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No sábado (29), foi realizado em Bagdá a “Conferência de Cooperação e Parceria de Bagdá”. Segundo a agência de notícias iraquiana o porta-voz da conferência, Nizar Al-Khairallah, os países são Turquia, Irã, Arábia Saudita, Egito, Kuwait, Jordânia e Catar, Emirados Árabes Unidos, Liga Árabe, Conselho de Cooperação do Golfo e Organização de Cooperação Islâmica. A França foi coorganizadora do evento e o presidente francês Emmanuel Macron fez questão de comparecer.

Algumas nações mandaram representantes e oficiais de alto escalão. Entre os mandatários, além de Macron, estavam o rei Abdullah II da Jordânia, o emir catariano Tamim Bin Hamad Al-Thani, o presidente egípcio Abdel Fattah al Sisi e o primeiro-ministro do Kuwait, Sabah al-Khalid Al-Sabah.

O Iraque não quer continuar sendo uma zona de conflito. Além das tropas norte-americanas que estão em seu território desde 2003, sofre com ataques os ataques de grupos extremistas.
A conferência é uma tentativa de unir os países do Oriente Médio, que tem interesses em comum. Segundo Al-Khairallah, o encontro de líderes políticos e religiosos “envia mensagens positivas às instituições preocupadas com o desenvolvimento econômico e a atração de capitais”, e visa dar ao Iraque um “papel construtivo e abrangente para enfrentar as crises que afligem a região”.

O Ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlüt Çavuşoğlu, disse em seu discurso que “É hora de colocar de lado nossas diferenças e focar em nosso terreno comum. Como pessoas desta região, conhecemos melhor nossos próprios problemas e os resolvemos nós mesmos.

Chamou a atenção a presença dos ministros das Relações Exteriores do Irã e da Arábia Saudita, países que estão de lados opostos em conflitos militares por todo o Oriente Médio, como Síria, Iraque, Iêmen e Líbano. Não há registro de encontros diretos entre os representantes de Irã e a Arábia Saudita durante a a Conferência. Contudo, o chanceler iraquiano, Fuad Hussein, ressaltou que “o fato de termos conseguido reunir países rivais na mesma mesa e iniciar o diálogo entre eles é importante para nós e para toda a região”.

Os organizadores da cúpula disseram não esperar nenhum grande avanço diplomático, mas apostam na continuação do diálogo.

Terrorismo e crise hídrica na região foram debatidos

O presidente Macron descreveu a reunião de sábado como “histórica” e disse que seu país continuará a enviar tropas ao Iraque para combater o terrorismo, mesmo que os EUA se retirem. Além da ameaça terrorista, os tópicos debatidos na reunião incluíam a devastadora crise regional de água, a guerra no Iêmen e a grave situação econômica e política no Líbano, que levou o país à beira do colapso.

Mahmoud Abdelwahed, da Al Jazeera, disse que os líderes também trataram projetos de investimento entre os participantes e abordaram os desafios políticos e de segurança que o Iraque enfrenta, incluindo o esperado  ressurgimento do Estado Islâmico. “A estabilidade do Iraque é a chave para a estabilidade de toda a região. Foi assim que os líderes regionais participantes da conferência de Bagdá a concluíram no sábado ”, assegurou.

Analistas avaliam que o encontro de autoridade de todo o Oriente Médio foi uma chance para o primeiro-ministro do Iraque, Mustafa al-Kadhimi, mostrar seus esforços recentes para retratar seu país como um mediador neutro nas crises da região e se reencontrar com o mundo após décadas de conflito. O Iraque busca desempenhar um “papel unificador” para enfrentar as crises que sacodem a região, afirmaram fontes próximas a al-Kadhimi.

“Esta cúpula marca o retorno do Iraque como um ator central na região”, disse o analista político Ihsan al-Shammari, que dirige o Centro de Pensamento Político do Iraque, em Bagdá.

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