos e o Brasil, por meio da Embrapa, tem muito a oferecer com as tecnologias que dispõem. Queremos intensificar a produção de caju e incorporar novas tecnologias. Em nosso país comercializamos apenas a amêndoa da castanha-de-caju, mas sabemos que e aqui o fruto comestível (pedúnculo) também é um mercado potencialmente viável. Temos interesse em parcerias para viabilizar o aproveitamento também dessa matéria prima”, ressalta.

Fonte: Embrapa Agroindústria Tropical (Diva Gonçalves).

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