Getting your Trinity Audio player ready...

Brasília viveu uma noite de celebração da música e da diplomacia cultural com o recital do pianista, compositor e musicólogo franco-libanês Ziad Kreidy, realizado na Sala Le Corbusier, no Espaço Cultural da Embaixada da França. Promovido em parceria pelas Embaixadas da França e do Líbano no Brasil, o evento reuniu autoridades, representantes do corpo diplomático, religiosos, membros da comunidade libanesa, convidados e apreciadores da música clássica.

Na abertura da cerimônia, os anfitriões destacaram que o concerto simbolizava a união entre dois países ligados por uma longa história de intercâmbio cultural, transformando a música em uma ponte entre as duas margens do Mediterrâneo.

Durante o pronunciamento oficial, foi prestada uma homenagem ao embaixador do Líbano no Brasil, Elias Nicolas, reconhecido pelo trabalho de valorização da cultura libanesa e pelo fortalecimento da diplomacia cultural no país. Também foram dirigidos agradecimentos ao ministro-conselheiro da Embaixada da França, Brice Fodda, representante do embaixador Emmanuel Lenain, que estava ausente do Brasil em missão oficial.

A cerimônia contou ainda com o reconhecimento ao apoio do Clube Monte Líbano, representado por seu diretor, Amer Nasser. Os organizadores ressaltaram o papel desempenhado pelas entidades da comunidade libanesa na preservação da identidade cultural e no fortalecimento dos laços históricos entre Brasil e Líbano.

A grande atração da noite foi Ziad Kreidy, pianista reconhecido internacionalmente por unir excelência técnica, pesquisa musicológica e sensibilidade artística. Professor do Conservatório de Irradiação Regional de Versalhes e da Sciences Po Reims, o músico apresentou um programa cuidadosamente elaborado para celebrar o encontro entre diferentes tradições musicais.

O recital teve como eixo central a obra “Quadros de uma Exposição”, de Modeste Moussorgski, considerada uma das maiores composições do repertório pianístico russo. Em torno dessa obra, Kreidy construiu um percurso musical que aproximou compositores franceses e libaneses, revelando afinidades entre diferentes culturas.

O programa foi aberto com a “Valsa Oriental”, de Wadih Sabra, considerado o fundador da música clássica libanesa e autor do hino nacional do Líbano. Em seguida, foram interpretadas obras de Toufic Succar, conhecido como o “Bartók libanês”, pioneiro na integração entre a tradição musical árabe e a linguagem clássica ocidental, além de composições de Boghos Gelalian, importante representante da escola libano-armênia.

A música francesa esteve representada por Erik Satie, precursor do minimalismo e autor das célebres “Gymnopédies” e “Gnossiennes”, e por Déodat de Séverac, cuja escrita musical inspirada nas paisagens do sul da França encerrou o concerto com a delicada “Valsa Romântica”.

Ao longo da apresentação, o público foi conduzido por uma verdadeira viagem musical entre Oriente e Ocidente, evidenciando como a arte ultrapassa fronteiras geográficas e aproxima diferentes povos por meio da cultura.

Mais do que um recital, a noite reafirmou o papel da música como instrumento de diálogo, compreensão e aproximação entre nações. Em Brasília, a iniciativa das Embaixadas da França e do Líbano demonstrou que a diplomacia cultural continua sendo uma das formas mais duradouras e eficazes de fortalecer amizades entre os povos.

*É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

Compartilhar.
Translate »